segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O melhor momento de sempre!

Com já vários lances de grande emoção este ano e outros anteriores, este superou todos eles, ao ponto de pensar constantemente no momento vivido.
A manhã era como tantas outras deste ano, não muito fria no meio de uma aberta entre dias de mau tempo. O terreno é de calhau rolado, onde provavelmente já correu água, vá-se lá saber se salgada ou doce, agora nascem estevas tão do agrado do pássaro.
O pássaro, esse já era conhecido, pois já tinha sido parado e errado uma vez, desta não sabia o que esperar, pois não estava certo se da ultima vez a tinha chumbado, rezava para que não.
Sabia onde ela gostava de estar, numa zona de estevas num planalto, o cão antes de lá chegar remonta com muita beleza e segurança e pára numa zona de muito bom aspecto, mas ao soar do beeper saem duas perdizes, já andam em casal, preparando-se para procriar, pelo que não atirei.
Levo o cão para a zona onde ela gosta de estar, pensando se o pássaro estaria ou não lá, se não estivesse é porque muito provavelmente a teria atingido e não a tinha cobrado, mas o Faruck a uns 40 metros do local habitual, começa a remontar e fica parado junto das estevas, eu rapidamente dou a volta e meto-me de frente para o cão, enquanto o beeper entoa aquele som indescritível, qual banda sonora de um bom filme, o cão não mexia, imóvel com o pássaro controlado que estava entre nós os dois, por entre as estevas vislumbrava o branco do cão, o pássaro de certo sairia para o meu lado e assim foi, sai direito a mim, fazendo aquele barulho típico das Galinholas que saem das estevas “pápápápápá” de repente vê-me e tipo avião da 2ª guerra faz uma manobra evasiva a não mais de 2 metros de mim, vira rapidamente mostrando-me o peito, o bico, as cores lindas que ostenta, deu para ver as risquinhas do peito, as penas brancas do rabo e se anilha tivesse quase dava para ver as inscrições, talvez hipnotizado por tamanha beleza e, depois de inverter a marcha e ter rodado novamente para cima do cão, erro-a com dois tiros, não queria acreditar que tinha errado aquele pássaro, tão bem trabalhado pelo cão. Que lance tão belo, tão intenso e especial, espero agora que ela se apresente mais uma vez e, que da próxima me dê com abate ou sem ele a mesma emoção que deu neste, porque, como dizem os bécassiers franceses, “caçar o mais possível, matando o menos possível” pois nada melhor que este lance para provar que também se têm emoções fortes mesmo sem haver abates, embora sinceramente este lance com outro final tivesse um outro sabor.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Com cheirinho a Natal.

A manhã despertou tardiamente, fruto de um céu escuro e chuvoso mas com cheirinho a Natal.
Por norma todos os anos dá-me um gostinho especial caçar neste dia, talvez o espírito se apodere de mim, talvez o facto de ter a família em casa a passar as festas e, levantar-me cedo antes de todos os outros, pegar no cão e ir para a caça tenha um sabor algo diferente.
Foi o que fiz mais uma vez, confesso que a noite foi mal dormida, sonhando e pensando no pássaro, por estranho que pareça pois a época já vai larga e o pássaro ainda me consegue tirar o sono. Tinha a forte convicção que este temporal tinha mexido com as Galinholas, que elas encostariam em zonas de pinhais velhos e mais abrigados para passarem por este mau tempo.
A volta seria a mesma, sozinho com o cão, equipado para a chuva pois essa sem dúvida estaria presente pela manhã e lá começamos nós.
Entro na mancha pelos passos do costume, o cão esse, já sabe a volta que tem a fazer, faz os cantinhos dele um a um, pois também ele tem as suas preferências, também ele sabe das crenças e dos pontos mais quentes, não mais de 10 minutos e já tocava o beeper, numa zona limpa, o que confirmava as minhas expectativas, mas não saía nada, tinha levantado pouco antes do cão ficar parado, mas pela forte expressão do cão dava para ver que aquele pássaro era real, era a minha vez de pensar, meti o cão nas zonas que sentia que ela poderia agora estar, ao longe vejo um pássaro a voar, mas dada a distancia não consegui descortinar o que seria, a minha ideia seria entre um melro e uma Galinhola mas, mais a atirar para o melro, continuei na procura daquele pássaro em particular, pois sabia que estava por ali algures, mas que não seria fácil pois era uma pássaro que entrara nessa mesma noite, não dominava o terreno e andava de levante à nossa frente, num típico comportamento defensivo.
Chegando ao fim da mancha e nada de pássaro, dou a volta e faço o terreno no sentido inverso e mais junto da extrema e para a zona que se tinha dirigido o suposto melro, é aí que o Faruck a pára por poucos instantes até que ela sai larga antes de me aproximar do cão, ainda atiro mas não lhe toco, mas pelo menos confirmava a minha ideia e a do cão que certamente não precisava de a ver para saber que ela existia. Vou então à procura dela, com a certeza de a encontrar novamente, pois o cão é muito forte na rebusca das Galinholas, não mais de 3 ou 4 minutos e aí estava ele parado com ela, acerco-me do cão mas já estava nas nossas costas, sai mas ainda assim larga cai ao primeiro tiro, pouco depois vinha o Faruck com ela na boca a dar ao rabo, para ele era também uma alegria, olhei para o relógio, tinham passado 45 minutos, três quartos de hora no encalço de um pássaro que nem eu nem o cão tínhamos visto, mas sabíamos ambos que ela estava por ali.
A volta agora seria a minha volta do costume, decido ir ver uma pontinha de mato que costuma meter um ou outro pássaro nas entradas, esta época já lá tinha morto uma, o cão caçava ao seu ritmo, forte como se não houvesse mato, faz um rasto e pouco depois fica parado, o pássaro sai largo mas é abatida facilmente e cobrado com a alegria do costume, estava radiante, 2 pássaros no sapatinho.
Tive ainda um outro pássaro, uma velha conhecida que já foi parada e errada varias vezes, o cão desta vez parou-a por 2 vezes, por duas vezes que se ouvia o beeper interromper o soar do vento nos pinheiros, mas pelas duas vezes que quando lá chego o pássaro já não estava lá, a zona é fechada complicada de andar, não lhe meti os olhos em cima em nenhuma das vezes, fica para outra faena.
No caminho para o carro, vinha a pensar, pensamentos típicos de quem anda a gosto no campo e tem dois pássaros cobrados. Olhei para o cão e via-o correr com aquele galope alegre dele, feliz, mesmo feliz, com a felicidade de quem gosta do que faz, alheio ao frio, à chuva, ao tojo e terrenos difíceis, eu pensava no que leva alguém a levantar-se da cama numa noite fria e chuvosa para ir para o campo, sinceramente não sei explicar, talvez quem sinta o mesmo que eu me entenda, mas de certo muitos acham-me maluco, acham que um pássaro tão pequeno de bico cumprido não vale tanto esforço, mas enquanto sentir o latejar do coração nas mãos serradas que seguram a minha bela justaposta quando a adrenalina se apoderar de mim ao soar do beeper, irei para o campo como se fosse sempre uma abertura!

Bom Natal e votos de boas caçadas a todos.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A beleza do primeiro abate.

A pedido de alguns dos seguidores do meu Blog, regresso aos meus relatos sobre as minhas jornadas, pelo menos um deles não precisa dos meus relatos, pois vive a meu lado os lances, ou melhor vivemos os lances um do outro, com entrega e respeito.

Após algumas jornadas desfrutando ao máximo de lances magníficos, aqui fica com um certo atraso o relato da jornada com o primeiro abate da época, aquele que fala sempre mais alto, pois são meses de espera, de angústia e, mais perto até alguma ansiedade pelo primeiro levante.
Com umas tantas jornadas precoces deu para ver que a época era sem dúvida uma época que começariam cedo os levantes, em Outubro já se ouviam noticias de levantes e no inicio de Novembro de abates, cedo também eu constatei que seria uma época diferente.
Na segunda jornada errei o primeiro pássaro parado pelo cão, numa manhã em que me parou 3 Galinholas e não logrei nenhum abate, apenas o companheiro abriu a época, eu fiquei a zeros, dando apenas para ver que os meses de interregno não levaram ao Faruck o seu jeito natural para encontrar, trabalhar e parar Galinholas pois, após tantos meses pára 3 Galinholas de entrada, sempre mais difíceis de parar e controlar, como se fossem pássaros de final de época, infelizmente duas não consegui sequer atirar e outra delas parada numa limpa a uns 200 metros de mim, que depois de bem bloqueada e com o beeper a tocar incessantemente, saiu-me a beijar o chão limpo, quase como um coelho, ainda lhe toquei com o único tiro que fiz, quase que caiu mas vá-se lá saber porquê ganhou fôlego e rodou para trás e foi passar a jeito do companheiro que a meteu no chão, e que assim abria a época, nesse dia o cão ainda me parou uma das de manhã novamente numa limpa, mas desta vez nem sequer deu para me aproximar, saindo o pássaro largo.

Bem mas deixando para trás momentos de gloria para o pássaro relato então a minha terceira jornada, a que fiz os primeiros abates.
A manhã era como tantas outras, com o coração cheio de convicção, a convicção que me faz levantar cedo para ir para o campo, a forte convicção de que viverei novamente momentos que só um “Becadero” entende. Desta vez sozinho no campo, acompanhado apenas pelo cão, como tanto gosto, fazendo as coisas somente à minha maneira dando as voltas a gosto, vivendo os lances na sua totalidade.
Comecei nem sei porquê um pouco mais acima da mancha habitual, mal saio do caminho e meto o cão na mancha, este começa a fazer um rasto muito forte, conhecendo o cão como eu conheço, percebi o que seria, não queria acreditar, um pássaro a abrir o pano, o cão alheio dos meus pensamentos fazia o trabalho dele, mas perderia o rasto do pássaro, àquela hora da manhã isto por vezes é normal, pássaros de entrada na borda de um caminho que ficam ali mal se mexem não deixando muitas pistas para o cão trabalhar, mas cada um saca os Galões que tem, foi o que fez o Faruck, fazendo então um lance digno de registo, o terreno é uma espécie de chapada ligeiramente a subir, o cão na base da mesma perdendo o rasto faz à velocidade alucinante dele um lance até ao cimo do terreno no limite do mato, vindo a lancear da direita para a esquerda direito a mim que estava na zona inicial onde ele sentiu o pássaro, a não mais de 20 metros de mim o cão faz uma derrapagem, ficando parado virado para o lado oposto de onde vinha, um pinheirito pequeno e um tojo mais alto escondiam um pássaro cansado da viagem que teimava em não sair, o som do beeper tocava conta de mim, ajeitei-me e o pássaro sai de uma forma atabalhoada, nitidamente fruto do cansaço, abatida ao primeiro tiro. 3 Minutos não mais, 3 minutos à Faruck e a nobre sensação do primeiro cobro da época, jamais esquecerei este lance, a inteligência do cão, que após ter perdido o rasto usou a cabeça e fez toda a mancha para encontrar um pássaro que ele sabia que estava ali.
Passado não mais de 5 minutos ali estava ele novamente parado, com uma das conhecidas dele, como velhos conhecidos defrontavam-se novamente, desta vez parada bem longe, o cão guiou mais de 30 metros de cabeça no ar, ainda assim o pássaro sempre a pés levanta-me larga, eu erro-a e vejo-a ir morrer indignamente nas mãos de um coelheiro, por estranho que possa parecer e sem me sentir melhor que ninguém, senti pena, quase luto por aquela Galinhola, por ter morrido de uma forma indigna e sem história, olhei pelo canto do olho e vejo o pássaro enpiolado pela cabeça, manchando de sangue umas calças camufladas, um triste cenário! Um forte suspiro e lá continuei lamentando a perda.
Era hora de pensar o resto da jornada, decido ir ver uma zona de entrada, que mete uns pássaros na entrada, o cão esse conhece cada tojo, cada pinheiro, e cada cantinho que a Dama gosta de se esconder. Imbuído nos meus pensamentos desperto com o Beeper a tocar, ali esta mais uma, acerco-me do cão e ele sai a guiar ficando novamente parado com o pássaro, sai tapada e erro-a, uma asneirada forte e a convicção de que o cão a encontrava novamente, pois bem não mais de cinco minutos e aí estava ele novamente com ela no nariz, perfeitamente controlada desta vez abatida ao primeiro tiro, não consigo descrever o que se sente ao ver o cão com ela na boca, é algo surreal, quase mágico, há tanto que não sentia esta emoção.
Mais umas voltas para tentar fazer as 3, e numa zona de tojo serrado, duríssimo para caçadores e cães, o cão faz a mancha toda no esconde e encontra com mais um pássaro, o rabo parecia uma ventoinha que só roda assim quando ele tem uma Galinhola pela frente, eu colado ao cão de mãos cravadas à arma esperava que ela saltasse a qualquer momento, mas não o cão bloqueia a Galinhola junto a uns pinhos pequenos, beeper a tocar, sentia o coração a latejar nas mãos que fortemente seguravam a arma, o cão, esse nem mexia, eu sabia para onde ela ia sair, só podia ser por ali, e sai mesmo, erro-a com os 2 tiros, não queria acreditar, como é possível isto, saiu-me até boa. Este pássaro curiosamente foi parada mais 2 vezes pelo cão mas sempre sem me deixar sequer atirar, até que algum coelheiro a deve ter abatido, deixei depois de a ver.
Uma jornada repleta de lances magníficos 2 abates e um trabalho de mestre do cão, que qual Vinho do Porto, melhora com os anos.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Vendo Pointer com experiencia em Galinholas.

Pointer Preto unicolor com 3 anos metido na caça Brava e com experiencia nas Galinholas. Com LOP e Afixo. Excelente nariz e morfologia, ligado e a caçar sem colar eléctrico.































quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O cão pára a Galinhola ou a Galinhola deixa parar o cão?

Quem pára quem?
Esta é uma duvida que assiste a muito caçador, serão os cães, os verdadeiros cães de Galinholas capazes de Parar as Galinholas todas ou nas circunstancias normais quase todas, tendo uma efectividade muito elevada, ou serão as Galinholas que se deixam parar pelos cães?
Eu penso que tudo tem a ver com a qualidade do cão, do seu nariz sensível e de uma inigualável experiencia nesta caça adquirida ao longo de anos de caça que, há mais pequena emanação, é capaz de a trabalhar e entrar em mostra com uma firmeza e convicção inacreditáveis. Claro que há galinholas que não se deixam parar, ou em condições ditas normais não se deixam parar, mas por vezes nestas situações cabe-nos a nós caçadores alterar a situação e dar uma perspectiva nova do lance ao cão, por vezes num pássaro arisco o simples facto de entrar-mos pelo lado oposto da crença faz toda a diferença e surpreendido já suporta uma mostra, pois o seu caminho favorito de fuga está agora “tapado”, sendo que estes exemplos são felizmente muito poucos.
Pelos cães que tenho acompanhado, alguns de muita qualidade, pelos cães que tenho, é com forte convicção que penso ser o cão quem domina o lance e não o contrário, são os cães que param as Galinholas e não as Galinholas que se deixam parar pelos cães, isto porque uma galinhola não escolhe um cão de entre muitos para a parar, pois que motivo há então se assim não fosse, um determinado cão meter um pássaro no ar e, outro cão parar logo a seguir esse mesmo pássaro, num segundo lance sempre mais complicado?!
Estas opiniões são muito pessoais, em conversa sobre este tema com Amigos Becaderos cheguei a uma conclusão muito curiosa, os que têm bons cães, pensam da mesma forma que eu, os que têm cães mais fracos nesta disciplina, mais novos ou inexperientes, são da opinião contrária, ou seja a opinião que temos baseia-se no cão com que caçamos, se é bom, forte e efectivo é o cão que domina o pássaro e o lance, se o cão é mais fraco damos a desculpa mais ou menos sincera de ser o pássaro que determina o lance e o seu desenrolar.
Acima de tudo o importante é divertirmo-nos com mais ou menos cão!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Extra Galinhola Caça&cães de caça

Já está nas bancas e numa iniciativa do Grupo V, editora da revista caça&cães de caça, uma edição especial totalmente dedicada à Galinhola. Esta edição denominada EXTRA GALINHOLA vem acompanhada por um Filme DVD com belas imagens de caça a esta espécie, em Espanha e na Turquia.
Ficam os tópicos da edição Extra.



4 Cartuchos para a caça à galinhola
Benelli Montefeltro Beccaccia
Outras raças para caçar galinholas?
Subtilezas da galinhola
Fabarm Gamma Paradox
Galinhola: Uma espécie esquecida em Portugal continental
Galinhola: resumo da espécie e da sua caça
Seguimento de galinholas por radiotelemetria via satélite
O melhor equipamento para o caçador de galinholas
Determinação do sexo e idade nas galinholas
Setter Inglês
Coleiras beepers e localizadores
A tecnologia e a caça à galinhola
Galinholas do meu encanto!
Truques e estratégias para caçar galinholas
Melhore o comportamento do cão na caça às galinholas
Como caçam os especialistas na caça à galinhola

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Boas Novas.

Passado pouco menos de 1 ano da informação que dei ao Instituto de Conservação da Natureza através da Central de Anilhagem sobre o abate de uma Galinhola anilhada chegou agora por carta a informação disponível sobre esta ave.
Esta ave foi anilha pelo Sr. François GOSSMANN (Administrateur National du Réseau Bécasse ONCFS/FNC/FDC) na Estação de Anilhagem de Paris.


Informação enviada.

Idade: 2 anos
Sexo: Desconhecido
Nº Anilha: GY84415
Peso na anilhagem: 350 g c/anilha
Data de anilhagem: 30-03-2008
Coordenadas da anilhagem: 4526 N 0414 E
Anilhador: François GOSSMANN
País de anilhagem: França
Local de anilhagem: Chambles, Loire.
Distancia: 1857 km
Direcção: 215 graus
Tempo decorrido: 268 dias
Data da recaptura: 23-12-2008
Local da recaptura: Setúbal
Circunstâncias: Morta a tiro

Portanto verificamos que a cedência de informação sobre capturas de aves anilhdas às entidades competentes e descritas num outro artigo deste Blog é algo simples e sem tabus e é sem dúvida uma mais-valia que contribui para os estudos que vêm sendo elaborados a nível internacional. Pelo que vale a pena colaborar-mos nestes estudos, ser caçador também é isto!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Os primeiros pássaros.


Com as primeiras chuvas e as primeiras folhas secas da minha figueira no chão vêm os telefonemas com relatos dos primeiros avistamentos em território nacional do tão esperado ser de bico longo, dia a dia todos nós sabemos de mais um pássaro levantado aqui ou ali por um podengo numa caçada aos coelhos.
Acercam-se também de nós pensamentos mais enérgicos sobre como será a época que se avizinha, será uma época forte, virão em força, estarão onde as esperamos levantar? Estas e tantas outras questões vão-se pondo nas nossas mentes ou em conversas com companheiros de caça, saudáveis lembranças nos acercam, todos os nossos pontos quentes ficam rapidamente disponíveis na nossa mente como se um GPS se trata-se, sabemos já com a devida antecedência onde queremos ir, onde primeiro devemos procurar, dia a dia olhamos para a meteorologia, sabemos mais do tempo que vai na Rússia que os próprios serviços secretos do Kremlin, não há site que nos falhe, esperamos como uma velha vidente a olhar para os búzios e de uma forma mais ou menos infantil antever o seu percurso, olhamos para os ventos como bons ou maus presságios tal qual as linhas da vida na palma da mão lidas por uma cigana. Mas não, talvez não seja assim tão infantil, talvez seja a forma como cada um de nós lida com a ansiedade de 9 meses de espera, não cheguei ainda ao ponto de riscar dias num calendário, pois acho que a espera seria ainda mais dolorosa, luto contra o tempos com um filme aqui outro ali, uma perdiz e uma lebre morta aos cães mais novos para lhe dar alento e o olhar triste e conformado dos mais velhos ao ficarem em casa sabendo que os mais novos andam a divertir-se com as orelhudas e perdizes, mas os mais velhos não estão esquecidos, apenas com receio de se aleijarem ficam qual craque da bola, no banco, esperando para entrarem nos grandes palcos e nos grandes jogos, aqueles onde eles fazem a diferença.
A espera é sem dúvida longa e angustiante, mas estes momentos próximos são também eles mágicos, este nervoso miudinho, o passa a palavra dos primeiros avistamentos, os telefonemas, o acompanhar das migrações e a noite da véspera da primeira jornada são momentos de difícil explicação, apenas posso dizer que são momentos únicos que poucos entendem e ainda menos os vivem.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Galinholas na TV

O canal Caça e Pesca exclusivo da ZON TV Cabo apresenta no dia 13 de Outubro repetindo depois outras vezes em dias e horas distintos, um programa sobre a caça às Galinholas em Portugal.
Este filme foi integralmente filmado em Portugal e com realização portuguesa.
Este filme mostra belas imagens e lances de grande beleza em terrenos típicos de Galinholas onde os cães são os maiores protagonistas.

"Esta emblemática espécie cria paixões entre os caçadores portugueses. Pela mão de um campeão do mundo de Santo Huberto (Jorge Piçarra) e de outros caçadores, vamos conhecer a caça a esta ave migratória na zona da costa vicentina.Às 18:00 dia 13/10 no canal CAÇA E PESCA

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A Historia de uma Promessa chamada Dollar.

Desde há muito que tinha a intenção de fazer uma ninhada, mas só com a aquisição da UVA é que da intenção passei à prática, não a fiz pelo dinheiro, não a fiz por necessidade de ter mais um cão, pois não o queria, fi-la por gosto, ou talvez mais por convicção, a forte convicção de que tinha tudo para criar uma ninhada de cães de boas linhas, boas origens e acima de tudo equilibrados e muito caçadores.
Com 3 machos distintos que poderia ter escolhido, a escolha recaiu pelo que me transmite mais, pelo meu companheiro de sonhos, o Faruck.
Feita a monta era hora de esperar, os típicos 2 meses passaram com normalidade, chegada a hora vieram as questões e as expectativas de quem faz uma primeira ninhada, serão como os imagino, darão o que pretendo, serão tão bons como os pais!?!?
Só o tempo revelaria isso, mas a impaciência levava-me a fazer ao mês e meio o teste da pena, e a ter a maioria da ninhada de 8 machos e 2 fêmeas a parar à pena, mas já desde essa altura havia um diferente, aquele que a natureza me colocou em primeiro lugar nas mãos, e que se mostrava mais astuto, mais serio, mais maduro, mais ligado, e que tinha uma beleza de movimentos que me fazia olhar para ele com outros olhos, era talvez ou pelo menos no momento a escolha perfeita se fosse ficar com um deles para mim, além de tudo era o mais belo da ninhada, a natureza tinha olhado para ele com carinho!
Os dias passavam e o “Dollar” nome de registo, teimava em ser diferente, em ser melhor se isso é possível num cachorro de 8 semanas, mas era! Tinha um andar altivo, era o único que me ladrava quando me via, eu senti nele o mesmo que senti no pai em cachorro, tinha alma, transmitia personalidade, era ligado e meigo. As dúvidas ecoavam na minha cabeça, o que faria eu com aquele cachorro, fico com ele pensava uma vez, não posso, dizia-me a minha consciência. Tinha demasiada fé e ligação com aquele cachorro para o vender a um perfeito desconhecido para fazer dele quem sabe uma jóia, ou o mais certo mais um cãozinho medíocre de Parar, não podia deixar que isso acontecesse, a este não, este era especial, tinha ligação e isso não é fácil.
Toda a ninhada desenvolvia aptidões muito grandes, todos a Parar e nas brincadeiras necessárias do cobro todos eles melhor ou pior cobravam peças de caça congeladas.
Decidi então oferecer este cachorro a um Amigo, que tenho grande estima, e que me dava as garantias de fazer dele aquilo que eu faria se ficasse com ele. Pois bem, foi treinado por um outro Amigo, que conhecia bem a ninhada e os progenitores, o Piçarra, que deu ao cachorro todas as bases e o ajudou a desenvolver as suas capacidades.
Agora já nas mãos do dono e na sua primeira época de caça, em caça Brava confirmou as minhas expectativas, é um cão valoroso, de muito nariz e muito caçador, trabalhador como o Pai e com outros atributos vindos do Pai, que tem dado ao seu dono momentos únicos de maestria e beleza dignos de um cão já feito e mais velho, mas algo nele desde muito novo lhe ditava um futuro promissor, venham agora as Galinholas, pois filho de dois becaderos de excelência seguramente dará conta do recado da mesma maneira que os seus progenitores. Agora com nome de Família de “Goia” o qual não poderia ser melhor escolhido, pois transpira arte como o artista que lhe da agora nome!
Fico acima de tudo feliz pelo percurso deste cachorro e de alguns que sei quem são os donos e me vão dando noticias, como uma irmã dele a “Dânia” que com apenas 7 meses parou 2 galinholas numa manhã de caça, onde o dono eufórico me liga a contar a quente a novidade, que a mim sinceramente não me surpreende.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Diz-me como tratas os teus cães e dir-te-ei quem és.

Esta frase pode parecer estranha a muitas pessoas, mas o seu conteúdo é demasiado sério para fingirmos que não tem qualquer nexo nos dias de hoje.
Para mim assumido Becadero o cão é o actor principal a par com a Bela Ave, eu sou apenas um mero actor secundário que por vezes dá por finda a representação, pelo que tenho uma imensurável paixão pelos meus cães, tudo o que lhes posso dar não é comparável ao que eles me dão não só mas sobretudo no campo, um ladrar alegre e sincero quando chego a casa é para mim uma bênção.
Um cão bom ou mau merece o seu espaço a sua comida e o carinho de um dono dedicado, não podemos só parece-lo, temos sobretudo que sê-lo, não podemos ser cínicos de nos acharmos puros e distintos por defender uma causa e deixarmos para segundo plano os nossos cães, especialmente cães de Galinholas. Temos de cuidar dos nossos cães diariamente, têm de sair, têm de passear, de conviver connosco, de se sentirem felizes e acima de tudo nos concederem o papel de donos. Este papel é importantíssimo, um Cão de Parar é um ser mágico, maravilhoso, capaz de nos proporcionar momentos únicos, mas será que nós lhes proporcionamos momentos idênticos?
Será que aqueles cães que não saem o ano todo de um canil minúsculo, que não vêm a cara do dono durante semanas, onde quem lhes dá uma palavra ou aquele olhar cúmplice é a empregada ou a sogra, têm uma vida feliz fora das grandes arenas cinegéticas? Sinceramente não creio, um cão qualquer merece mais, um cão de parar nem se fala! Como se pode exigir de um cão que numa abertura tenha a resistência para uma manhã exigente de caça, quando está pesado, em baixo de forma com as patas assadas, pois há meses que só conhecem o cimento do canil.
Está na hora de sermos conscienciosos, de olharmos pelos nossos cães como eles merecem, de os vacinarmos atempadamente e não no dia de tirarmos as licenças, de lhes darmos campo, boa alimentação, não os deixarmos engordar e sermos para eles um companheiro no dia a dia e não somente quando deles precisamos, são como atletas de competição, requerem treino, boa alimentação, e um equilíbrio psicológico para que estejam preparados para as grandes jornadas, para que cada lance transmita a alegria única de um verdadeiro Cão de Parar.

Com ou sem a mão humana!?

Com muitos ou poucos defeitos, somos um país de pessoas civilizadas, ou pelo menos a maioria de nós gabamo-nos disso, o caçador auto-intitula-se e citando uma frase que agora pegou moda, “ecologista” concordo até que sejamos todos um pouco ou até muito mais conscienciosos da natureza, da sua fragilidade, do nosso lugar perante ela e das consequências dos nosso actos, o caçador moderno é diferente, não é melhor nem pior que o velho de pele enregelada de botas duras e frias, que via a caça e a natureza com outros olhos, que achava que a caça só por si era auto-suficiente e que para criar bem apenas carecia de bons ventos que lhe torcessem a bonança na altura devida e a chuva na abertura da geral. O caçador moderno por força da educação, da televisão da sua mais apurada consciência ecologista fruto de vários factores tem outra ideia, a caça carece da nossa ajuda para sobreviver ao ponto de nos permitir ter jornadas proveitosas sem colocar em perigo gerações vindouras. Os campos já não são cultivados, os invernos secos e a diminuição de terrenos de caça faz com que a mão humana seja fundamental, comedouros e bebedouros, são imprescindíveis, uma real consciência do numero de efectivos de cada espécie e delimitar o limite de abates é fundamental para uma actividade cinegética sustentada, por mais que isso nos custe.


terça-feira, 11 de agosto de 2009

Cão Perfeito, realidade ou utopia?

Não sei se é utopia ou uma realidade presente, tenho o privilégio de conviver com variadíssimos cães de caça e de competição das mais diversas raças, pelo que me é cada vez mais difícil perceber o que é o cão Perfeito, pois quantos mais vejo, mais difícil se torna a minha avaliação do cão Perfeito.
Privo com alguns dos mais conceituados cães Europeus, cães únicos que nunca deveriam chegar a velhos e largar os campos, pelo que o meu padrão de cão perfeito é talvez um misto de utopia e realidade.
Para mim o cão perfeito é aquele que acima de tudo tem uma ligação privilegiada com o seu dono, aquele que tem atitudes e olhares quase humanos, capaz de nos arrepiar com expressões pouco habituais que notoriamente comunica connosco, que sabe estar em qualquer situação, com um carácter vincado e único mas suficientemente humilde e inteligente para saber quem está no topo da hierarquia, a partir daqui entra o comum a todos os cães, o ensino. O ensino transforma o cão no super cão, aliado a características genéticas do próprio individuo o comum cão de caça transforma-se no cão “perfeito” ou quase, pelo menos aos nossos olhos.
Para mim um cão Perfeito tem de ter um carácter muito especial que o distingue dos demais a capacidade invulgar de comunicar comigo, muita humildade, paixão pela caça e pelo dono, um nariz normal e a capacidade e inteligência para saber caçar com o Nariz que tem seja muito ou pouco, (pois há muito cão com muito nariz e não tem cabeça para acompanhar o nariz que tem!) uma paragem firme e uma guia que nos leve com subtileza e autoridade até à peça de caça e, claro está um cobro eficiente, pois cão que não cobra está longe, muito longe da perfeição! E claro está a beleza dentro dos padrões da raça!
Até hoje tenho para mim como o cão Perfeito, ou o mais perto dessa definição o falecido Braco Alemão do Piçarra, Uster, que foi Campeão do Mundo, fazia provas de St. Huberto como nenhum outro, ganhou em caça-prática e primavera, era um cão de Galinholas de sonho e um cão de caça PERFEITO e, tinha aquilo que eu identifico num cão como essencial, um carácter quase Humano, até hoje foi o cão que mais se aproximou dos meus padrões de perfeição, ou talvez tenha ele mesmo definido os meus padrões de Cão Perfeito.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Galinholas anilhadas, duvidas e mitos.


Apesar de pouco frequente por vezes um caçador abate uma galinhola anilhada e, depara-se com um problema entre mãos, o que fazer com a anilha?
Muitas vezes por desconhecimento, falta de vontade ou até, por receio de ficar sem a anilha, que para muitos é uma espécie de troféu pouco usual, não dão o seguimento devido a este assunto.
Pois bem a anilha não tem de ser devolvida, fica na posse do caçador, apenas lhes é solicitado os dados gravados na mesma, esses sim de extrema importância para o estudo da ave e da sua espécie, são também necessários alguns dados do caçador da ave e da localização geográfica onde esta foi abatida.
Apenas é necessário relatar o abate por e-mail e deixar um contacto e depois esperar que o ICN contacte a solicitar mais informações. Sendo Galinholas é de todo importante relatar o abate desta ave ao CCB em França, pois este organismo leva a cabo largos e detalhados estudos desta ave e, esta informação é importantissima para o seu trabalho.
Caso o caçador seja uma pessoa interessada pelos aspectos que rodeiam esta enigmática ave, poderá levar a cabo sem despender muito do seu tempo alguns estudos complementares sobre esta ave em particular, como:
Pesar a ave, para uma posterior comparação.
Fotografar a ave e a anilha que a acompanha.
Medir o comprimento do bico.
Medir o comprimento das asas.
Situar através do Google Earth a localização (em coordenadas) de onde a ave foi abatida.
Enviar as informações para:
dhe@icn.pt e http://clubnationaldesbecassiers.net/index.php?option=com_contact&view=category&catid=12&Itemid=56
Desta forma mais precisa ajudará aos complexos estudos efectuados sobre as Galinholas, bem como dignificará o nome da classe dos caçadores.

Centro de Estudos de Migração e Protecção das Aves (Cempa)
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O CEMPA – Centro de Estudo de Migrações e Protecção de Aves foi criado a 9 de Março de 1976, através de Despacho do Secretário de Estado do Ambiente publicado em Diário da República a 20 de Março, e integrado no então Serviço de Estudos do Ambiente.A sua criação dava resposta à necessidade de integrar Portugal nos programas de estudo e protecção internacionais de aves da Região Paleárctica, tendo em conta a nossa situação geográfica, extensão da zona costeira e a existência de importantes estuários, o que nos permite ocupar uma posição particularmente importante nas rotas migratórias.
Tornava-se portanto pertinente a centralização e coordenação das actividades relacionadas com o estudo das aves.
Nas suas atribuições constam a investigação e promoção de medidas de conservação, divulgação dos problemas e resultados respeitantes ao estudo das aves, bem como a centralização, coordenação e divulgação da anilhagem e recaptura de aves. Esta última acção visa obter e tratar os respectivos dados e responder às solicitações das diversas centrais europeias de anilhagem.
Foi então estruturada no seu âmbito a Central Nacional de Anilhagem, para coordenar a actividade dos anilhadores, apoiar a sua formação e recolher, organizar e tratar os dados por eles obtidos no decurso da actividade.
Em 1993, através do Decreto-Lei nº 193/93, o CEMPA foi integrado no Instituto da Conservação da Natureza, sendo inserido na Direcção de Serviços de Conservação da Natureza – Divisão de Habitats e Ecossistemas. Tem como objectivos principais:
Promover, apoiar e desenvolver estudos técnico-científicos e programas de monitorização, sobre a avifauna nacional e os seus habitats; e
Fornecer suporte técnico para a tomada de decisão no âmbito da política de Conservação da Natureza.

O que é a anilhagem de aves
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As Aves sempre exerceram um forte fascínio sobre o Homem, dividido entre a admiração pelas suas cores, cantos, formas e voo,, por um lado e a curiosidade pelos seus hábitos e os seus movimentos migratórios, por outro.
O interesse pelas suas migrações, assim como o colorido e a visibilidade de um grande número de espécies, ressaltam como principais explicações para esta atracção.
Algumas são residentes, não se afastando muito do local onde nasceram, mas outras levam a cabo grandes viagens (que podem atingir os milhares de quilómetros e as centenas de horas de voo), cujos ciclos dependem das estações do ano, realizados no mesmo país, região, ou entre continentes.
A anilhagem científica é um método de investigação que se baseia na marcação individual das aves. Qualquer registo de uma ave anilhada, obtido através da sua recaptura e posterior libertação ou quando a ave é encontrada morta, poderá fornecer muita informação acerca da vida dessa ave, e em particular, sobre os seus movimentos.
Através da interpretação dos dados obtidos durante a actividade de anilhagem é possível conhecer muito mais acerca das populações e das diversas espécies, bem como sobre as características dos indivíduos que as compõem. Assim, quando uma ave cai na rede de um anilhador, procura-se obter toda a informação possível, podendo por vezes ir-se para além daquela que habitualmente se recolhe. Esta situação deve sempre seguir os procedimentos estabelecidos pela Central Nacional, e verificar-se apenas nos casos em que estudos específicos e autorizados assim o exijam.
A análise das deslocações das aves anilhadas permite definir as suas rotas migratórias e as áreas de repouso ou paragem, disponibilizando deste modo informação crucial para o planeamento de sistemas integrados de áreas protegidas para a avifauna.
Paralelamente, com base na informação recolhida através da recaptura de aves anilhadas, pode obter-se um conjunto de parâmetros populacionais, tais como a taxa de sobrevivência e o sucesso reprodutor, essenciais para a determinação das causas de variações numéricas das populações de aves.Objectivos da Anilhagem
A anilhagem é hoje aceite como ferramenta de investigação essencial na maioria dos países do mundo. Em muitos casos, a urgência de conservação de algumas espécies impõe mesmo programas específicos e intensivos de marcação e controlo, tendo como principal objectivo a obtenção rápida de indicadores que possam ser traduzidos em medidas concretas sobre os habitats ou factores de ameaça.
Como tal, e em conformidade com as orientações emanadas pela EURING (organismo coordenador da anilhagem na Europa) e com a legislação internacional e nacional em vigor, a anilhagem deve ser cada vez mais encarada não apenas como um “passatempo” ou algo agradável, mas como uma actividade que, para além de envolver custos, envolve também riscos para as aves que são capturadas e manuseadas. Assim, deve ter-se atenção à necessidade cada vez maior de uma definição clara dos objectivos a atingir com a actividade, para cada um dos anilhadores ou grupos de anilhadores, atendendo a que a grande maioria destes desenvolve esta actividade num contexto amador.
É também fundamental o estabelecimento de metodologias apropriadas e uniformes, adequadas às diferentes situações, que, por sua vez, possam ser traduzidas em resultados fiáveis e comparáveis.
Por fim, e para além do envio habitual dos dados ao banco de dados da Central Nacional, este esforço deve ser traduzido na publicação dos resultados, quer em formatos simples quer, depois de devidamente tratados, através de artigos ou outros tipos de publicações.
No entanto, e procurando ajudar os anilhadores na persecução destas orientações, devem estes ter em conta os objectivos principais da anilhagem científica:
Ajudar à compreensão e esclarecimento dos movimentos e das estratégias migratórias;
Identificar e monitorizar as áreas mais importantes para as migrações; e
Monitorizar as populações.
A anilhagem de aves encontra-se regulamentada através do Decreto-Lei nº 140/99, de 24 de Abril (artigo 18º), que transpõe as Directivas Comunitárias Aves (79/409/CEE) e Habitats (92/43/CE) para a legislação nacional.

Contacto
Instituto da Conservação da Natureza Central de Anilhagem. Rua Filipe Folque Nº46 5º andar 1050-114 Lisboaq TEL: 351 21 351 04 40 FAX: 351 21 357 47 71 E-mail: dhe@icn.pt

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A Galinhola no Mundo.

 
Embora para nós Portugueses a sua denominação seja bastante distinta dos nossos vizinhos espanhóis que a chamam de “Bécada” bastante semelhante aos Franceses “Bécasse”, a sonorização e o significado do nome em Português “Galinhola” não nos transmite a beleza e misticismo da melódica palavra francesa “bécasse”.
Também nós à semelhança dos espanhóis temos mais que um nome para esta ave, sendo que na zona sul nomeadamente no Algarve é chamada de “Gamarra” e, um pouco por todo o país e sobretudo na gíria dos caçadores de Galinholas é também muito utilizado o termo “Bicuda”, talvez a complexa língua de Camões não tenha um nome tão pomposo como a Bela Dama merece, já que a palavra Galinhola é no mínimo pouco adequada para os que dedicam o seu tempo a esta ave, de Bécadero em Espanha, a Bécassier em França, para Galinheiro em Português, pois seria essa a denominação correcta para um caçador de Galinholas Português, felizmente nenhum caçador gosta deste nome algo básico e a roçar o desprestigio, já que em nada tem a ver com Galinhas como dá a entender o nome, mas sim com uma nobre disciplina da caça, este facto levou à importação e adopção da palavra bécadero, pouco portuguesa mas bem mais prestigiante e acima de tudo elegante de dizermos que somos caçadores de Galinholas.
Em toda a Europa e Ásia é denominada de diversas formas, fica aqui a sua denominação comum nos vários países onde se encontra.


AR: دجاجة الأرض
CN: 丘鷸
CZ: Sluka lesní
DE: Waldschnepfe
DK: Skovsneppe
ES: Chocha Perdiz / Becada
FI: Lehtokurppa
FR: Bécasse des bois
GR: Μπεκάτσα
HE: חרטומן יערות
HU: Erdei szalonka
IT: Beccaccia
JP: ヤマシギ
KR: 멧도요
NL: Houtsnip
NO: Rugde
PL: Słonka
PT: Galinhola / Algarve Gamarra
RU: Вальдшнеп
SK: Sluka lesná
SW: Morkulla
TR: Çulluk
UK: Woodcock
UO: Вальдшнеп

Outras Galinholas no Mundo:


Scolopax mira
Habitat:
habita nas colinas arborizadas pontilhada com campos verdes de cana-de-açúcar das ilhas japonesas de Ryu-Kyu e é muito difícil de distinguir da galinhola comum.



Scolopax bukidnonensis
Habitat: habita nas Filipinas em zonas de montanha e floresta sub-tropical e tropical húmida.





Scolopax saturata
Habitat: é uma população endémica das ilhas Java e Sumatra, na Indonésia.a sua população é pouco conhecida, embora sejam vistas com maior regularidade Parque Nacional Gunung Gede Pangrango,em Java. Habita em zonas húmidas de floresta entre os 1.500 e 3.000 metros de altitude.
 
Scolopax celebensis
Habitat:
habita em matas húmidas e áreas verdes nas planícies inundadas de Sulawesi.




Scolopax rochussenii
Habitat:
é uma ave que habita em zonas interiores de floresta tropical nas montanha das ilhas Molucas, onde em períodos mais secos pode deslocar-se para zonas mais baixas a cerca de 500m de altitude.
 
 
Scolopax minorHabitat: A Galinhola Americana pode ser encontrada em florestas com áreas abertas, jovens florestas e áreas agrícolas abandonadas, com vegetação lenhosa para procurarem alimento.
Também zonas húmidas e inundadas são locais de grande predilecção para esta ave.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A Escolha acertada.

Com a Abertura não tão distante quanto isso, neste momento muitos caçadores deparam-se com a possível aquisição de um futuro companheiro de caça, a escolha acertada de um cão de Parar nunca foi tarefa fácil, vários são os factores que deveremos ter em conta, especialmente num cão de Galinholas, para que a próxima época seja um sucesso.
O que devemos então ter em conta na escolha de um exemplar.
Primeiro que tudo, escolhermos uma raça que gostemos, pois nada pior que caçarmos com um cão com que não nos identificamos, por melhor que seja terá sempre defeitos!
Devemos ponderar todas as condicionantes, o tipo de terreno é fundamental, a nossa ligação aos exemplares e a ligação que gostamos que um cão tenha para connosco, pois este factor varia consoante a raça, é importante a forma como gostamos de ver um cão trabalhar e termos um cão que esteja em sintonia com a nossa forma de caçar, estes são pontos fundamentais que deveremos analisar na escolha de um exemplar, mas há mais.
Em primeiro lugar temos que ponderar a aquisição de um cão adulto já a caçar ou um cachorro, são coisas distintas, um cão caçado dá-nos certezas, ou quase, de que teremos uma época com lances e paragens eficazes mesmo comprando o exemplar nas vésperas da caça, já um cachorro é algo a médio prazo, ou longo tendo em conta a esperança média de vida de um cão, mas um cachorro não nos dá qualquer garantia de vir a ser um cão de Galinholas, muito menos nos dará salvo em raras excepções os lances bem trabalhados e finalizados com belas paragens que tanto ansiamos, a diferença é que o poderemos “moldar” á nossa forma de caçar.
Em segundo lugar temos de ponderar que raça vamos escolher, acima de tudo devemo-nos identificar com a eleita, consoante o tipo de terrenos devemos escolher uma raça de pelo longo ou curto, consoante a nossa ligação ao companheiro, deveremos escolher um exemplar de uma ou outra raça, sabendo que há raças mais ligadas e outras mais independentes, mais ou menos calmas em casa, no carro ou com outros cães.
Acima de tudo devemos perceber que todas as raças no geral têm a capacidade de nos dar bons exemplares para esta disciplina, mas algumas em particular adaptam-se com maior facilidade a esta caça dura e exigente, em primeiro lugar os Britânicos e no topo da Lista está o Setter Inglês, sem duvida a raça mais utilizada nas Galinholas pela sua fineza de nariz, capacidade de entrega em terrenos complicados e pela sua plasticidade e facilidade de guiar em terrenos fechados e sujos faz dele o eleito da maioria dos caçadores, embora hajam outras raças válidas e bem adaptadas, ficam em seguida os estalões de trabalho das raças mais utilizadas neste tipo de caça, para que de alguma forma seja mais fácil percebermos as diferentes características de cada raça a fim de escolhermos em consciência, pois nada há pior que termos um cão que não gostamos!

SETTER INGLÊS.

O GALOPE é amplo, suave, elegante, rápido, nem nervoso nem impetuoso, mas fluído e flexível, rasante e próximo do solo. O dorso permanece horizontal, aparentemente imóvel. A cauda fica posicionada no prolongamento da coluna vertebral, sem agitar, com tendência a permanecer baixa, em forma de cimitarra. Nas mudanças de direcção, esta pode funcionar como pêndulo. Nas mudanças de velocidade, pode variar de altitude e nomeadamente elevar-se nos abrandamentos.
O PORTE DA CABEÇA fica posicionado no prolongamento da linha dorsal ou ligeiramente acima deste. Nos exemplares que têm um porte de cabeça “em forma de martelo”, este defeito torna-se inestético, mas pode ser compensado por uma posição excelente do pescoço. A cabeça é móvel e sempre em busca da emanação, podendo esta característica causar mudanças durante a busca.
A BUSCA do Setter Inglês é naturalmente cruzada, ampla, permitindo uma exploração subtil do terreno disponibilizado. O treino permite aumentar a sua amplitude. A busca do Setter Inglês não é rectilínea nem rígida, serpenteando ligeiramente com facilidade e inteligência nos lances.
A PARAGEM. Assim que o Setter Inglês entra no campo de uma emanação, todo o seu corpo se baixa e fica ainda mais próximo do solo. Apenas a cabeça e a trufa permanecem elevadas e acima da vegetação. Seguidamente, retoma o cone da emanação, por vezes através de passos rápidos e bruscos, o mais directamente possível, abrandando a sua velocidade, prudente e desconfiado, mas com os músculos contraídos, por uma tensão extrema, como um felino, tentando através desta acção insidiosa aproximar-se o mais possível da peça de caça.
Se. se aperceber da ausência de caça, ele retoma então a sua busca e o seu galope habituais.
Se, pelo contrário, se certificar da presença de caça, abranda cada vez mais e fica petrificado na paragem, com o focinho expressivo, os olhos brilhantes, a cauda esticada acompanhando a linha dos rins, mas mais elevada e um pouco mais arqueada que no galope. Se a subida da emanação for demorada, a paragem pode ser elevada uma vez que a emanação se encontra muito distante do cão. Pelo contrário, uma emanação mais próxima e súbita provocará uma paragem muito mais rasante e próxima do solo. A acção felina observa-se particularmente em terreno descoberto pois o Setter Inglês tem medo de ser visto pela caça. Pelo contrário, com vento favorável numa vegetação suficientemente desenvolvida, a paragem pode ser efectuada de pé, com as articulações pouco flectidas.
O DESLIZAR é uma das características da raça. Quando a peça tenta fugir apeada (ou após a paragem à ordem do condutor), o Setter Inglês segue-a (ou aproximar-se desta) numa acção excepcional concentrando toda a sua vontade em não perder o contacto a fim de a bloquear, tal como um felino.
A PARAGEM POR SIMPATIA do Setter Inglês corresponde à imagem da sua personalidade: fluída, flexível e frequentemente correspondente ao estilo das suas paragens.
TEMPERAMENTO. O criador da raça, de seu nome Edward Lawerack, utilizou um cruzamento de Braco espanhol e Pointer francês por volta do ano de 1800 para chegar ao belo exemplar que hoje conhecemos. O nome Setter (deriva da palavra sitting) é explicado pela forma original como esta raça se senta após ter encontrado a caça. Possui um faro excepcional que lhe permite detectar a passagem da caça mesmo horas depois. É um caçador incansável, adaptando-se bem a qualquer tipo de terrenos e resistente às intempéries e ao calor estival. Trabalha muito bem sob as ordens de um único dono. Embora a sua função original seja a caça, facilmente se adaptou à vida em casa. Uma vez que é bastante obediente e não ladra desnecessariamente, pode ser criado em espaços pequenos, não dispensando a sua dose de exercício diário. É que apesar de muito ligado ao dono, o Setter Inglês preza também a sua liberdade.
Obediente, afectuoso e com bons reflexos.
Características morfológicas: O Setter Inglês é um cão de tamanho médio (53 - 62cm), de pêlo ligeiramente ondulado, e apresenta-se nas seguintes colorações: preto e branco (Blue Belton), laranja e branco, amarelo e branco, castanho e branco ou tricolor por mistura destas cores. A coloração deve ser malhada, não sendo aceites as pelagens unicolores. A cabeça, comprida e magra sem exagero, é de "stop" bem marcado e o crânio oval de uma orelha a outra. As orelhas de comprimento médio e implantação baixa, descaem em forma
de prega contra a face. Os olhos, brilhantes, doces e expressivos, são desde a cor avelã até ao castanho-escuro, variando conforme a tonalidade da pelagem.O seu aspecto geral é o de um cão muito elegante que, pelo seu aspecto, transmite a ideia de um cão leve e de movimentos "flutuantes".

POINTER

Todas as faculdades devem convergir num único objectivo: PROCURAR E ENCONTRAR a caça com ESTILO E PAIXÃO.
A facilidade e elegância soa seus andamentos conferem-lhe um galope alongado, rápido, com um ritmo constante e deslocações em linhas rectas.
O pescoço deve estar bem saliente em relação aos ombros e esticado.
A CABEÇA é posicionada acima do prolongamento da linha dorsal e a linha do chanfro ligeiramente levantada.
Com um olhar atento, investiga o terreno de longe para o utilizar com inteligência e exprimir a sua paixão pela caça.
Os membros anteriores devem procurar apoio sobre o solo o mais para a frete possível. No salto, estes sobem em direcção À posição horizontal, permitindo assim um passo máximo.
O movimento deve ser amplo, subtil e harmonioso.
De perfil, pode-se ver o tronco oscilar ligeiramente, mas a linha dorsal permanece direita e esticada, apenas os rins flectem-se para baixo e distendem-se como uma mola enquanto que os membros posteriores se projectam ao máximo para trás através de um impulso potente.
A CAUDA é posicionada no prolongamento dos rins, nunca acima deste, e no galope rectilíneo pode oscilar ligeiramente de alto a baixo.
A BUSCA é cruzada com os lances amplos e rectilíneos (em função do terreno) e busca procurando a caça através das emanações que correm nos ventos.
Nas condições ideias, quando se apercebe de uma emanação, abandona brutalmente a sua busca para subir rapidamente a emanação com decisão e autoridade e terminar com uma paragem súbita, brusca, como se tivesse chocado contra uma barreira invisível.
A percepção desta emanação deve traduzir-se através de uma reacção cuja subitaneidade demonstre a violência.
Nesta paragem brutal e súbita, fica hirto, escultural, com o pescoço esticado, a cabeça no prolongamento ou acima da linha dorsal, o chanfro na horizontal ou bem erguido, as narinas dilatadas, o olhar fulgurante, as orelhas levantadas ao máximo, os músculos contraídos e salientes, tendo um membro anterior frequentemente flectido ou um membro posterior esticado e muito chegado atrás.
Permanece assim imóvel com uma expressão de segurança absoluta. Se a peço tentar fugir apeada, ele indica a localização esticando-se ainda mais, levantando o chanfro para não perder a emanação.
O DESLIZAR ávido, decisivo e dominador, também poderá exprimir-se através de uma sucessão de paragens bruscas características da raça.
NA PARAGEM POR SIMPATIA, o cão que vê inesperadamente o seu parceiro, se este já estiver parado e no caso de estarem próximos um do outro, deve parar com a mesma autoridade (embora numa posição menos esticada); se estiverem distanciados, a “paragem por simpatia” poderá ser precedida de um breve deslizar.
TEMPERAMENTO: O Pointer é o resultado de uma multiplicidade de cruzamentos entre as mais diversas raças, Cães deste tipo surgiram um pouco por toda a Europa, mas particularmente na Península Ibérica. O Pointer surgiu na Inglaterra por volta do século XVI e parece ter descendido dos pointers ibéricos.O tipo moderno que conhecemos hoje existe há cerca de 80 anos e foi a primeira raça a ser registada. Desde sempre utilizado na caça, este cão possui um porte atlético e grande agilidade conseguindo percorrer longas distâncias em corrida. O nome Pointer advém do facto de, em actividade de caça, o cão parar e "apontar" com o focinho e olhos na direcção da presa. Carácter afável, meigo mas independente, sem se tornar num cão chato e sedento de festas.
Características morfológicas: O Pointer é um cão de tamanho médio (54 - 62cm), de pelo curto e apresenta as seguintes colorações: branco e laranja, branco e preto ou branco e fígado, sendo as colorações unicolores e tricolores também aceites. A cabeça de linhas craniofaciais convergentes, tem um "stop" bem acentuado. O seu focinho é um tanto côncavo, terminando ao mesmo nível do nariz, o que lhe dá uma aparência ligeiramente encovada. As orelhas estão implantadas bastante altas e assumem uma forma triangular. A cor dos seus olhos é de avelã ou castanho, variando conforme a cor da pelagem. A expressão é meiga e inteligente. O seu aspecto geral é de um cão de constituição atlética onde se realça um peito bastante largo e profundo, bem como a forte musculatura dos seus membros. Visto de perfil, da cabeça à cauda, é constituído por um conjunto de curvas graciosas, o que lhe dá um aspecto de força e beleza.