quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

The End.

Chega agora ao final uma época que por uma forte e precoce entrada de Galinholas a meio de Novembro se tornou longa e intensa. Ficam na memória os lances vividos, os pássaros errados, aquelas que foram mais fortes, que nos tiraram o sono, que nos fizeram pensar nelas e delinear estratégias diferentes jornada após jornada a fim de as capturar, ficam sobretudo os magníficos momentos que os cães me proporcionaram.
A época para mim termina hoje, tal qual como começou, com dois abates, com a diferença de ser o Faruck a abrir a época e o Veron a Fechar, é justo!
Vivi momentos únicos, intimistas, alguns, poucos, partilhados ao vivo com o companheiro de Aventuras, alcunhado de Zé Gamarras, que tal como eu teve também uma época fenomenal, graças a duas cadelas magnificas.
Hoje em dia de fecho, tive 4 pássaros, 6 ou 7 levantes, várias paragens e 2 cobros, de salientar um lance maravilhoso do Veron, interminável, simplesmente magnífico, onde por várias vezes parou a Galinhola, saindo sempre tapada e rente ao chão, apenas por uma vez se mostrou o suficiente para ser abatida. Foram lances destes que o Veron me proporcionou toda a época, com mestria, muita classe e acima de tudo muita segurança e beleza transformou esta numa época inesquecível! É um cão sensacional, um especialista nas Galinholas e um senhor na outra caça, um cão completo, forte no terreno, ligado a mim e à espingarda, de carácter dócil e inteligente, sente os lances, vive os momentos com a mesma intensidade que eu, rejubila de alegria a cada cobro, esta época afirmou-se e foi Magnifico.

Já o Faruck mostrou a segurança de sempre, intensidade, loucura, imensurável paixão e mais uma vez a inventar pássaros, a ir buscar sempre aquele pássaro lá longe, naquele cantinho que ninguém vai, naquele matinho que fica sempre fora de rota, mas que só ele sem mandado vai e encontra uma galinhola. Não há muito a dizer, apenas que me deu pássaros complicados, em terrenos complicados, deu-me as esquivas, as desconfiadas de fim de época, as de entrada e as outras, sempre que foi exigido cumpriu! Uma equipa fortíssima que permitiu tão bons resultados e tão especiais momentos.
Obrigado Veron e Faruck, obrigado aos Amigos que me acompanharam e viveram comigo de uma forma genuína momentos maravilhosos e, um especial obrigado à família, por suportar a minha ausência todos estes meses, sem um dia férias, um feriado ou um fim-de-semana em casa.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Um fim-de-semana em grande.

Domingo, mais e mais Veron. Dia após dia as emoções são levadas ao êxtase, desta vez sem saber onde procurar um pássaro, pois aqui neste couto não sabia de nenhuma que me pudesse entreter nesta fria manhã que, pouco depois se tornaria numa manhã quente e repleta de tordos.
Após umas belas paragens às lebres e perdizes, o Veron fica em mostra numa mancha de estevas sem nenhuma jeito, a galinhola sai atiro, ela com as patas para baixo de devagar pousa a não mais de 30 metros de mim, tive a plena sensação que tinha levado, fico a mudar o cartucho e mando o cão cobrar, nada, mesmo nada, começa a ficar nervoso, a zona era minúscula o pássaro tinha de ali estar, viramos tudo eu e o cão e nada, com o pensamento que estava para ali debaixo de uns quaisquer paus, abandono a custo aquela pequena mancha para ver outra a uns 50 metros, nada, nada de Galinhola, vou então para outra mancha mais distante, ouço o Beeper, acerco-me do cão e a Galinhola sai completamente tapada, vejo-a apenas numa nesga, atiro mas nem lhe toco. Seria a mesma pensei, decidi fazer o lógico ir ver dela à mancha pequena onde tinha errado um pássaro, pois se fosse a mesma apostava que lá estaria novamente, e estava mesmo, saiu larga ainda atirei mas não lhe toquei! Respirei fundo, tão fundo quanto consegui, engoli em seco e lá continuei.
Pouco depois BEPP. BEPP…BEPP acerco-me do cão e fico a uns 20 metros de frente para ele, ele nem mexia, e ouço por trás de mim o típico pá, pá pá, viro-me e atiro, o pássaro manda-se para o chão, achava que a tinha chumbado, virei tudo e novamente nada. Mais uma forte golfada de ar para acalmar e decido ver uma mancha ali ao lado, novamente o beeper a tocar e o pássaro desta vez a sair para cima de mim, rodou em cima de mim e foi em frente, abatida facilmente, cobrada e respirava então de alívio, estava contente, 2 pássaros novos em vários belos momentos.
Perto dali, junto a uma vedação, o veron pára, toca o beeper, guia, pára, guia e guia, pára, eu sempre pelo caminho junto à aramada o Veron pelas estevas mas perto do caminho, cada ver que parava eu servia o cão e ele sai-a novamente a guiar, até que o pássaro levanta e roda para trás já do outro lado da aramada, larga atiro e abato-a ao primeiro tiro tive de saltar a rede e mandar o cão cobrar pois não a tinha visto nem sair nem cair, mas rapidamente o Veron vem com ela na boca. Que lance pensei, confesso que estava convencido que fossem perdizes, pois a guia foi larguíssima, mas não, tinha mesmo o bico comprido, estava sem palavras, as mãos ainda tremelicavam, são estes lances em galinholas de final de época que nos fazem ficar viciados nesta caça!
os Amigos também eles tiveram uma jornada em cheio com vários levantes, muito cantaram os Beepers hoje!

Faruck ao rubro!

Sábado com o Faruck, os lances iam-se inesperadamente sucedendo, logo ao sair do carro um pássaro já velho conhecido, errada pela primeira vez na semana do Natal, depois disso, já por várias vezes parada quer pelo Faruck, quer pelo Veron e, mais uma vez esta Galinhola foi mais forte, mais astuta, conseguiu sair antes de eu me acercar do cão.

Pouco depois uma outra velha conhecida, parada e errada a primeira vez com o Faruck, errada duas vezes em jornadas diferentes com o Veron, e sábado errada mais uma vez, parada novamente pelo Faruck, saiu antes de me ajeitar e complicada, voltou novamente ao mesmo local do primeiro levante, foi novamente parada precisamente no mesmo sitio, saiu sem eu conseguir atirar e foi depois parada pelo Faruck num cabeço mais à frente, mas já ia a levantar larga e a tapar-se, mas desta vez fui melhor, finalmente! Não me esqueço deste pássaro, pelos maravilhosos momentos que me proporcionou durante inúmeras jornadas ao longo de um mês, são estes pássaros que não esquecemos e, que por vezes até nos faz pena abater, é estranho, é um misto de felicidade com um quê de pena e súbita nostalgia, qual uma criança que depois de lentamente saborear um corneto sabe que o melhor está no fim, o bico do cone com chocolate mas, esse é o ultimo bocado de prazer, aqui é idêntico, fica uma sensação estranha.

Pouco depois um outro pássaro parado, seguiu-se uma guia magnífica e ela ia a pés eu sabia, acabaria por me sair tapada pelas costas, dei novamente com ela, novamente o Faruck a parou e novamente eu a errei, saia sempre tapada, depois disso não mais a vi!

Vi sim um outro pássaro, onde o Faruck pega no rasto até a parar num matou fechado com umas árvores, saiu para cima e facilmente abatida, um lance rápido.
Ainda dei com outra num pequeno eucaliptal, onde o beeper não se cansava de tocar, até ao ponto de me baixar para agarrar numa pedra e lanças ao pássaro, não o cheguei a fazer, pois quando me baixo ela sai, direita ao sol e encandeado erro-a, sem perceber para onde foi, assim acabava a jornada de sábado com lances e mais lances carregados de emoção!!!



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Caçador de Galinholas.

Podia-se pensar que ser caçador de Galinholas é algo simples, fácil qual se vê nos filmes dos recentes e inovadores canais de TV por cabo, um bosque magnifico de carvalhos com folhas douradas caídas no chão a contrastar com o típico musgo que se alapa a velhos troncos que jazem daquele canto criteriosamente esculpido por uma linha de água que teimosamente passa por ali, ladeado de belos fetos, um local que de tão belo nos parece ter sido desenhado por um arquitecto paisagista, onde uma galinhola encaixa tão bem como a cereja no topo de um bolo, um Setter deitado, um levante, um tiro e a imaginação do mais naif dos caçadores bem repostado no sofá a fazer contas do que poderá fazer depois das perdizes fecharem em finais de Dezembro. Terrenos belos, fáceis, com muitas Galinholas é algo distante, muito distante, especialmente um local nosso, só nosso, onde um pássaro errado pode sem dúvida com sorte e persistência ser abatido numa outra jornada, num lance tão válido e belo quanto se exige a um cão de parar, isto é bonito, isto é que transparece nos filmes, isto, isto não é a nossa realidade! A realidade portuguesa na caça às Galinholas é distinta, ser caçador desta bela e nobre espécie é duro, os bosques de carvalhos são poucos e na maioria despidos de Galinholas, estevas, quanto mais velhas melhor, melhor para o pássaro, pior para o caçador, tojo, muito tojo, onde estranhamente a ave se sente tão bem como num magnifico e aconchegante tapete de fetos em França, aqui é duro, terrenos dobrados que nos dobram a alma, cães magníficos, trabalhadores, com carácter e convicção fazem um trabalho que muitos lá fora achariam bárbaro e louco.

O que é então necessário para ser um bom caçador de Galinholas? Dinheiro, Será? Não creio, ajuda, sim é claro como em tudo na vida, mas não é o essencial! Um cão? Não chega, ajuda mas não é tudo, sozinho não é quase nada! A meu ver o principal para ser um bom caçador de Galinholas é ter uma imensurável paixão por esta caça, só com paixão é possível fazer jornada após jornada à procura de uma ou nenhuma galinhola, debaixo de chuva em estevas cerradas e que apesar de não chover, têm tanta água que, com roupa seca acabamos todos molhados, quedas, vergastadas de estevas nos olhos, silvas na cara, pescoço e mãos, que aparecemos no trabalho à segunda-feira e acham que fomos assaltados por um gang perigoso.
Ser um caçador de Galinholas não é difícil, basta comprar um cão, e matar uns pássaros. Ser um bom caçador leva alguns bons anos, para entender as técnicas, conhecer os cães e saber interpretar os seus movimentos, ganhar laços e darmo-nos a conhecer ao nosso companheiro, aprender a posicionarmo-nos nos lances, saber ler o terreno, saber antecipar o pássaro, saber o seu comportamento e o que vai fazer, independentemente do terreno, saber onde entram primeiro, onde se colocam depois, cresce-se com os anos, cresce-se com os cães, cresce-se com os erros mais do que se cresce com as vitorias, menos que isto são historias. Como alguém uma vez disse, “Inicio de Novembro e já começaram a mata-las, começaram cedo este ano!” e a resposta foi “Não! Este ano começaram foi a mentir mais cedo!!!”
O que é então um Bom caçador de Galinholas? É o que abate mais? Não! Longe disso, é o que liberta adrenalina por cada poro em cada lance do cão, é o que num sítio com poucas, mata uma ou nenhuma, mas soube aproveitar e tirar prazer do que viveu, é o que sente os dedos a tremer agarrados ao fuste a cada levante, é aquele que, jornada após jornada chega a casa com os lances na cabeça e com vontade de voltar, mesmo sabendo que provavelmente nem vai ver nenhuma, mas vai com a esperança de haver um cantinho que não foi visto e que pode até ter lá aquele pássaro que nos dará tão extasiaste momento, este caçador que sai para o campo com esta convicção é que a meu ver é, o genuíno Caçador de Galinholas!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Galinhola Kamikase


Se uma imagem vale mais que mil palavras, um filme vale ainda por mais, aqui fica um dos mais belos lances da época, protagonizado pelo Veron. Uma Galinhola abatida ao segundo levante, pois já tinha sido parada momentos antes, onde eu de joelho em terra para a poder ver sair a erro com 2 tiros, mas o Veron rapidamente mete-ma novamente a tiro, só que desta vez quase que me entra pelo cano a dentro, pois saiu direita a mim rodando a não mais de 2 metros de mim, abatida e cobrada prontamente.


Pouco depois um lance novamente de insistência do Veron, onde eu, estupidamente, por achar que tanta paragem e tanta guia, era demais para uma galinhola desliguei a câmara e logo de seguida ela sai e é abatida muito longe ao primeiro tiro. Pena não ter filmado o lance completo, mas fica mais uma jornada para recordar, com lances lindíssimos e um cão cada vez mais forte e seguro nas Galinholas.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Com muita emoção.

É com emoção que relato aqui os lances de mais uma jornada, uma jornada intensa repleta de lances lindíssimos, de atascanços com o carro a galinholas erradas esta jornada teve de tudo.
O calor destes dias fez-me levar os 2 cães, para caçar como sempre apenas com uma de cada vez, mas para poder trocar de cão a meio da jornada.
O Faruck foi o primeiro a sair do carro, pouco mais de meia hora e tinha a primeira galinhola parada, que me saiu a não mais de 2 metros dos pés, a manhã gelara-me os dedos e os movimentos, errada de forma tão ingénua que ainda hoje estou parvo com tremendo falhanço, felizmente que aprendi a controlar-me, a não me deixar afectar com estas situações inerentes ao acto, afinal errar é humano e eu não sou diferente. Desculpas, pois a verdade é que aquele pássaro deveria ter caído!
Era hora de continuar, procurar um outro pássaro, pois aquela tinha-se evaporado! Num eucaliptal despido, novamente o Faruck parado a uns 40 metros de mim mesmo à minha frente, o pássaro estava entre os dois, saiu-me perto a um metro do chão, teve a inteligência de se encobrir com o cão, passou-lhe mesmo por cima, a não mais de meio metro dele, um tiro no pássaro era um tiro no cão, pelo que, lá foi mais uma, engoli em seco, descarreguei-lhe não os meus 2 tiros mas o meu alargado reportório de calunias, mas agora a frio, tiro-lhe o chapéu, foi mais forte, foi mais inteligente, pois fez do cão o passaporte para a vida!
Era tempo de ir ver de um pássaro que tinha errado no dia de Natal, não estava no sitio mas, 100 metros à frente o Faruck fica parado, sai no rasto, uma eternidade, hora para, hora guia, demasiado tempo, demasiado para um cão comum, não para ele, a cauda, como uma caneta especial escrevia-me o que o nariz dele sentia e o que ele por palavras não me conseguia transmitir. Conheço-o como me conheço a mim, a ligação é enorme, somos uma equipa, confiamos um no outro, sabemos ler os movimentos, sabemos o que cada olhar significa, é esta parceria que nos dá os resultados que temos tido ao longo destes anos. O pássaro estava ali, ele sabia, eu sabia, era uma questão de tempo, parada mais uma vez no final daquela pontinha de mato, saiu-me entre os dois ciente do que a esperava, aí estava a primeira da manhã, num lance de insistência do cão em que eu desta vez aproveitei ao máximo.
A não mais de 50 metros o beeper toca novamente, acerco-me do cão, ele guia, e fica novamente parado, a cauda a mexer em câmara lenta dizia-me tudo, está aqui mas vai novamente a pés, e aí está mais um pássaro no ar, dei-lhe no primeiro tiro, e meto-a no chão com o segundo, cobrava assim o segundo pássaro da manhã, que lance, que lance dizia para mim mesmo, o cão, bem o cão seguramente que sentia a mesma emoção que eu, felizmente que este ano consigo colorir estas palavras com alguns pequenos filmes e este foi um dos que consegui filmar, e como uma imagem vale mais que mil palavras, aqui fica o lance.

Ainda tive mais uns bons pássaros parados, uma outra errada, a sair tapada e uma parada pelo Veron do lado contrario dum arame, abro a arma e coloco-a no chão, salto o arame e assim que meto os pés no chão ela levanta, completamente a tiro, pena, seguiu apenas mal tratada pelas minhas rudes palavras, abatida hoje ao segundo tiro no mesmo local parada novamente pelo Veron, num lance que deu para tudo.

Mas naquele dia ainda acabei mor abater uma mais com o Faruck, num lance de inteligência minha, pois o cão vinha a guiar e a parar em direcção ao final da mancha e eu corri pelo caminho para a apanhar quando levantasse na ponta, foi o que aconteceu, o cão parou-a e ela saiu para onde eu pensava e foi facilmente abatida.

Vários pássaros, diversos levantes e momentos emocionantes , são estes momentos que procuro viver, são estes momentos que nos fazem sair ao campo.

Estudo Italiano sobre Galinholas.

Este é um estudo Italiano sobre Galinholas com informações e dados muito interessantes.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Mais Veron!

Novamente a caçar em terrenos conhecidos onde, a forma de pisar o terreno era inevitavelmente diferente, desta vez a escolha recaiu sobre o Veron, o Faruck tinha ido a este local na vez anterior, onde tinha feito uns lances magníficos.
A volta foi a mesma e, à semelhança da vez anterior o Pedro exactamente no mesmo local não iniciou a jornada com um abate, porque errou um pássaro, caso contrário seria uma fotocópia da outra jornada.
Em pouco tempo tínhamos avistado duas Galinholas, uma delas de levante larga aos cães que viria a ser errada pelo nosso acompanhante a fechar a jornada.
No preciso local onde o Faruck fez a paragem junto ao lavrado o Sr. que nos acompanhava erra uma Galinhola que lhe sai aos cães. Parada e trabalhada pelo Veron um pouco mais à frente, que espirra ao sentir-se encurralada pelos cães, era o meu primeiro abate.


Seguia-se uma zona que queria muito ver com outros olhos, já que da última vez tinha feito uma breve e rápida passagem e ainda assim tinha visto um pássaro, rapidamente o Veron fica parado, a Galinhola sai tapadíssima sem dar chance de tiro.
Não tardaria muito que ouvia o beeper cantar, acerco-me do cão e pouco depois, a Galinhola, qual Ícaro voava direita ao sol, fiz um tiro ao sol não ao pássaro já que, com a intensidade luz da manhã não a via, depois, apenas vi algo a cair como que largado do imenso redondo de luz, tinha-a abatido! Rapidamente mando o cão cobrar, assim como eu também ele tinha ficado cego com a luz e não tinha visto a Galinhola sair ou cair, cobra, cobra, mas rapidamente a tínhamos encontrado.

Daqui para a frente apenas mais uma Galinhola, que me saíra, (pensando um pouco) até saiu boa, mas errei-a com 2 tiros, mas galinholas erradas fazem parte de quem anda no campo!
Uma manhã fantástica onde, com um pouco mais de sorte poderia ter feito o cupo, o Veron mais uma vez fantástico a encontrar, trabalhar, parar e cobrar os pássaros, muitas alegrias me tem dado esta época!



domingo, 25 de dezembro de 2011

Gamarras de Natal.

Esta véspera de Natal seria feita em terras de Gamarras, pois rumamos ao sul do país, onde a nossa Bela Dama assume um outro nome, aqui são chamadas de Gamarras. Os terrenos eram duríssimos, estevas velhas, demasiado velhas, tão velhas que caminhar entre elas era um exercício que punha verdadeiramente à prova a nossa convicção como caçadores e amantes desta nobre disciplina, seria preciso sofrer tanto!?
Rapidamente os beepers tocavam, servir o cão era quase impossível e, quando ao fim de demasiado tempo o conseguia-mos alcançar estes saíam a guiar, pois as Galinholas já tinham saído a pés, os cães novamente a guiar por dentro das estevas abertas por baixo, tornavam a para-las e, tudo começava de novo, abrir caminho por entre as estevas para servir novamente o cão, e novamente tudo se repetia, o tempo a alcançar o cão era demasiado e as galinholas já estavam mais à frente, era um ciclo vicioso e andava-mos nisto, até porque os pássaros teimavam em não levantar e meter a cabeça de fora.
Já numa encosta fechada, perto de uma linha de água que era acompanhado no seu percurso por um serrado silvado, o Veron fica parado, o beeper toca, como estava perto de mim consigo chegar-me rápido a ele, uma curta guia e novamente parado, o coberto de arvores era tal que tinha um tecto de arvores, a galinhola arrepia para o ar, tentando sair, um tiro rápido e instintivo deita-a por terra. O Pedro já a frio conta-me que o lance tinha sido lindíssimo visto do outro lado da linha de água onde ele se encontrava, pois tinha visto a galinhola a sair sobre copa das árvores o sol da manhã tinha dado um brilho fantástico às penas, viu-a também cair de asa aberta após o meu disparo. Um cobro algo difícil mas eficaz, o Pedro gritava “agora só de Retroescavadora para a cobrares” mas este lance valera o esforço de uma época! A primeira estava feita, sacada a ferros num terreno duríssimo que nos tirava o chapéu vezes sem conta, que nos atirava ao chão demasiadas vezes e, consciente disso rapidamente percebi que, um abate ali seria algo muito complicado e difícil.
Lances atrás de lances no desenrolar da jornada, era mais do mesmo, quer para mim quer para o Pedro, que a custo tentava servir a cadela sem sucesso.
Numa zona alta do couto o Pedro tem a cadela parada numa pontinha de estevas baixinhas rodeadas de pasto verde, a Duska manda-se para o chão, o Pedro mete-se na frente da cadela com a incerteza que seria uma Perdiz ou uma Galinhola, pois naquela zona era o mais obvio uma Perdiz, mas sai-lhe uma galinhola das costas, estava parada pela cadela a uma distancia que o Pedro não imaginava e, ele julgando que se tinha posicionado com a Galinhola entre ele e a cadela, não percebera que era ele que tinha ficado no meio, um tiro estranho e lá foi ela.
Uns metros mais a cima o Veron pára num bico estreito de estevas eu, consciente das dificuldades, passo pelo cão e coloco-me de frente para ele no outro lado do bico de estevas que não tinha mais de 3 ou 4 metros de largo, para não ser mais do mesmo e, para a Galinhola não ir a pés já que as estevas logo ali alargavam montanha a baixo, atiro uma pedra para o meio da mancha, o Veron ao ouvir a pedra a bater nas estevas, dá dois passos à frente, a Galinhola, pá pá pá pá, a bater asas nas estevas e a sair por cima a tentar encobrir-se mas abatida ao primeiro tiro, um lance de fazer tremer e duas Galinholas abatidas num terreno verdadeiramente duro, pelo coberto, pelo terreno com uma urografia que desafia a gravidade e pelas Galinholas que ali, mandam elas!
Este foi um dia duro, difícil, mas emocionante coroado com dois abates complicados mas que valiam muito, pois estas duas mostravam que, somente malucos e apaixonados por esta caça se expunham a tanta dureza para caçar tão bela ave.



Aqui fica uma amostra do que se passou a jornada toda.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Um dia daquelas.

Mais um dia novas expectativas, um novo local com novas esperanças, a manhã apresentava-se mais fria que o habitual, um nevoeiro gelado tinha-se instalado num belo cenário de montado e estevas altas, a zona prometia, como se diz os olhos também comem, pois bem os meus ficaram saciados, pois o aspecto do couto ao percorrermos os seus caminhos era simplesmente lindíssimo!
Fomos acompanhados por um Sr. Que já conhecia bem a zona, onde nos indicou os locais onde deveríamos caçar, o Pedro rapidamente mata a primeira da manhã, mesmo ao início da mancha. Eu ia olhando para o terreno, vendo se havia algum ponto mais querençudo, mas era tudo muito idêntico.
Uma ou outra Galinhola ia-se levantando ao Pedro que, tinha ficado com o alinhamento dos pássaros. Numa zona aí sim típica de querença, num pico de mato junto de um lavrado o Faruck fica parado mesmo no início da pequena mancha, acerco-me rapidamente do cão, o pássaro controlado pelo cão, saiu para onde eu imaginava, abatida num tiro fácil, um lance lindíssimo do Maestro! Pouco depois o nosso guia levanta outra que não lhe deu tempo de atirar, trabalhada pouco depois pelo Faruck e errada por mim, saindo-me tapada.
Tive ainda um lance bonito do cão, mas a Galinhola sai para cima do companheiro, tive de a deixar rodar mas quando já não havia perigo no tiro já ela estava tapada, ainda atirei mas nada, foi pouco depois abatida pelo nosso guia. Um ou outro lance ainda surgiu mas sempre tapadas e complicadas, no final o Pedro abateu 3 galinholas eu uma e o guia outra, num dia de vários levantes, onde o Faruck voltou a ter um papel fundamental.