segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Diário de um Becadero. 2008/09 parte 2



15/16 Nov. 08

Fim-de-semana penoso.

Marcado um fim-de-semana inteiro para vasculharmos uma ZCT, o pretexto era ver se tínhamos interesse em ficar com as Galinholas dessa Herdade.
Com cães e mulheres rumamos ao Alentejo para caçarmos e passarmos 2 dias.
A zona era essencialmente de estevas e montado, pouco, pois as árvores aos poucos e devido à doença dos sobreiros têm vindo a ser cortadas.
Já na Herdade as expectativas caíram a pique, não pelas condições da herdade, mas sim pelas condições meteorológicas, o carro ao passar, em vez de patinar em caminhos enlameados pelas chuvas devidas, deixava atrás de si um rasto de pó tão grande como a minha fraca expectativa em ver ali naquele dia algum pássaro de bico.
Começámos a caçar nas encostas mais sombrias de Estevão, demasiado fechadas mas com condições de meter um ou outro pássaro, os cães coitados sofriam para conseguirem caçar numa zona tão áspera.
Eu tentei colocar-me no lugar de uma Galinhola e pensar como elas e, comecei por uma zona que me parecia mais apropriada para ter um pássaro, o cão sem chocalho lá ia lutando com estevas bem maiores que ele, pouco depois levanta-se uma, larguíssima sai para trás junto a uma pequeno vale, sem sequer o cão a ver ou sentir, longe, longe, o pássaro que até hoje se levantou mais longe, demasiado áspera, arraçada de perdiz talvez.
Como a mancha acabava ali perto decido deixa-la sossegada e continuar mais um pouco, procurando por ela na volta.
No regresso recebo uma mensagem com uma foto de um pássaro, o Jorge tinha morto uma. Eu tinha uma ali á minha espera, mas tinha de ir ao carro dar água ao cão e eu próprio beber água. Já no carro combino com o Jorge ir-mos lá ver da minha que andava a monte, trocamos de cães, pois aqueles que já tinham saído estavam derreados.
Ela estava ali perto, ao delinearmos a estratégia num cruzamento de um caminho da herdade, vimos a Galinhola a levantar sozinho a uns 200 metros de nós, impressionante, como era áspera aquela Galinhola, ainda tentamos mas não a vimos.
A partir daqui nada mais teve grande história, apenas umas codornizes paradas pelo Faruck e um ou outro Javardo enorme que vimos passear-se indiferente a cães e caçadores.
No dia seguinte acordamos com um telefonema do Baguinho, que antes mesmo de termos tomado o pequeno-almoço, já Baguinho ofegante mas em tom de gozo nos dizia que tinha já aquela hora duas Galinholas abatidas, meu Deus, só me apeteceu meter de novo na cama!
O Jorge ria-se, que remédio, nós tão longe a penar e o Baguinho perto de nossa casa com 3 pássaros, mais tarde viemos a saber que ele ainda tinha errado uma terceira num lance caricato.
Certamente Baguinho é forte candidato como dizia Manél Brás, a Becadero do ano.
Nós fomos para o campo, eu pelo menos com a convicção que pelo menos aquela minha dissidente estaria á minha espera, mas não, nem essa!
Terreno duros, de muita esteva e sequíssimos, foi o que nos foi apresentado, mas que numa nova surtida mais para a frente, depois da chuva e da Conceição teremos de vasculhar com outros olhos e outras expectativas. Até lá mais caçadas noutras paragens e muita Terramicina nas patas dos cães.
A reter a boa hospitalidade e comida Alentejana, acho que vim mais gordo!



18 Nov. 2008

Mais do mesmo.

Esta pequena frase tem ditado todas as minhas ultimas jornadas em busca da Bela Dama, não sei se é caso para me desapontar, afinal não é mais do que se passou na época passada onde apenas fiz o primeiro abate dia 1 de Dezembro, esta época até ver está em todo igual à transacta. O tempo esse parece fotocopia, pouco frio, nenhuma chuva, nos países de Leste da Europa demasiado encalorados para que os pássaros se metam ao caminho, todas estas condições reunidas são o bastante para que seja certamente um época fraca, onde os pássaros se vão dispor em zonas menos habituais.
Francamente as minhas expectativas para esta jornada não eram as melhores, apesar da zona de caça ser a nossa melhor zona, onde muitos de nós fizeram o maior número da contabilidade final. Não estava muito confiante, para dizer a verdade não estava nada confiante numa jornada com abates. A madrugada começava com o vislumbre de um pássaro que na hora típica se cruzou comigo na estrada, ela vinha talvez a chegar de uma viagem longa, eu ia agora ao encontro de algumas companheiras suas de viagem.
A jornada começava esta época no mesmo local que começamos a anterior, onde há 1 ano também na abertura um companheiro tinha abatido 3 pássaros, mas infelizmente, ou não, na caça não há dois dias iguais.
O terreno seco transmitia-nos a certeza que ali não deveria estar pássaro nenhum, apenas pombos, muitos pombos que ao deixarem as árvores nos davam a sensação de uma Galinhola a levantar, aquela sensação que já me faz falta.
Zona após zona, tudo batido minuciosamente sem a presença de qualquer Galinhola, decidimos então mudar de mancha. Era hora de ir ao local que baptizamos como o “tem Sempre” a que eu e o Carlos chamamos o “cantinho do Faruck” pois ali naquela pequena mancha sempre vimos Galinholas e também ali vá-se lá saber porquê o Faruck dá largas á sua Paixão e inventa pássaros, desta vez não foi muito diferente, o Cantinho mágico uma vez mais não nos defraudou e fez jus ao nome que lhe demos, assim como o Cão, parecia saber onde pisava, dava a entender que conhecia todos os recantos, todos os sargaços, que tratava todos os chaparros por tu. Entra na melhor parte da mancha e descai à direita, rapidamente ou melhor a galope forte e convicto como lhe é característico faz uma linha recta direito a um pássaro, parecia que já sabia onde este se encontrava pois fez uma busca recta, directa e sem hesitação até ficar parado com a sua primeira Galinhola da época, mas um pássaro talvez recente num terreno seco não quis esperar que me acerca-se e ainda antes do primeiro cantar do Beeper levantou á frente do cão, que impávido e sereno ficou a vê-la ir, movendo só a cabeça acompanhando aquele gracioso movimento de asas. Não mais demos com ela, evaporou-se.
Um almoço farto com leitão de Javali, escalopes de Veado, acompanhado de bons queijos e regado com bom tinto e as inevitáveis histórias de outras jornadas foi o ponto alto de uma jornada fraca de pássaros.



20 Nov. 2008

Deu para tudo.

Realmente esta manhã curta de caça deu para tudo, finalmente a Dama Brindou-me com a sua presença de uma forma digna, 2 pássaros e uns tantos lances e uns quantos cartuchos vazios foi o bastante para sentir aquela adrenalina pura que só a Dama me transmite.
A volta foi a do costume, entrámos na mancha, Eu á direita o Jorge á esquerda, de forma a batermos a zona o melhor possível, pouco depois de entrarmos na mancha vi sair uma Galinhola larga e, foi o bastante para começarmos a jornada com outro animo e uma outra certeza, pelo menos um pássaro estava lá.
Decidimos ir ao encontro dela, sabia-mos que não poderia estar muito longe, pois as manchas devido a um grande desmate feito no verão, ficaram reduzidas o que nos facilitava um pouco a tarefa, pouco depois ouço o cantar do Beeper, o Faruck estava parado, novamente aquela sensação inexplicável de ouvir aquele som, a melhor forma de o descrever quando o ouço, é iguala-lo ao cantar de uma sereia chamando a si bravos marinheiros que, incapazes de dizer não encurtam o caminho para chegar o mais breve possível ao som do encantamento. É assim que eu me sinto quando ouço o Beeper tocar naquele Mar de pinhal. Apressei-me e corri levando á minha frente tojos e urze como se nada pudesse intrometer-se entre mim e o cão, mas ainda assim não foi o suficiente, ela já tinha saído novamente a pés, o cão esse não se deixou abalar por isso e continuou no seu galope forte na rebusca do pássaro, algo onde ele é bastante bom, em encontrar pássaros depois de levantados. Mais á frente por estupidez minha ou talvez por estranhamente não estar ali naquela hora e andar no campo a pensar em tudo menos no pássaro deixei o cão sem apoio fazer um rasto no final da mancha, junto do corta fogo, sabendo á partida que só podia estar ali e que iria pela zona que estava levantar e, assim foi, levantou mesmo para desta vez não a vermos mais.
De regresso ao carro o cão pelo aceiro fora fica parado num pequeno caminho que cruza o terreno, eu corro mas ainda sem o beeper chegar a tocar levanta outro pássaro, que atiro por descargo de consciência, mas errei-a inevitavelmente, chamo o Jorge e com ele decido rebuscar este pássaro, tinha noção onde ele poderia estar e estava, o Aron o Braco novo do Jorge pára-a, ela sai como ele costuma dizer quase tipo borboleta, e eu a ver tudo vejo o incrível, ele a errar aquele pássaro. Depois novamente Faruck de nariz no chão a fazer o rasto como ele bem sabe, com uma rapidez incrível, eu conhecendo o cão apenas digo ao Jorge, ela vai á frente do cão e vai levantar, assim foi, levanta numa pequena descida e eu atiro por medo, alto, pois o cão correu atrás e tapou a ave, o Jorge também a erra. Novamente o Faruck no mesmo enfiamento faz mais do mesmo, mas ela já devia ter levantado novamente, fui dar com ela na ponta da mancha, na zona mais normal e onde teria de estar, eu estupidamente deixei novamente o cão sem apoio, ele fez o trabalho dele, no rasto entre um rebuliço de tojo, ela levanta sem eu esperar e roda para trás, fiz 2 tiros pedindo a Deus que fizesse ali mesmo um milagre, mas o Deus do pássaro era mais poderoso que o meu, erro-a pela terceira vez, por culpa minha, pois devia ter apoiado o cão e da forma como saiu se tivesse eu a trabalhar em equipa ela tinha caído ali! Mas há dias em que não estamos com a cabeça na terra.
O pássaro acaba sim por levantar perto da calibre 20 do Jorge que finalmente a manda ao chão. Estava gorda e pela forma como fez a faena era pássaro que já tinha chegado á algum tempo, nenhum pássaro novo no terreno nos ludibria daquela forma.
Mais pelo cão que pelos abates, mas hoje não era dia para eu matar pássaro, quando a cabeça não acompanha o corpo não vale a pena, apenas o cão me deu mais uns momentos daqueles especiais, daqueles capazes de me libertar um pouco, fiquei contente pelo Jorge que teve nesta manhã a primeira paragem do Aron a uma Galinhola, aos poucos começa a fazer os cães novos, nesta fase isso é importantíssimo!



23. Nov 2008

Simplesmente magnifico.

Por vezes não há palavras para descrever aquilo que sentimos em determinados instantes da vida, por vezes uma simples sensação vivida por um Homem contém tamanha intensidade que se torna de difícil descrição. Sem saber se conseguirei descrever uma manha de Galinholas, vou pelo menos tentar relatar á minha maneira os lances e acontecimentos tão intensamente vividos por dois Amigos becaderos.
Pouco passava das 6.45h, hora combinada com a devida antecedência com o meu companheiro de caça Baguinho, já ele estava á minha espera no local do costume, apenas as nossas viaturas se encontravam na zona habitual onde deixamos os carros, era para já um bom indicio, os “Talibãs” ainda não tinham chegado, ou não vinham ou chegariam mais tarde. Depois de chocalhos e beepers colocados nos cães, farnel no colete, lá fomos nós em busca da nossa Bela Dama.
Não sei dizer quais eram ao certo as minhas reais expectativas, as jornadas anteriores tinham sido madrastas para mim, alguns pássaros vistos, alguns lances bonitos do cão desaproveitados e alguns tiros errados, tinham sem duvida deixado a moral algo em baixo, claro que não me deixo abater facilmente por contrariedades da vida, muito menos por estas simples contrariedades cinegéticas, talvez a minha grande paixão por esta caça me leve a viver as coisas de uma forma mais intensa, os lances perdidos são um drama e os concretizados de belo efeito são levados ao extremo.
Entramos na mancha pela zona habitual, eu como sempre e respeitando a vontade do Baguinho, mais velho e senhor daquele Pinhal, deixei-o escolher o lado que preferia fazer, ele á esquerda como é habitual e eu á direita, lá fomos em busca de tão belo ser.
A primeira volta seria aquela que mais promessas nos daria, mas, embora a forte convicção do Baguinho que repetia “tem de estar aqui um pássaro” caísse por terra ao chegar-mos ao final da mancha sem nenhum levante. Por comum acordo decidimos ir em busca de um pássaro que andava a monte desde a passada quinta feira. Não demorou muito a eu ver o pássaro cruzar num voou esplendoroso a mancha, furtando-se assim ao Baguinho e seus cães que nem a viram, ouviram ou sentiram. Vi onde ela tinha pousado, estava numa pequena clareira no centro de uma mancha de espinhosos Tojos, chamo o cão, o coração bate, sabia onde estava um pássaro que não me vira. O cão da um toque, levanta aquela cabeça tentando perceber de onde vinha a emanação, pois ela tinha pousado repentinamente e por ali não havia rastos, apenas uma ténue emanação dissimulada pela ausência de vento mas que o cão começara a captar, ela senhora daqueles terrenos, sem demora levanta-me já nas costas, saiu tapada por um pinheiro que naquele dia se sentia o guardião da Dama, mas que por minha fortuna não foi capaz de a defender de um tiro da minha bela Justaposta, a Dama tomba, o cão depressa corre para cobrar, uns segundos intermináveis e o cão sem dar com ela, começo a desesperar e chamo o Baguinho para me ajudar a desvendar o enigma, onde estava a minha Dama? Finalmente o Faruck começa a remontar direito a um rebolo de tojo, ela caíra dentro do tojo, o cão fez um trabalho magnífico para cobrar a minha primeira Galinhola da época. Baguinho como sempre felicita-me com um aperto de mão sentido, selando ali o lance.
Decidimos então ir numa outra direcção, em busca de outros terrenos que talvez albergassem nas suas entranhas um ou outro pássaro.
Fomos pelo caminho mais curto, eu ia como sempre maravilhado a ouvir as histórias do Baguinho, histórias de lances e de tantos pássaros ali abatidos, quase todos os cantos têm uma história, quase todos já tiveram um pássaro, quase todos têm, mesmo sem se ver o nome do Baguinho ali gravado. Não ia-mos a caçar, ia-mos até por um caminho discreto no meio do pinhal, eu, despreocupado e entusiasmado pelas historias que ia a ouvir nem estava a ligar ao cão, que pouco lhe importavam os contos do meu amigo, tinha sem duvida mais interesse nos pássaros de bico. Ouvimos os 2 um único toque do beeper, rapidamente olhamos para trás e ali perto o cão tinha parado um pássaro que saira ao beeper, incrivelmente para cima de nós, atiramos e cai a um disparo meu, que facilidade este abate, estávamos incrédulos, porque teria o pássaro saído para cima de nós e não para o lado contrário? Mais um enigma que rapidamente desvendamos, um “Talibã” estava no outro possível caminho de fuga, optando ela então por nos sair pelas costas, “talibã” este que levava pendurado um coelho e uma Galinhola presa pelo bico, não havia ali emoção nem respeito pela Dama, mas compreendo, nem todos têm de ter a mesma paixão que nós.
Baguinho sem mostrar qualquer indício de inveja ou desapontamento por não ter nenhum pássaro abatido pergunta-me onde eu achava que deveríamos ir?
Eu apenas tinha em mente uma pequena franja de Eucaliptal que me trazia boas memórias, com tão bom aspecto que na minha cabeça já imaginava mais um lance para um de nós, Baguinho hesitante lá aceitou a minha proposta, mas não sem dizer ao chegar á zona “detesto caçar nos Eucaliptais, isto não e próprio do pássaro” felizmente mordeu a língua, Rafael começa a remontar no local mais querençudo e vejo uma Galinhola sair á frente do cão e, já tapada Baguinho consegue um tiro certeiro de belo efeito. Seguiram-se as felicitações e instala-se um novo ânimo no companheiro. Não nos metemos ao caminho sem antes eu lhe dizer, “então eucaliptais não prestam…” como que intrigado responde-me “pois é Amigo Jorge, tinha razão!”
Decidimos ir dar água aos cães numa nascente escondida mas sempre útil, pelo caminho tivemos ainda um pássaro errado a meias que se evaporou.
Novamente um feeling meu, “Baguinho vamos fazer o lado contrário, pois ainda não o fizemos este ano!?” em consenso lá fomos, ainda bem que estava em dia de palpites certeiros, pois numa zona de mato alto, ladeada por fetos onde o Baguinho dizia “aqui é á francesa” porque em França se matam muitos pássaros nos fetos. O Rafael indiferente a cenários faz como sempre o seu trabalho, e pára uma Galinhola, desliza novamente, sinal que esta ia a pés e, volta a parar, pássaro no ar e um primeiro tiro errado, um segundo mal dado e um terceiro e ultimo para rematar e segurar o pássaro, Baguinho respirava fundo, eu no alto de um caminho apreciava o lance, um pássaro enorme e gordo, estávamos agora em igualdade, era merecido!
Decidimos então mudar de zona, dou um bocado de bolo mármore ao cão, um pouco de açúcar ajuda a recompor, pois tanto calor, pouca água e tanto terreno de tojo fortificado rebentam com qualquer cão, o Faruck estava também ele a desfrutar da jornada, cada vez que apanhávamos um corta fogo ele corria alegre, com aquele galope de cervídeo, saltitante demonstrava o seu contentamento. Mas o maior contentamento foi o meu pouco depois. Vejo o cão a remontar e a ficar em mostra, acerco-me dele e o beeper toca, o cão a dar ao rabo em câmara lenta dizia-me que o pássaro estava em movimento, um breve deslize de não mais de 1 metro e uma paragem firme, ela estava agora controlada, escolho a melhor posição e pouco depois o pássaro sai, como fundo a banda sonora do beeper e do meu próprio coração, um tiro certeiro e finava ali um lance que só por si valia a manhã, um lance que fazia valer a pena ter, treinar e cuidar 9 meses dos cães para apenas desfrutar com eles uns curtos 3 meses de caça.
Baguinho, mais acima apreciava o lance na sua totalidade, uns sinceros parabéns romperam o meu estado de euforia. Muita estética, beleza e firmeza, tinham transformado aquele lance em algo sobrenatural, algo impossível de descrever na sua mais pura essência, mas que me deu anos de vida!
Nada poderia terminar de outra maneira, sem que Baguinho tivesse também ele, o seu lance capital. Pouco menos de 50 metros, levantam-se 2 pássaros em simultâneo, um cai ao chão num único tiro certeiro, o outro pousa mas rapidamente é levantado pelos cães, Baguinho num momento de puro desportivismo aponta a um pássaro que lhe sai completamente á morte e, sem atirar diz, talvez ao pássaro, talvez à sua consciência, “não atiro, já tenho as minhas 3!” e num gesto de magnifico civismo e respeito pela Dama baixa a arma.
Um gesto que lhe dá junto com tudo o resto a faixa de “Becadero do Ano!”
Sabendo onde se encontrava a Dama, decidimos ir para o carro pelo aceiro mais proximo, para que os cães não importunassem mais nenhum pássaro! Afinal é para nos divertirmos não para chacinar.
Uma manhã produtiva, repleta de emoções, com a habitual dureza de terrenos ásperos que apenas estão disponíveis a cães especiais que jamais serão sepultados nas nossas memórias.



25 Nov. 2008

Á base de porco!

As minhas expectativas de um dia produtivo eram realmente fracas, sinceramente não pensava em mais do que acabou por acontecer!
Começámos a caçar numa zona que sinceramente não gosto, a zona tem o sargaço seco e demasiado fechado e algum pasto, havendo tão perto zonas com melhores qualidades, dificilmente uma Galinhola se enfiava ali! Aliás nunca ali matamos ou vimos uma Galinhola, o que me leva a não compreender as opções do grupo, mas em democracia as coisas funcionam assim, temos que respeitar a vontade da maioria, claro que aceitei a decisão sem o mínimo rancor e cacei com a habitual vontade como se estivesse num dos melhores locais da herdade. Inevitavelmente perdemos ali muito tempo sem ver um único pássaro!
Mudámos então de zona, para outra que também não me seduz. Aqui foi tudo á base de Javali, o Carlos logo de entrada teve o Prim parado com um enorme porco, que ainda deu uma cabeçada no cão, eu apenas ouvi o estrondo do encontrão e o ganir do cão, a navalhada foi mesmo de raspão tirando apenas o pelo da perna traseira, de uma forma tão perfeita que trabalho assim apenas está disponível ás mão de um dedicado barbeiro, ou de um porco com fraca pontaria, desta vez o cão teve sorte!
Pouco depois sai-me a mim outro porco enormíssimo, assim é complicado, os cães andavam desvairados, de cabeça no ar a parar porco aqui, porco ali, nem valia a pena perder mais tempo ali, O Carlos chamava fortemente pelo Prim, que estava ali tão perto parado com mais um Porco, eu lá vi o cão, tinha um porco pela frente e o Frick atrás a patronar que por sua vez tinha atrás de si o jovem Pointer filho do Faruck de 4 meses que também patronava os outros 2 e, sai mais um porco, eu dou um passo e sai-me debaixo dos pés um pequeno javali que se passeou á frente de todos nós. Assim não dava, os cães estavam estúpidos, não se fazia nada deles, cabeça no ar a ver se viam os porcos e desvairados a correr de um lado para o outro, era hora de sair dali rápido antes que houvesse problemas de maior.
Mudamos então de zona, para uma completamente incaracterística, montado despido, com uma ou outra pequena mancha de sargaço, dava parecenças a um grande mar salpicado de pequenos atóis desprovidos de vida devido ao seu reduzido tamanho. Eu pouco acreditava naquele terreno, para a lebre até era capaz, mas para Galinholas, hummm.
O Faruck como britânico que é cruzava o terreno a grande velocidade, pois a isso convidava, já no final da mancha e junto aos arames, o Faruck fica parado, o Beeper nem chega a tocar e uma Galinhola sai, estava num pequeno aglomerado de sargaço de não mais de 3 metros quadrados, que ladeava um velho sobreiro que tinha tatuado no corpo o numero 8, todos nós com os olhos tentamos seguir a trajectória até onde nos foi possível. Lá vamos todos tentar achar o pássaro, mas pouco depois foi errada pelo Mário que se apressou a dizer-nos “não devia ter atirado, ia larga” mas a caça tem destas coisa, atiramos quando não devemos e não atiramos em momentos oportunos, eu vi onde ela tinha ido e novamente todos no encalço da Dama, que se levanta novamente larga mais 2 vezes, acabando por morrer num tiro larguíssimo do Jorge, que inteligentemente tinha metido os canos de 71cm em vez dos habituais de 61 próprios para as Galinholas.
Seguiu-se um almoço rápido e em pé, fazendo de mesa o reboque do Mário, pois tínhamos muito terreno para fazer de tarde.
De tarde mais um pássaro errado pelo Carlos, que também ele dizia que não deveria ter atirado, pois esta vi eu, ia larguíssima, ás vezes quase por milagre, caem, não foi o caso, indico ao Mário que ia á minha direita a direcção dela, desta vez saiu-lhe até boa, mas lamentavelmente errou-a, assim como o Carlos que a errou vinda á frente do chumbo do Mário, esta não a vimos mais.
Mudámos então de local, para outro conhecido onde saiu um pássaro ao meu cão Frick, erro-a com um tiro algo largo e, não demos mais com ela. Se seguida o Prim para um pássaro que sai larga e acaba por morrer com um tiro largo do Jorge. Eu andava já noutra zona com a Uva, que me pára um porco enorme daqueles com crista nos costados ao género Punk, sai-me ainda um mais pequeno que deveria ser o escudeiro, mais uma vez a cadela ficou desvairada, era hora de findar a jornada.
Muito porco e pouco pássaro foi o resultado, Galinholas de levante poucas paradas e as que dão paragem, dão-no por pouco tempo. Espero a chuva com tanta ansiedade como um agricultor desesperado, espero que as cientificas e sábias previsões do Mário estejam correctas e que chova no fim-de-semana e que entre pássaro de quinta para sexta como ele prevê.



27 Nov. 2008

Muita parra e pouca uva.

Com tudo combinado com a devida antecedência com o Jorge e o Baguinho, lá nos encontrámos todos há hora e local do costume. Baguinho com o Beeper e chocalhos na mão, tinha em seu redor, Rafa e Duque, que aos saltos e a ladrar pediam ao dono que lhes metesse o respectivo equipamento para começarem a faena, digo então ao meu amigo, “ainda dizem que os cães não gostam de caçar…” Baguinho sorri percebendo o que eu dizia.
Desta vez e para ser sincero as expectativas eram grandes, a chuva que caiu nestes dias, o vento forte e gelado era grande indicio de entrada de pássaros, para bom entendedor um bom vento basta para perceber muita coisa.
O início da mancha que por norma é o melhor mais uma vez foi fraco, apenas uma levantada larga ao Jorge, que se evaporava naqueles terrenos homogéneos.
Seguimos então caminho em direcção de um outro local, como aquela porção de terreno era estreita passei para a esquerda de um caminho deixando assim mais espaço para os companheiros. Sai-me então o primeiro pássaro, largo sem sequer meter a arma à cara tento acompanha-lo o mais que posso com os olhos. Como aquela zona é enorme e toda igual tento marcar no GPS muitas das zonas onde vejo um pássaro, as vezes que vou sem o Baguinho se não for este pequeno engenho electrónico a dizer-me onde estou, ando ali perdido sem saber onde piso. Enquanto marcava um ponto no GPS naquele local, sai-me um outro pássaro precisamente do mesmo sitio onde saíra a outra instantes antes, ainda faço um tiro complicado, segurando em simultâneo a arma e o GPS, errei-a, que coisa estúpida, será que a caça tem um sexto sentido para se furtar quando os caçadores estão a comer, ao telemóvel, de calças em baixo, ou neste caso a marcar um ponto no GPS, é que histórias destas são milhares todas as épocas. Também desta vez elas se evaporaram, pássaros de entrada, recentes no terreno e sem crença, a cada levante desaparecem.
Tive ainda uma mais errada de uma forma escandalosa, nem quero recordar até me dói o estômago só de pensar! Também o Jorge e o Baguinho tinham pássaros errados, todos com as suas desculpas, o sol, o mato, o pássaro, uma coisa é simples, erramo-las!
Era hora de ir ver de uns pássaros que sabíamos do seu paradeiro, o Baguinho numa zona que cheirava a pássaro faz um abate, o primeiro do dia, a coisa estava complicada, eu pensei e disse, “estava complicado, espero que tenha quebrado o enguiço!” Baguinho radiante segurava o pássaro com as mãos ainda tremulas típicas do primeiro abate do dia.
Fomos então ver de outra que o Jorge sabia a sua posição exacta, o Faruck rapidamente pega num rasto daquela forma típica de ter um pássaro à frente do nariz, o Jorge acerca-se rapidamente pois conhece bem o cão e conhecia o local, a galinhola furta-se ao cão e sai já entre mim e o cão, passando por cima dele, atiro e o pássaro cai, quando me viro vejo o Jorge também a tirar um cartucho vazio da arma, tinha atirado em simultâneo, apenas se ouviu um único disparo, de quem era o pássaro? O Jorge deu-ma a mim, tenho a certeza que o pássaro caiu ao meu disparo, mas não duvido que tenha também levado chumbo do Jorge, mais um enigma que a Dama nos deixa em mãos.
Pouco depois oiço o beeper do Faruck a tocar, corro lá mas depressa deixo de ouvir, não por se ter calado, mas porque os cães dos companheiros ao me verem correr, acompanham-me e os seus chocalhos ali ao lado dissipavam o som mais magnifico que pode haver, olho para o Jorge e ele indica-me onde estava o cão, ainda estava parado, mas depressa desmancha e segue no rasto, percebi que já tinha saído, ainda a parou mais 2 vezes sem que eu a visse, ia de levante à frente do cão, não fomos capazes de a ver mais.
Decidimos então ir dar água aos cães pelo percurso mais curto, um caminho que corta o pinhal, juntos de arma aberta, Baguinho e Jorge a comentar a jornada, eu ao telefone, grito “olha um pássaro” quem estava do outro lado do telefone sabe da minha loucura e não estranhou, outra pessoa certamente achava-me um louco. O pássaro passara altíssima por cima de nós, Baguinho diz, “linda, linda, olha que linda” realmente magnífica, a beleza de uma Galinhola a voar alta por cima das copas dos pinheiros é algo de difícil descrição e, de difícil compreensão para quem não tem qualquer afinidade com a Dama. Pousa pouco depois na zona que eu e o Jorge julgávamos, mas Baguinho duvidava e achava que ela estava num outro cantinho. A dar água aos cães ela sai, o Jorge manda-a a baixo numa zona de complicados e velhos fetos, rapidamente mandamos os cães cobrar, que de molho na nascente saciando a sede não a viram cair. Eu pensando para comigo duvidava do sucesso deste cobro, embrenhamo-nos nos fetos incentivando os cães, o tempo passava e nada, Baguinho dizia, “já estou sem pé” pois só víamos as cabeças uns dos outros, cães para um lado, cães para outro e nada de pássaro, muito tempo e esforço despendemos a tentar recuperar aquela Galinhola, mas infelizmente sem sucesso.
De realçar algo que me deixa muitas vezes impressionado, a forma de pensar do Jorge, os muitos anos e as centenas de lances e abates, deram-lhe um conhecimento profundo sobre esta caça, sabe sempre onde procurar, sabe sempre qual a melhor zona para ter um pássaro, o que para uns é um feeling, para outros, um acaso, para ele é uma simples certeza, fruto de horas infindáveis atrás da Bela Dama.
12 levantes a pássaros diferentes e 3 abates foram o resultado da jornada, poucos lances daqueles que gostamos, com o cão em primeiro plano, ansiamos a chuva como nunca, para que os pássaros assentem e deixem trabalhar os cães até ao fim, este inicio de época está duro com muitos pássaro e poucos abates, bem dentro do espírito becadero.
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28 Nov. 2008

Que tarde, que lance.

Ainda a quente por dentro, gelado e meio molhado por fora relato aqui mais uma curta jornada ás Galinholas, bem curta numa tarde chuvosa, entre uma ou outra aberta, mas com a inevitável chuva.
A convite do Jorge lá fui fazer um fim de tarde ás Galinholas, era para ser a partir das 14.30h, hora combinada, mas começou mais tarde apenas quando a chuva nos deu tréguas.
Saímos para o campo em busca de dois pássaros avistados dias antes, saí com a Uva, desta vez deixei o Faruck em casa pois caçou ontem e levou uma coça daquelas. Infelizmente hoje eu com a Uva e o Jorge com uma cadela que já foi minha e agora é novamente dele, a Shepa não fizemos nenhum levante naquela zona.
Como já era tarde decidimos fazer uma zona conhecida ali perto, pois não tardava e metia-se a noite, pois nesta altura vem demasiado cedo.
Escolho agora o Frick para fazer o final da jornada, seguimos então em direcção de terrenos conhecidos, ali que eu, quer o Jorge sabemos onde metemos os pés. Mal começamos o Jorge relembra-me algo que eu não esquecera, uma manchazinha de pinheiros onde ele no outro ano tinha lá feito um abate, “atenção aí nesses pinheiros marcados já matei um pássaro!”, mas este ano ou para já nada havia, seguimos então deixando os carros pelas costas, separados por um caminho no meio do pinhal, cada um fazia um dos Talhões. Pouco depois ouço um disparo mais que esperado, numa zona onde também na época passada lá tinha tombado uma, o Onil fica parado e o Jorge abate um pássaro, sinceramente já contava até estranhei a demora, a zona é quente e com muita crença!
Do meu lado as coisas não estavam fáceis, não me imaginava ali com nenhum pássaro, demasiado pasto deitava por terra qualquer hipótese de ter um pássaro, mas continuei sempre com a restia de esperança de poder estar ali um pássaro de entrada que vindo de longe tenha poisado num daqueles bocadinhos mais apetitosos, infelizmente nada, filos todos e nada, mas tudo na vida tem a sua recompensa. Pouco depois meti o cão numa zona onde na época passada o Onil tinha parado um pássaro que o Jorge errara, tendo sido parada e cobrada pela cadela que agora é minha a Uva. É um bocado pequeno mesmo no final da mancha com crença, mas nada nem um rasto, restava-me agora uma zona por demais querençuda, um velho pinheiro manso que ladeia um caminho e que tem como vizinhos uns matos tão ao gosto do pássaro que senti que ali poderia estar um pássaro. Sem demoras salta uma Galinhola ao Frick que sem duvidas ia fazer um salto de peixe, mas que porque o cão correu atrás abriu um pouco mais as asas e afastou-se mais do que pretendia, chamo então o cão para fazer-mos bem o contorno do pinheiro, podia estar outra, mas não estava! Vou então na direcção que achava possível, rapidamente o Frick com aquele narizão, muito superior ao do Faruck, pega no rasto, e a galope faz o caminho por onde a Dama tinha pisado, eu a perceber e a antever o que se estava a passar, corro o mais que posso atrás do cão, mas não o consegui acompanhar, ele é muito mas muito mais rápido que eu, vejo-o a subir uma pequena ladeira e a Galinhola a sair mesmo à frente dele, o cão a tapar o pássaro não me possibilitou o tiro, digo para mim uma daquelas asneiras possantes, extravasando assim a minha raiva e angustia por não ter ainda conseguido matar um pássaro a este cão. O quanto eu queria e precisava de matar uma pássaro nas beiças do cão para ele “abrir” e pela quarta vez que não o conseguia. Mas Deus por vezes escreve direito por linhas tortas, o que se seguiu deixou-me num estado de total êxtase, estado esse que ainda me encontro. Passo então um caminho e subo um pouco uma elevação do terreno, o cão mais rápido passa para o outro lado e deixo de o ver, quando chego ao cimo, não ouvia o chocalho, vejo-o pouco abaixo no meio de uns matinhos e tojos, chamo-o ele não se mexe, percebi então que estava parado, corro e ao acercarme o cão desmancha a paragem, ela estava certamente por ali mas a furtar-se, com aquele nariz não é fácil deixa-lo para trás, rapidamente ele mete o nariz no chão e remonta até ficar novamente parado, um trabalho rapidíssimo típico de um cão de grande nariz e feito nas Galinholas, diga-se que nariz tem e muito, mas galinholas tem apenas 3 trabalhadas. Tinha agora o meu Frick ali ao meu lado parado com uma Galinhola, que imagem, que beleza, o pássaro sai entre uns pinhos e é abatido ao primeiro tiro. Ainda trémulo liga-me o Jorge que ao ouvir o tiro me pergunta pelo telemóvel, “caiu”!? Eu respondo eufórico “Sim caiu e, num lance brutal!!!”
Finalmente consegui um lance daqueles que marcam e com o canotas, nome que por vezes aqui em casa lhe chamamos por mimo, ele tinha-me dado um lance que jamais esquecerei, um lance bem trabalhado bem finalizado e de extrema beleza, pois é um cão com muita plástica e extremamente belo quando em mostra.
Obrigado Jorge!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Relatos sobre a Dama.

Este tópico destina-se aos caçadores de Galinholas reportarem as suas Jornadas com a Bela Dama, podem enviar-me as historias e fotos que queiram partilhar publicamente neste nosso espaço de amantes da ave, enviem relatos e historias, é mais uma forma de todos nós termos conhecimento de como vai correndo a época no nosso território, bem como trocarmos experiencias sobre alguns lances.
Poderão enviar os vossos relatos, Historias, opiniões e fotos para: esparguetes@hotmail.com
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(Por: Francisco Baguinho)
Domingo 16/11/2008

Após consulta de um site de meteorologia durante toda a semana, constatei que o vento norte tinha sido predominante e, como é óbvio em matéria Becadera é óptimo.
Eram perto das 7.15h quando cheguei ao local, nem queria acreditar no que via. A quantidade de viaturas, aquilo mais parecia a feira de Azeitão do que um vulgar domingo de caça.
Tratei de dar o pequeno-almoço aos meus Amigos, Duque e Rafael, se nós comemos pela manhã, também é justo que os nossos cães tenham esse direito.
Andei não mais de 150 a 200m no pinhal, topei logo uma equipa de 5 “Talibãs” acompanhados de uma recova de coelheiros, desde Podengos, outros tipo vira-latas, até meio perdigueiros etc, etc. enfim, quase parecia aquilo um catálogo dum qualquer Canil Municipal. O Rafael quando se apercebe da situação, olha para mim como que a dizer: “Afinal que vem a ser isto hoje?” entretanto digo-lhe eu: “O pá hoje nem a cor lhes vamos ver!”
Começamos o trabalho muito devagar, com o Rafael a alongar-se e vir depois de caras comigo e por duas ocasiões acusado por 2 ou 3 canicalhos dos coelheiros, o Duque como caça mais curto por ali andava, mais perto de mim. Passados cerca de 15 ou 20 minutos e por onde já tinham passado os coelheiros, o Rafael começa a guiar direito a 3 pinheiros novos, rodeados de tojo e urze, a cerca de 2 metros pára, digo para mim “algum orelhudo aí esteve” mando o cão entrar e logo de seguida saltam 2 bicudas, abato uma e a segunda pousa a uns 20, 25m dali. Depois dos comentários e dos actos de praxe guardo o troféu e toca de ir á procura rapidamente da segunda, não fosse ela tresmalhar-se por aquele mato fora. Não tardou 3 ou 4 minutos para o Rafael estar novamente parado, atiro uma pedra para uma moita de tojo e o insólito acontece. A Galinhola ao sair fica meio atrapalhada no tojo e o Rafael num salto quase felino apanha-a no ar, como é cão que tem o dente doce, entregou-ma intacta na minha mão esquerda, pois a direita ficou de prevenção ao Amigo Duque que estava doido por lhe meter também o dente, digo então para o Rafael “grande faena amigo!” Vamos enjaular a bicha e lá fui deixa-la viva na gaiola dos cães, de imediato decidi que no final da jornada a soltaria para o pinhal, há-de parecer um toiro quando se lhe abrem as portas dos currais para o campo, asas para que te quero…
Continuei com o trabalho, passados uns 25 minutos o Duque entusiasmado com um rasto começa a fazer uma guia e salta uma bicuda, que abato ao primeiro intento com a minha inseparável Benelli Cal,20. Empiolada a Dama é hora de comer um bucha e beber umas goladas de um belo e sempre presente tinto alentejano.
Seguidamente fomos novamente para a “luta” passados cerca de 20 minutos o Rafael novamente em paragem, toca o Beeper umas 8 ou 10 vezes, corro lá e mando-o fazer sair, salta outra galinhola que ali mesmo me faz uma Meia-Verónica enrolando-se com um tufo de Pinheiros novos, disparo-lhe 1º e 2º tiros e lá ficou, ficou mas foi no campo para poder ter oportunidade de voltar á sua terra viver e criar, que vá em paz!
Continuei a minha labuta até ás 12h45m, mas já não vi nenhuma Bela Dama, telefonei aos amigos Jorge Silva e Jorge Piçarra, que tinham ido ás Galinholas para terras de D. João de Portel ou para Vila dos Gamas, relatando-lhes a minha jornada. Quanto á Galinhola viva foi oferecida ao Jorge Piçarra para ser fotografada e posteriormente solta.
Entretanto telefonou-me o Amigo e Mestre becadero Manuel Brás, que andava ás bicudas na charneca Ribatejana, tinha também um exemplar empiolado, felicitou-me pela minha jornada, ao que lhe fiquei agradecido vindo da pessoa que é.
De seguida como não podia deixar de ser, atirei-me ao farnel saboreando uns jaquinzinhos de escabeche e um belo queijinho de ovelha acompanhados com pão de trigo do meu Alentejo e do não menos alentejano Tinto de Reguengos.

Rezei um pai-nosso a agradecer a Deus estes maravilhosos momentos e regressei a casa pensando em outro género de Galinhola.

Bem-haja Senhor
Francisco Baguinho.
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(Por: João Pereira - 23.11.2008)
Galinholas Ribatejanas

Finalmente hoje (Domingo e não no Sábado por afazeres familiares) chegou o dia que mais anseio de toda uma época de caça. Fui sozinho, para grande tristeza minha, pois o meu companheiro destas lides tem andado doente e não me conseguiu acompanhar. A zona é minha conhecida há vários anos, mais concretamente desde 2002, altura em que comprei as Galinholas deste couto. Teria a oportunidade de rever o mesmo pinhal, a mesma zona de estevas velhas, a mesma ribeira salpicada de mimosas, as mesmas encostas sombrias cobertas de medronheiros. Penso nestas zonas e se puxar pela cabeça, recordo todos, mas mesmo todos os lances que já tive com esta magnífica ave nesta zona. É impressionante, que passadas dezenas de lances e várias épocas ainda me lembre de tudo, com uma nitidez e um detalhe verdadeiramente assombrosos. Já lhe tinha referido isto anteriormente Jorge, não há espécie cinegética que me faça sonhar tanto, que me faça escrever estas linhas com tanto gosto, que me faça gostar tanto de sair de madrugada, que me faça andar e bater tanto terreno, como a Bela Dama.
Comecei cedo pelas 06h30 a delinear a volta, no café do Sr. Batista, a saborear uma "bica" e um pastel de nata quentinho. Começaria no "sítio do javali", apelidado assim pois por 2 vezes um enorme javardo tinha-nos pregado um valente susto, saindo-nos muito perto acossado pelos cães. Iria passar depois à zona "quente" de estevas velhas, local de maior crença para os pássaros e onde mais levantes contabilizei ao longo dos tempos, passaria de seguida pelo pinhal e por fim terminaria noutra zona de estevas e sobreiros, já perto do carro. Esta volta levaria toda a manhã e eu só iria caçar até às 13h00.
Tive como única companhia os meus dois cães, o Argus e o Gurka. Mais velhos (já com 8 anos), mais experientes, mas sempre, sempre doidos por ir para o campo e caçar, com uma enorme paixão, uma alegria contagiante, agradecendo-me por lhes proporcionar uma vida ao ar livre a fazerem o que mais gostam. O terreno estava sequíssimo, pelo que tentei não inventar, ainda para mais sem companhia, e ir aos locais que considerava mais quentes, sendo que os cães, esses, batiam tudo indiferentes a qualquer estratégia ou rumo pré-definido. Deixei-os "à vontade", pois sei que não se alargam muito e que são firmes na paragem. Tenho bastante confiança neles e já me deram muitas alegrias, no trabalho que fazem, na paragem e no cobro (onde são especialistas) já me demonstraram tudo. Bati essa mancha e nada, nem javali, nem galinholas! Não fiquei surpreendido, pois sinceramente as minhas expectativas não seriam propriamente as mais altas. Tinham passado mais ou menos 60 minutos e dirigi-me à zona de estevas velhas. Quando entrei na zona murmurei, "ou está aqui alguma ou dificilmente encontrarei uma por cá hoje". Estava certo, os cães começaram a bater cada metro e junto a um sobreiro velho e de tronco grosso, o Argus presente o odor da dama e entra em paragem, indicando-me a zona onde estaria, perto da base da árvore, onde se junta mais mato. Ainda não tinha completado o 1º passo para me tentar posicionar e a Dama salta com uma velocidade e um bater de asas de arrepiar, encaro-a e disparo com rapidez, abatendo o meu 1º pássaro desta época, num tiro algo fácil. Fiquei radiante e dei umas 30 festas ao cão, acompanhadas das palavras: lindo, lindo. Continuei a bater tudo (com redobrado animo) e nada mais vi nesse Estêvão. Passei depois à zona de pinhal, tentando bater as zonas de maior sombra. Passados largos minutos vejo uma, que me saiu larga e segui-a até onde a vista foi possível alcançar por entre as copas de pinheiros bravos. Tracei um percurso para segui-la e cerca de 100 metros depois, os cães dão-me um sinal forte num emaranhado de tojo e sem chegarem a parar fazem saltar outra Galinhola, que curiosamente toma quase o mesmo percurso da anterior, encarei-a como pude e imediatamente falho o 1º tiro, tendo felicidade em acertar-lhe num 2º tiro de pura sorte. Os cães cobram-na ferida, com uma asa partida por um único chumbo. Tinha 2 galinholas cobradas e 3 levantes, pelo que não cabia em mim de contente. Voltei a perseguir a que me tinha saído larga até à extrema do pinhal e como não a voltei a ver, decidi voltar ao início do pinhal, batendo algumas zonas que considerava menos propícias no regresso. Nada mais vi, ou então não detectei qualquer levante, pois sozinho é mais fácil ser "enganado". Por fim, mudei de ideias e decidir dar uma última volta à zona da ribeira, pois sendo a zona mais húmida, julguei que poderia esconder algum pássaro. Mais uma vez não me enganei, vi duas galinholas em dois levantes distintos, que tendo saído encobertas não me proporcionaram qualquer hipótese de tiro. Dei por encerrada a jornada pelas 12h30, os cães já não aguentavam, eu também estava satisfeito com 5 levantes e 2 abatidas. Creio que com o meu colega, teríamos tido ambos mais oportunidades, pois a caça à Galinhola é bastante difícil se praticada sozinho, perdendo igualmente parte da sua magia. Mais oportunidades por certo surgirão neste Inverno.

João Pereira
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(Por: Luis Novais - 25.11.2008)
Em honra o meu Cão

Decorria o tempo frio e húmido no Outono de 2002 em S. Torcato, numa freguesia de Guimarães.
Já era costume eu o meu grande Amigo Chinela, juntamente com Pataco, já há várias semanas, sair-mos aos tordos para os lameiros de S. Torcato perto de umas vinhas e uns choupais que havia ali na zona bem perto de uma vacaria ladea por ribeiros e pardos verdes e ondulantes que mais parecia cabelos de uma bela mulher ao vento.
O frio era tanto, que mal saía-mos do carro para o local de caça ía-mos com as mãos nos bolsos e a arma de baixo do braço, olhando e escutando os tordos que já se faziam aos choupos.
Desse dia, já bem perto da vacaria, havia uma poça com pouca água, que vinha de um ribeiro ali bem perto, serpenteando por dentro de uma mancha de choupos velhos e fortes, ali plantados por alguém, e talvéz, advinha-se que um dia as galinholas lá íam chegar um dia e presenciar este “filme” que vou relatar.
Entretanto o Pataco estava a dar bem nos tordos que vinham prontamente a poisar nos choupos mais altos! Eu e Chinela, no outro lado dos choupais, lá matavamos um ou outro que Pataco deixava passar.
Nisto ao houvir o Pataco a dizer “cuidado...galinhola....” de dentro dos choupos, quando foi cobrar um tordo, só me deu a mim e ao Chinela, e de relance, deslombrar o vulto de dali saíu de dentro, a uma enorme velocidade! Olhei para o Chinela e Ele para mim, pensamos “ lá se foi “.
Já há uns dias atrás, na tasca do Café Penedo, estavamos a comer umas tripinhas, comenta-va o Chinela, “ quando morada aqui, matava todos os anos umas galinholas nestes lameiros, quando andava aos tordos! Eu atento à conversa, como um “perdigueiro marrado” escutava-o fascinado, se calhar já tinha o bichinho comigo, sei lá.
No fim de semana a seguir, chegado ao local, o filme volta-se a repetir, mas desta vez a galinhola, não saíu dos choupos mas de dentro da poça de água perto da vacaria. A reação foi unanime e espontânea em todos nós, tirar as mãos dos bolsos e apontar, mas em quando a galinhola saiu e nós a tivesse-mos em mira, esta, já ía bem distante e ningém atirou! Nós e admirados pela situação, pensamos : “ outra véz!
Com o decorrer da semana, pensava e pensava na quele filme todos os dias! Foi então que resolvi meter uma folga no trabalho e ir às galinholas numa quinta-feira. Telefonei ao Chinela e Ele aceitou prontamente.
Cão no atrelado, foi buscar o meu Amigo Chinela.
“ Então Chinela, vamos a elas, desta vez aquela não nos escapa!” Ele ria-se, e dizia “ vamos ver, vamos ver “.
Chegados ao local, cartuchos na arma e mãos de fora dos bolsos, não vá o “diabo tecelas outra vez”, soltei o cão na direcção à poça de água. Nada, nem vestigíos dela. Admirado, penso e digo, “ vou entrar dentro dos choupos, enquanto Tu ficas do lado de fora por onde o Pataco a tinha tocado há dias “.
Nem dois minutos passados, o Xanana já lhe tinha pegado no rasto, e eu, de olhos arregalados dou a correr lá para dentro, quando a vejo levantar muito antes que o cão a consiga parar. Abato-a com um tiro disperssor, chumbo 8 em cano 4 estrelas, logo ao primeiro tiro. Olho para o cão e vejo-o já com ela na boca todo babado a vir para mim! Ou melhor, nem sei o que diria ou pensou o cão, se ele ou eu é que era o mais babado nisto tudo!

Cumprimentos,
luis Novais

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(Por: Josué Vilas Boas.)
16/11/2008

Ora lá passamos um belo dia de caça, que muito sucintamente se resumiu a 7 pássaros vistos, 3 cobrados (o ultimo pela minha pointerzinha Diva 6 meses e 28 dias feitos hoje - pássaro este que passava despercebido ás duas máquinas do meu mestre incluído o Horus, o tal setter que me fascina e ajuda a viciar nestas lides, pois depois de emparelhado pelos dois estava caído a mais de metro e meio do solo encima de uma bigorna (nome de uma giesta grossa aqui na beira alta). Alem destes lances concluímos que mais algumas (talvez mais 5 pássaros) estiveram no nosso caminho, mas não se deixaram parar sequer e nem foram visualizados.
Agora é tempo de preparar a tralha para ir até Trás-os-montes, pois parece que temos como missão melhorar a qualidade genética das perdizes de Uva.
Já agora e neste âmbito tenho tido uma duvida: como sabe tenho a Diva e a mãe a Faia (5 anos), esta ultima penso que por estar muito rotinada nas perdizes e nos sujos de estevas de Vimioso, não demonstra muito interesse em percorrer os giestais de Castro d' Aire em busca de um pássaro que ela só bocou 4 ou 5 vezes.
Que lhe parece, ainda devo tentar esta cadela agora que tenho terrenos mais becaderos e apesar de já ter 5 anos quase exclusivamente ás perdizes?
E quanto á pequenita devo ter algumas esperanças, mesmo não descendendo de linhas becaderas?

Sem dúvida são as dúvidas que mais me chateiam mas paciência.

Um abraço e esperando não maça-lo, até breve.
Josué Vilas Boas.
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(Por: João Sequeira. 29/11/08)
Amigos becaderos, Antes de mais gostaria de congratular o Sr. Jorge Silva pelo magnifico site que apresenta.Gostaria tambem de saudar o meu grande amigo Francisco Baguinho, um verdadeiro expert nestas andanças. É certo que tudo o que aprendi a respeito desta ave enigmática se deve ao sr. Francisco Baguinho, com o qual já tive a oportunidade de partilhar magnificos lances especialmente na Herdade Serra do Bispo em Elvas como já é habitual todos os anos. Gostaria de referir em especial um episódio passado na "Serra"com o Baguinho, que humildemente vou tentar relatar.Como é costume, encontramo-nos no monte colocamos a coversa em dia, falamos do tempo e claro de bicudas. Porque o "trabalho" não espera, preparamos o "estojo" para enfrentar a Bela Dama e saímos. Á direita o Baguinho junto á parede e à esquerda numa posição mais descaida aqui vou eu com a minha setter inglês "Migas" da linha francesa claro. Conhecedores da zona a caçar Migas e Rafael começam a sua labor procurando por entre matos e sobreirais. Subitamente parecem dar o primeiro sinal da presença de bicudas, o silênçio do escoalho e o som do beeper apregoam o momento esperado, mas o deslize em patrom parece insinuar que a dama não está disposta a esperar. Analisando a situação trocamos breves palavras em tom de voz baixo, ...ratou-se a pés, vai à nossa frente com toda a certeza... , refere Baguinho.Migas e Rafael retomam o rasto por entre o mato e a saga continua, subitamente sucede-se um novo deslize e o lance parece não ter fim, apressamos para participar pois a mancha termina e o limite do couto também. A dama parece não aguentar mais e num "salto de trampolim" sai do meio do sargaçal por entre sobreiros, sem angulo de tiro esta merecidamente leva a melhor em direcção à estrema. Após alguns segundos e sem qualquer explicação ei-la de novo com um vou rasante em nossa direcção, ...mas afinal!!!... interrogo-me. Parece reconhecer os limites do seu dominio e mergulha num claro sem defesa, os cães ganham de novo vida e apressamos para que nada falhe desta vez, num galope rolante Migas e Rafael marcam o local mas misteriosamente não detectam a sua presença, já cansados rendem- se á batalha, a dama havia saido vitoriosa. Baguinho num acto nobre de respeito e admiração, tira o seu chapéu e cordialmente sauda-a,...bem aja... Nem sempre as histórias de caça colminam com o troféu, difiçil de aceitar por uns... coisa que só os verdadeiros puristas tem o privilégio de entender.

Muito obrigado.
Com os melhores cumprimentos.

João Sequeira.

Junto envio algumas fotos de outras aventuras.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Curiosidades do pássaro.

Envolta em mitos como nenhuma outra espécie cinegética, a Galinhola há séculos que vem sendo idolatrada e desejada, de Reis que reservavam só para si o prazer de as caçar e de as degustar, de Condes do século passado que faziam dela a sua caça por excelência, de meros caçadores apaixonados e dedicados, artistas que vêem nela a mais bela musa inspiradora digna de belas obras, a investigadores e cientistas que juntamente com apaixonados caçadores, as estudam de uma forma incisiva para que esta maravilhosa ave não seja num futuro próximo alvo de um grave declínio que ponha em primeiro lugar em perigo a continuidade da espécie, mas também que ponha em causa a sua exploração cinegética.
Esta tradição secular de caça ás Galinholas e talvez pela sua mística ser tão grande, deu azo a historias e mitos, curiosidades da ave, que muitas vezes estão tão difundidas que não somos capazes de separar a realidade do mito.

O canto Nupcial da Galinhola

Galinholas cirurgiãs.
Este é o nome que mais se adequa a esta situação, porquê então este nome, certamente não é porque a ave se passeia de branco nos corredores de um Hospital, nem muito menos qual Andorinha faz os ninhos nos beirais dos mesmos, nem tampouco porque o seu bico comprido é afiado fazendo lembrar um bisturi, apenas pelo facto bizarro de se curarem a si próprias. Já foram capturadas Galinholas com uma espécie de curativo nos membros, uma mistura feita de lama, fezes com saliva e fibras naturais, que a ave utiliza para envolver as patas feridas de forma a parar a hemorragia, ou depois de seco fazendo um papel idêntico ao do gesso nas fracturas dos humanos. São estes factos curiosos que ajudam a ave a construir o seu próprio mito, talvez nem seja necessária a imaginação humana para o fazer, muitos dos factos vão além da curiosidade e da imaginação do mais atrevido dos sonhadores.

Salto de Peixe.Uma manobra evasiva sobejamente conhecido pelos caçadores de Galinholas e, demasiado insólito para os menos experientes nesta caça, o salto de peixe deixa todos pasmados, os que pela primeira vez observam este comportamento.
O nome deve-se ao facto da ave, por vezes dar um salto parecido a um peixe quando salta fora de água. Apertadas pelos cães por vezes as Galinholas dão um salto perto do cão de forma a despistar o nosso companheiro na busca, pousando a uns escassos metros do cão, com caçadores e cães experientes esta manobra não serve de muito.


O que lhe chamar!?
Não sei se tem um nome, mas um facto mais que certo são as capacidades teatrais da ave, quantos de nós que seguimos a dama de arma em punho, não nos deparamos com outra das suas manobras, que nos engana de uma forma subtil e eficaz.
Esta manobra inteligente passa-se da seguinte forma: Quando levantada e errada pelo caçador, a ave manda-se literalmente para o chão como se tivesse sido chumbada, a sua actuação é tão real e digna de um Óscar, que engana até o mais experientes dos caçadores. Com esta manobra a galinhola dá-nos a entender que foi abatida, mas o que é certo é que ao mandar o cão cobrar a ave não se encontra lá, tendo já saído a pés despistando o nosso cão, por vezes é depois levantada novamente mais á frente levantando e voando incólume provando que não lhe tocamos no outro disparo.

Um cinismo que por vezes lhe salva a vida e nos deixa a nós caçadores atónitos, procurando por vezes durante muito tempo cobrar uma ave que não está lá, são estes pormenores que nos dão toda a emoção desta disciplina.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Pena do Pintor.

Pena ou troféu?
Muitos caçadores desconhecem que a Galinhola é a única espécie de caça menor que tem um troféu. Não são só as hastes do Cervídeos ou as presas dos Javalis que se apresentam como troféu, que marcam para a posteridade um abate, um lance, uma emoção, também esta enigmática ave tem um troféu, uma pequena e particular pena denominada “pena do Pintor”.
Esta pena é o troféu do caçador de Galinholas, a cada abate é-lhe retirada esta pena, alguns caçadores retiram e guardam as duas (uma em cada asa) outros, apenas uma.

O que é então a pena do Pintor?
A Pena do Pintor é uma pena em forma de ponta de lança, de características distintas das restantes, é muito pequena, mede entre 30 a 32mm e apresenta uma textura completamente diferente das demais, dura e com aspecto quase artificial de aparência e tacto plástico.
Situa-se logo a seguir á primeira rémige, alguns estudiosos acham tratar-se de uma 3ª rémige da asa, esta pequena pena tem uma importância fundamental durante o voo.

O porquê do nome?Este nome "pena do pintor" tem talvez séculos de existência, tantos quanto os séculos que esta ave é caçada. Esta pena foi e ainda é utilizada por alguns pintores, era a pena utilizada para assinar os quadros bem como para conseguir linhas finas nos mais minuciosos detalhes, foi há bem poucas décadas também muito utilizada pelos Franceses para pintar as insígnias das bicicletas.

O Porquê de ser um troféu?Esta resposta perde-se no tempo, desde há muito que esta pena é retirada a cada abate, simbolizando e marcando mais um lance vitorioso. Guardadas em caixas próprias mais ou menos elaboradas, como se de um tesouro se tratasse. Não tão longe assim da verdade, visto que para muitos apaixonados pela Bela Dama, estas caixas com as penas são um verdadeiro tesouro, cada daquelas pequenas penas guarda consigo momentos unicos de rara beleza, é também uma forma dos caçadores contabilizarem os abates ao longo dos anos. Talvez não seja senão mais um dos mistérios da Dama mas, acima de tudo o troféu mais cobiçado pelos amantes desta espécie.