segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Boas Novas.

Passado pouco menos de 1 ano da informação que dei ao Instituto de Conservação da Natureza através da Central de Anilhagem sobre o abate de uma Galinhola anilhada chegou agora por carta a informação disponível sobre esta ave.
Esta ave foi anilha pelo Sr. François GOSSMANN (Administrateur National du Réseau Bécasse ONCFS/FNC/FDC) na Estação de Anilhagem de Paris.


Informação enviada.

Idade: 2 anos
Sexo: Desconhecido
Nº Anilha: GY84415
Peso na anilhagem: 350 g c/anilha
Data de anilhagem: 30-03-2008
Coordenadas da anilhagem: 4526 N 0414 E
Anilhador: François GOSSMANN
País de anilhagem: França
Local de anilhagem: Chambles, Loire.
Distancia: 1857 km
Direcção: 215 graus
Tempo decorrido: 268 dias
Data da recaptura: 23-12-2008
Local da recaptura: Setúbal
Circunstâncias: Morta a tiro

Portanto verificamos que a cedência de informação sobre capturas de aves anilhdas às entidades competentes e descritas num outro artigo deste Blog é algo simples e sem tabus e é sem dúvida uma mais-valia que contribui para os estudos que vêm sendo elaborados a nível internacional. Pelo que vale a pena colaborar-mos nestes estudos, ser caçador também é isto!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Os primeiros pássaros.


Com as primeiras chuvas e as primeiras folhas secas da minha figueira no chão vêm os telefonemas com relatos dos primeiros avistamentos em território nacional do tão esperado ser de bico longo, dia a dia todos nós sabemos de mais um pássaro levantado aqui ou ali por um podengo numa caçada aos coelhos.
Acercam-se também de nós pensamentos mais enérgicos sobre como será a época que se avizinha, será uma época forte, virão em força, estarão onde as esperamos levantar? Estas e tantas outras questões vão-se pondo nas nossas mentes ou em conversas com companheiros de caça, saudáveis lembranças nos acercam, todos os nossos pontos quentes ficam rapidamente disponíveis na nossa mente como se um GPS se trata-se, sabemos já com a devida antecedência onde queremos ir, onde primeiro devemos procurar, dia a dia olhamos para a meteorologia, sabemos mais do tempo que vai na Rússia que os próprios serviços secretos do Kremlin, não há site que nos falhe, esperamos como uma velha vidente a olhar para os búzios e de uma forma mais ou menos infantil antever o seu percurso, olhamos para os ventos como bons ou maus presságios tal qual as linhas da vida na palma da mão lidas por uma cigana. Mas não, talvez não seja assim tão infantil, talvez seja a forma como cada um de nós lida com a ansiedade de 9 meses de espera, não cheguei ainda ao ponto de riscar dias num calendário, pois acho que a espera seria ainda mais dolorosa, luto contra o tempos com um filme aqui outro ali, uma perdiz e uma lebre morta aos cães mais novos para lhe dar alento e o olhar triste e conformado dos mais velhos ao ficarem em casa sabendo que os mais novos andam a divertir-se com as orelhudas e perdizes, mas os mais velhos não estão esquecidos, apenas com receio de se aleijarem ficam qual craque da bola, no banco, esperando para entrarem nos grandes palcos e nos grandes jogos, aqueles onde eles fazem a diferença.
A espera é sem dúvida longa e angustiante, mas estes momentos próximos são também eles mágicos, este nervoso miudinho, o passa a palavra dos primeiros avistamentos, os telefonemas, o acompanhar das migrações e a noite da véspera da primeira jornada são momentos de difícil explicação, apenas posso dizer que são momentos únicos que poucos entendem e ainda menos os vivem.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Galinholas na TV

O canal Caça e Pesca exclusivo da ZON TV Cabo apresenta no dia 13 de Outubro repetindo depois outras vezes em dias e horas distintos, um programa sobre a caça às Galinholas em Portugal.
Este filme foi integralmente filmado em Portugal e com realização portuguesa.
Este filme mostra belas imagens e lances de grande beleza em terrenos típicos de Galinholas onde os cães são os maiores protagonistas.

"Esta emblemática espécie cria paixões entre os caçadores portugueses. Pela mão de um campeão do mundo de Santo Huberto (Jorge Piçarra) e de outros caçadores, vamos conhecer a caça a esta ave migratória na zona da costa vicentina.Às 18:00 dia 13/10 no canal CAÇA E PESCA

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A Historia de uma Promessa chamada Dollar.

Desde há muito que tinha a intenção de fazer uma ninhada, mas só com a aquisição da UVA é que da intenção passei à prática, não a fiz pelo dinheiro, não a fiz por necessidade de ter mais um cão, pois não o queria, fi-la por gosto, ou talvez mais por convicção, a forte convicção de que tinha tudo para criar uma ninhada de cães de boas linhas, boas origens e acima de tudo equilibrados e muito caçadores.
Com 3 machos distintos que poderia ter escolhido, a escolha recaiu pelo que me transmite mais, pelo meu companheiro de sonhos, o Faruck.
Feita a monta era hora de esperar, os típicos 2 meses passaram com normalidade, chegada a hora vieram as questões e as expectativas de quem faz uma primeira ninhada, serão como os imagino, darão o que pretendo, serão tão bons como os pais!?!?
Só o tempo revelaria isso, mas a impaciência levava-me a fazer ao mês e meio o teste da pena, e a ter a maioria da ninhada de 8 machos e 2 fêmeas a parar à pena, mas já desde essa altura havia um diferente, aquele que a natureza me colocou em primeiro lugar nas mãos, e que se mostrava mais astuto, mais serio, mais maduro, mais ligado, e que tinha uma beleza de movimentos que me fazia olhar para ele com outros olhos, era talvez ou pelo menos no momento a escolha perfeita se fosse ficar com um deles para mim, além de tudo era o mais belo da ninhada, a natureza tinha olhado para ele com carinho!
Os dias passavam e o “Dollar” nome de registo, teimava em ser diferente, em ser melhor se isso é possível num cachorro de 8 semanas, mas era! Tinha um andar altivo, era o único que me ladrava quando me via, eu senti nele o mesmo que senti no pai em cachorro, tinha alma, transmitia personalidade, era ligado e meigo. As dúvidas ecoavam na minha cabeça, o que faria eu com aquele cachorro, fico com ele pensava uma vez, não posso, dizia-me a minha consciência. Tinha demasiada fé e ligação com aquele cachorro para o vender a um perfeito desconhecido para fazer dele quem sabe uma jóia, ou o mais certo mais um cãozinho medíocre de Parar, não podia deixar que isso acontecesse, a este não, este era especial, tinha ligação e isso não é fácil.
Toda a ninhada desenvolvia aptidões muito grandes, todos a Parar e nas brincadeiras necessárias do cobro todos eles melhor ou pior cobravam peças de caça congeladas.
Decidi então oferecer este cachorro a um Amigo, que tenho grande estima, e que me dava as garantias de fazer dele aquilo que eu faria se ficasse com ele. Pois bem, foi treinado por um outro Amigo, que conhecia bem a ninhada e os progenitores, o Piçarra, que deu ao cachorro todas as bases e o ajudou a desenvolver as suas capacidades.
Agora já nas mãos do dono e na sua primeira época de caça, em caça Brava confirmou as minhas expectativas, é um cão valoroso, de muito nariz e muito caçador, trabalhador como o Pai e com outros atributos vindos do Pai, que tem dado ao seu dono momentos únicos de maestria e beleza dignos de um cão já feito e mais velho, mas algo nele desde muito novo lhe ditava um futuro promissor, venham agora as Galinholas, pois filho de dois becaderos de excelência seguramente dará conta do recado da mesma maneira que os seus progenitores. Agora com nome de Família de “Goia” o qual não poderia ser melhor escolhido, pois transpira arte como o artista que lhe da agora nome!
Fico acima de tudo feliz pelo percurso deste cachorro e de alguns que sei quem são os donos e me vão dando noticias, como uma irmã dele a “Dânia” que com apenas 7 meses parou 2 galinholas numa manhã de caça, onde o dono eufórico me liga a contar a quente a novidade, que a mim sinceramente não me surpreende.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Diz-me como tratas os teus cães e dir-te-ei quem és.

Esta frase pode parecer estranha a muitas pessoas, mas o seu conteúdo é demasiado sério para fingirmos que não tem qualquer nexo nos dias de hoje.
Para mim assumido Becadero o cão é o actor principal a par com a Bela Ave, eu sou apenas um mero actor secundário que por vezes dá por finda a representação, pelo que tenho uma imensurável paixão pelos meus cães, tudo o que lhes posso dar não é comparável ao que eles me dão não só mas sobretudo no campo, um ladrar alegre e sincero quando chego a casa é para mim uma bênção.
Um cão bom ou mau merece o seu espaço a sua comida e o carinho de um dono dedicado, não podemos só parece-lo, temos sobretudo que sê-lo, não podemos ser cínicos de nos acharmos puros e distintos por defender uma causa e deixarmos para segundo plano os nossos cães, especialmente cães de Galinholas. Temos de cuidar dos nossos cães diariamente, têm de sair, têm de passear, de conviver connosco, de se sentirem felizes e acima de tudo nos concederem o papel de donos. Este papel é importantíssimo, um Cão de Parar é um ser mágico, maravilhoso, capaz de nos proporcionar momentos únicos, mas será que nós lhes proporcionamos momentos idênticos?
Será que aqueles cães que não saem o ano todo de um canil minúsculo, que não vêm a cara do dono durante semanas, onde quem lhes dá uma palavra ou aquele olhar cúmplice é a empregada ou a sogra, têm uma vida feliz fora das grandes arenas cinegéticas? Sinceramente não creio, um cão qualquer merece mais, um cão de parar nem se fala! Como se pode exigir de um cão que numa abertura tenha a resistência para uma manhã exigente de caça, quando está pesado, em baixo de forma com as patas assadas, pois há meses que só conhecem o cimento do canil.
Está na hora de sermos conscienciosos, de olharmos pelos nossos cães como eles merecem, de os vacinarmos atempadamente e não no dia de tirarmos as licenças, de lhes darmos campo, boa alimentação, não os deixarmos engordar e sermos para eles um companheiro no dia a dia e não somente quando deles precisamos, são como atletas de competição, requerem treino, boa alimentação, e um equilíbrio psicológico para que estejam preparados para as grandes jornadas, para que cada lance transmita a alegria única de um verdadeiro Cão de Parar.

Com ou sem a mão humana!?

Com muitos ou poucos defeitos, somos um país de pessoas civilizadas, ou pelo menos a maioria de nós gabamo-nos disso, o caçador auto-intitula-se e citando uma frase que agora pegou moda, “ecologista” concordo até que sejamos todos um pouco ou até muito mais conscienciosos da natureza, da sua fragilidade, do nosso lugar perante ela e das consequências dos nosso actos, o caçador moderno é diferente, não é melhor nem pior que o velho de pele enregelada de botas duras e frias, que via a caça e a natureza com outros olhos, que achava que a caça só por si era auto-suficiente e que para criar bem apenas carecia de bons ventos que lhe torcessem a bonança na altura devida e a chuva na abertura da geral. O caçador moderno por força da educação, da televisão da sua mais apurada consciência ecologista fruto de vários factores tem outra ideia, a caça carece da nossa ajuda para sobreviver ao ponto de nos permitir ter jornadas proveitosas sem colocar em perigo gerações vindouras. Os campos já não são cultivados, os invernos secos e a diminuição de terrenos de caça faz com que a mão humana seja fundamental, comedouros e bebedouros, são imprescindíveis, uma real consciência do numero de efectivos de cada espécie e delimitar o limite de abates é fundamental para uma actividade cinegética sustentada, por mais que isso nos custe.


terça-feira, 11 de agosto de 2009

Cão Perfeito, realidade ou utopia?

Não sei se é utopia ou uma realidade presente, tenho o privilégio de conviver com variadíssimos cães de caça e de competição das mais diversas raças, pelo que me é cada vez mais difícil perceber o que é o cão Perfeito, pois quantos mais vejo, mais difícil se torna a minha avaliação do cão Perfeito.
Privo com alguns dos mais conceituados cães Europeus, cães únicos que nunca deveriam chegar a velhos e largar os campos, pelo que o meu padrão de cão perfeito é talvez um misto de utopia e realidade.
Para mim o cão perfeito é aquele que acima de tudo tem uma ligação privilegiada com o seu dono, aquele que tem atitudes e olhares quase humanos, capaz de nos arrepiar com expressões pouco habituais que notoriamente comunica connosco, que sabe estar em qualquer situação, com um carácter vincado e único mas suficientemente humilde e inteligente para saber quem está no topo da hierarquia, a partir daqui entra o comum a todos os cães, o ensino. O ensino transforma o cão no super cão, aliado a características genéticas do próprio individuo o comum cão de caça transforma-se no cão “perfeito” ou quase, pelo menos aos nossos olhos.
Para mim um cão Perfeito tem de ter um carácter muito especial que o distingue dos demais a capacidade invulgar de comunicar comigo, muita humildade, paixão pela caça e pelo dono, um nariz normal e a capacidade e inteligência para saber caçar com o Nariz que tem seja muito ou pouco, (pois há muito cão com muito nariz e não tem cabeça para acompanhar o nariz que tem!) uma paragem firme e uma guia que nos leve com subtileza e autoridade até à peça de caça e, claro está um cobro eficiente, pois cão que não cobra está longe, muito longe da perfeição! E claro está a beleza dentro dos padrões da raça!
Até hoje tenho para mim como o cão Perfeito, ou o mais perto dessa definição o falecido Braco Alemão do Piçarra, Uster, que foi Campeão do Mundo, fazia provas de St. Huberto como nenhum outro, ganhou em caça-prática e primavera, era um cão de Galinholas de sonho e um cão de caça PERFEITO e, tinha aquilo que eu identifico num cão como essencial, um carácter quase Humano, até hoje foi o cão que mais se aproximou dos meus padrões de perfeição, ou talvez tenha ele mesmo definido os meus padrões de Cão Perfeito.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Galinholas anilhadas, duvidas e mitos.


Apesar de pouco frequente por vezes um caçador abate uma galinhola anilhada e, depara-se com um problema entre mãos, o que fazer com a anilha?
Muitas vezes por desconhecimento, falta de vontade ou até, por receio de ficar sem a anilha, que para muitos é uma espécie de troféu pouco usual, não dão o seguimento devido a este assunto.
Pois bem a anilha não tem de ser devolvida, fica na posse do caçador, apenas lhes é solicitado os dados gravados na mesma, esses sim de extrema importância para o estudo da ave e da sua espécie, são também necessários alguns dados do caçador da ave e da localização geográfica onde esta foi abatida.
Apenas é necessário relatar o abate por e-mail e deixar um contacto e depois esperar que o ICN contacte a solicitar mais informações. Sendo Galinholas é de todo importante relatar o abate desta ave ao CCB em França, pois este organismo leva a cabo largos e detalhados estudos desta ave e, esta informação é importantissima para o seu trabalho.
Caso o caçador seja uma pessoa interessada pelos aspectos que rodeiam esta enigmática ave, poderá levar a cabo sem despender muito do seu tempo alguns estudos complementares sobre esta ave em particular, como:
Pesar a ave, para uma posterior comparação.
Fotografar a ave e a anilha que a acompanha.
Medir o comprimento do bico.
Medir o comprimento das asas.
Situar através do Google Earth a localização (em coordenadas) de onde a ave foi abatida.
Enviar as informações para:
dhe@icn.pt e http://clubnationaldesbecassiers.net/index.php?option=com_contact&view=category&catid=12&Itemid=56
Desta forma mais precisa ajudará aos complexos estudos efectuados sobre as Galinholas, bem como dignificará o nome da classe dos caçadores.

Centro de Estudos de Migração e Protecção das Aves (Cempa)
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O CEMPA – Centro de Estudo de Migrações e Protecção de Aves foi criado a 9 de Março de 1976, através de Despacho do Secretário de Estado do Ambiente publicado em Diário da República a 20 de Março, e integrado no então Serviço de Estudos do Ambiente.A sua criação dava resposta à necessidade de integrar Portugal nos programas de estudo e protecção internacionais de aves da Região Paleárctica, tendo em conta a nossa situação geográfica, extensão da zona costeira e a existência de importantes estuários, o que nos permite ocupar uma posição particularmente importante nas rotas migratórias.
Tornava-se portanto pertinente a centralização e coordenação das actividades relacionadas com o estudo das aves.
Nas suas atribuições constam a investigação e promoção de medidas de conservação, divulgação dos problemas e resultados respeitantes ao estudo das aves, bem como a centralização, coordenação e divulgação da anilhagem e recaptura de aves. Esta última acção visa obter e tratar os respectivos dados e responder às solicitações das diversas centrais europeias de anilhagem.
Foi então estruturada no seu âmbito a Central Nacional de Anilhagem, para coordenar a actividade dos anilhadores, apoiar a sua formação e recolher, organizar e tratar os dados por eles obtidos no decurso da actividade.
Em 1993, através do Decreto-Lei nº 193/93, o CEMPA foi integrado no Instituto da Conservação da Natureza, sendo inserido na Direcção de Serviços de Conservação da Natureza – Divisão de Habitats e Ecossistemas. Tem como objectivos principais:
Promover, apoiar e desenvolver estudos técnico-científicos e programas de monitorização, sobre a avifauna nacional e os seus habitats; e
Fornecer suporte técnico para a tomada de decisão no âmbito da política de Conservação da Natureza.

O que é a anilhagem de aves
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As Aves sempre exerceram um forte fascínio sobre o Homem, dividido entre a admiração pelas suas cores, cantos, formas e voo,, por um lado e a curiosidade pelos seus hábitos e os seus movimentos migratórios, por outro.
O interesse pelas suas migrações, assim como o colorido e a visibilidade de um grande número de espécies, ressaltam como principais explicações para esta atracção.
Algumas são residentes, não se afastando muito do local onde nasceram, mas outras levam a cabo grandes viagens (que podem atingir os milhares de quilómetros e as centenas de horas de voo), cujos ciclos dependem das estações do ano, realizados no mesmo país, região, ou entre continentes.
A anilhagem científica é um método de investigação que se baseia na marcação individual das aves. Qualquer registo de uma ave anilhada, obtido através da sua recaptura e posterior libertação ou quando a ave é encontrada morta, poderá fornecer muita informação acerca da vida dessa ave, e em particular, sobre os seus movimentos.
Através da interpretação dos dados obtidos durante a actividade de anilhagem é possível conhecer muito mais acerca das populações e das diversas espécies, bem como sobre as características dos indivíduos que as compõem. Assim, quando uma ave cai na rede de um anilhador, procura-se obter toda a informação possível, podendo por vezes ir-se para além daquela que habitualmente se recolhe. Esta situação deve sempre seguir os procedimentos estabelecidos pela Central Nacional, e verificar-se apenas nos casos em que estudos específicos e autorizados assim o exijam.
A análise das deslocações das aves anilhadas permite definir as suas rotas migratórias e as áreas de repouso ou paragem, disponibilizando deste modo informação crucial para o planeamento de sistemas integrados de áreas protegidas para a avifauna.
Paralelamente, com base na informação recolhida através da recaptura de aves anilhadas, pode obter-se um conjunto de parâmetros populacionais, tais como a taxa de sobrevivência e o sucesso reprodutor, essenciais para a determinação das causas de variações numéricas das populações de aves.Objectivos da Anilhagem
A anilhagem é hoje aceite como ferramenta de investigação essencial na maioria dos países do mundo. Em muitos casos, a urgência de conservação de algumas espécies impõe mesmo programas específicos e intensivos de marcação e controlo, tendo como principal objectivo a obtenção rápida de indicadores que possam ser traduzidos em medidas concretas sobre os habitats ou factores de ameaça.
Como tal, e em conformidade com as orientações emanadas pela EURING (organismo coordenador da anilhagem na Europa) e com a legislação internacional e nacional em vigor, a anilhagem deve ser cada vez mais encarada não apenas como um “passatempo” ou algo agradável, mas como uma actividade que, para além de envolver custos, envolve também riscos para as aves que são capturadas e manuseadas. Assim, deve ter-se atenção à necessidade cada vez maior de uma definição clara dos objectivos a atingir com a actividade, para cada um dos anilhadores ou grupos de anilhadores, atendendo a que a grande maioria destes desenvolve esta actividade num contexto amador.
É também fundamental o estabelecimento de metodologias apropriadas e uniformes, adequadas às diferentes situações, que, por sua vez, possam ser traduzidas em resultados fiáveis e comparáveis.
Por fim, e para além do envio habitual dos dados ao banco de dados da Central Nacional, este esforço deve ser traduzido na publicação dos resultados, quer em formatos simples quer, depois de devidamente tratados, através de artigos ou outros tipos de publicações.
No entanto, e procurando ajudar os anilhadores na persecução destas orientações, devem estes ter em conta os objectivos principais da anilhagem científica:
Ajudar à compreensão e esclarecimento dos movimentos e das estratégias migratórias;
Identificar e monitorizar as áreas mais importantes para as migrações; e
Monitorizar as populações.
A anilhagem de aves encontra-se regulamentada através do Decreto-Lei nº 140/99, de 24 de Abril (artigo 18º), que transpõe as Directivas Comunitárias Aves (79/409/CEE) e Habitats (92/43/CE) para a legislação nacional.

Contacto
Instituto da Conservação da Natureza Central de Anilhagem. Rua Filipe Folque Nº46 5º andar 1050-114 Lisboaq TEL: 351 21 351 04 40 FAX: 351 21 357 47 71 E-mail: dhe@icn.pt

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A Galinhola no Mundo.

 
Embora para nós Portugueses a sua denominação seja bastante distinta dos nossos vizinhos espanhóis que a chamam de “Bécada” bastante semelhante aos Franceses “Bécasse”, a sonorização e o significado do nome em Português “Galinhola” não nos transmite a beleza e misticismo da melódica palavra francesa “bécasse”.
Também nós à semelhança dos espanhóis temos mais que um nome para esta ave, sendo que na zona sul nomeadamente no Algarve é chamada de “Gamarra” e, um pouco por todo o país e sobretudo na gíria dos caçadores de Galinholas é também muito utilizado o termo “Bicuda”, talvez a complexa língua de Camões não tenha um nome tão pomposo como a Bela Dama merece, já que a palavra Galinhola é no mínimo pouco adequada para os que dedicam o seu tempo a esta ave, de Bécadero em Espanha, a Bécassier em França, para Galinheiro em Português, pois seria essa a denominação correcta para um caçador de Galinholas Português, felizmente nenhum caçador gosta deste nome algo básico e a roçar o desprestigio, já que em nada tem a ver com Galinhas como dá a entender o nome, mas sim com uma nobre disciplina da caça, este facto levou à importação e adopção da palavra bécadero, pouco portuguesa mas bem mais prestigiante e acima de tudo elegante de dizermos que somos caçadores de Galinholas.
Em toda a Europa e Ásia é denominada de diversas formas, fica aqui a sua denominação comum nos vários países onde se encontra.


AR: دجاجة الأرض
CN: 丘鷸
CZ: Sluka lesní
DE: Waldschnepfe
DK: Skovsneppe
ES: Chocha Perdiz / Becada
FI: Lehtokurppa
FR: Bécasse des bois
GR: Μπεκάτσα
HE: חרטומן יערות
HU: Erdei szalonka
IT: Beccaccia
JP: ヤマシギ
KR: 멧도요
NL: Houtsnip
NO: Rugde
PL: Słonka
PT: Galinhola / Algarve Gamarra
RU: Вальдшнеп
SK: Sluka lesná
SW: Morkulla
TR: Çulluk
UK: Woodcock
UO: Вальдшнеп

Outras Galinholas no Mundo:


Scolopax mira
Habitat:
habita nas colinas arborizadas pontilhada com campos verdes de cana-de-açúcar das ilhas japonesas de Ryu-Kyu e é muito difícil de distinguir da galinhola comum.



Scolopax bukidnonensis
Habitat: habita nas Filipinas em zonas de montanha e floresta sub-tropical e tropical húmida.





Scolopax saturata
Habitat: é uma população endémica das ilhas Java e Sumatra, na Indonésia.a sua população é pouco conhecida, embora sejam vistas com maior regularidade Parque Nacional Gunung Gede Pangrango,em Java. Habita em zonas húmidas de floresta entre os 1.500 e 3.000 metros de altitude.
 
Scolopax celebensis
Habitat:
habita em matas húmidas e áreas verdes nas planícies inundadas de Sulawesi.




Scolopax rochussenii
Habitat:
é uma ave que habita em zonas interiores de floresta tropical nas montanha das ilhas Molucas, onde em períodos mais secos pode deslocar-se para zonas mais baixas a cerca de 500m de altitude.
 
 
Scolopax minorHabitat: A Galinhola Americana pode ser encontrada em florestas com áreas abertas, jovens florestas e áreas agrícolas abandonadas, com vegetação lenhosa para procurarem alimento.
Também zonas húmidas e inundadas são locais de grande predilecção para esta ave.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Estalão Setter Inglês

Estalão de Beleza e Trabalho

ORIGEM: Grã-Bretanha.
DATA DE PUBLICAÇÃO DO STANDARD OFICIAL VÁLIDO: 28.07.2009
UTILIZAÇÃO: Cão de Parar
CLASSIFICAÇÃO FCI: Grupo 7 Cães de Parar
Secção 2.2 Cães de Parar Ingleses e Irlandeses, Setter.
Com prova de trabalho.

ASPECTO GERAL - De tamanho médio, contorno claro e de aparência e movimentos elegantes.

Talhe - altura na cernelha:
Machos: 58 a 62 cm (referência pelo Estalão Francês para linhas de trabalho) Fonte Centrale Canine
Fêmeas: 55 a 60 cm (referência pelo Estalão Francês para linhas de trabalho) Fonte Centrale Canine
Nota: 65 à 68 cm para os machos e 61 à 65 cm para as fêmeas (Estalão FCI).

Temperamento - muito ativo, com forte instinto de caça. Extremamente amistoso e de boa índole.

Pelagem- Pelos desde a nuca, alinhada com as orelhas, a pelagem é longa e sedosa, ligeiramente ondulada, mas nunca encaracolada; nos segmentos próximos dos membros anteriores e posteriores, cai, bem franjada.

Cor - preto e branco (azul belton), laranja e branco (laranja belton), limão e branco (limão belton), fígado e branco (fígado belton), ou tricolor, isto é, azul belton-e-castanho ou fígado, belton-e-castanho; aqueles sem manchas grandes pelo corpo, mas salpicadas (belton) são os preferidos.

Nota da Comissão de Estalões:
"BELTON" é um termo usualmente utilizado para a descrição da pelagem característica do seter inglês.
Belton é uma vila em Northumberland. Este termo foi criado e divulgado pelo livro sobre o setter inglês escrito pelo Sr. Edward Lavarack, criador que exerceu preponderante influência no actual aspecto da raça.

Cabeça - portada alta, longa, razoavelmente seca. A distância, da ponta da trufa ao stop, é igual ao comprimento do crânio, desde o stop até o occipital.

Crânio - bem desenvolvido, oval entre as orelhas, com a protuberância do occipital bem marcada.
Stop - bem definido.
Focinho - moderadamente, profundo e bem quadrado.
Trufa - de cor preta ou fígado, de acordo com a cor da pelagem. Narinas são largas.
Lábios - devem ser, moderadamente, pendentes.
Mordedura - maxilares fortes de comprimento aproximadamente igual.
Dentes perfeitos e mordedura em TESOURA perfeita, regular e completa. Dentes superiores articulam-se sobrepostos rentes aos inferiores e dispostos em posição ortogonal aos maxilares.
Olhos - ovais e inseridos no plano da pele, brilhantes, meigos e expressivos. Cor variando entre o avelã e o marrom escuro, melhor, o mais escuro. Somente na cor fígado belton, os olhos, mais claros são aceitáveis.
Orelhas - de comprimento médio, inserção baixa, portadas caídas, rente às faces, em dobra nítida; e a ponta aveludada, a região proximal é revestida de pelos finos e sedosos.

PESCOÇO - razoavelmente longo, musculoso e seco, levemente, arqueado na nuca e, nitidamente, recortado onde ele se articula com a cabeça. Na direcção do ombro, se alarga, bem musculoso, de forma elegante e sem barbela.

TRONCO - de comprimento médio.
Dorso - curto e nivelado.
Peito - profundo no ante-peito, boa profundidade entre as escapulas. Profundo, no prumo das costelas falsas, isto é, com a caixa torácica bem desenvolvida.
Costelas - arredondadas, bem arqueadas
Lombo - largo, ligeiramente arqueado forte e musculado.

MEMBROS
Anteriores
Ombros: oblíquos e bem angulados.
Cotovelos - bem baixos, trabalhando rente ao tórax.
Antebraços - rectos e bem musculados, com ossos de secção redonda.
Metacarpos - curtos, fortes, rectos e de secção redonda.
Patas - bem almofadadas, compactas, protegidas por pêlos entre os dígitos, bem arqueados.

Posteriores - bem musculados incluindo as pernas. Longos da garupa ao jarrete.
Coxas - Longas.
Joelhos - bem angulados.
Jarretes - bem curtos e, perfeitamente, direcionados para frente.
Patas - bem almofadadas, compactas, protegidas por pelos entre os dígitos, bem arqueados.

Cauda - inserida no alinhamento com o dorso, de comprimento médio, até, no máximo, o nível dos jarretes. Bandeira ou franjas pendentes em longas mechas. As franjas iniciando logo abaixo da raiz da cauda, são maiores no segmento medial e diminuem gradualmente para a ponta: pelos longos, brilhantes, macios e sedosos, ondulados, mas não encaracolados.
Portada quase nivelada ao dorso, em subtil curva ou em forma de cimitarra, sem tendência a se elevar, com movimento vigoroso.

Movimentação - fluente e graciosa, revelando velocidade e resistência. A movimentação
dos jarretes revela forte propulsão nos posteriores, que, vistos por trás, trabalham aprumados.
Cabeça portada naturalmente alta.

O Galope é amplo, suave, elegante, rápido, nem nervoso nem impetuoso, mas fluído e flexível, rasante e próximo do solo. O dorso permanece horizontal, aparentemente imóvel. A cauda fica posicionada no prolongamento da coluna vertebral, sem agitar, com tendência a permanecer baixa, em forma de cimitarra. Nas mudanças de direcção, esta pode funcionar como pêndulo. Nas mudanças de velocidade, pode variar de altitude e nomeadamente elevar-se nos abrandamentos.

O Porte de cabeça fica posicionado no prolongamento da linha dorsal ou ligeiramente acima deste. Nos exemplares que têm um porte de cabeça “em forma de martelo”, este defeito torna-se inestético, mas pode ser compensado por uma posição excelente do pescoço. A cabeça é móvel e sempre em busca da emanação, podendo esta característica causar mudanças durante a busca.

A Busca do Setter Inglês é naturalmente cruzada, ampla, permitindo uma exploração subtil do terreno disponibilizado. O treino permite aumentar a sua amplitude. A busca do Setter Inglês não é rectilínea nem rígida, serpenteando ligeiramente com facilidade e inteligência nos lances.

A Paragem Assim que o Setter Inglês entra no campo de uma emanação, todo o seu corpo se baixa e fica ainda mais próximo do solo. Apenas a cabeça e a trufa permanecem elevadas e acima da vegetação. Seguidamente, retoma o cone da emanação, por vezes através de passos rápidos e bruscos, o mais directamente possível, abrandando a sua velocidade, prudente e desconfiado, mas com os músculos contraídos, por uma tensão extrema, como um felino, tentando através desta acção insidiosa aproximar-se o mais possível da peça de caça.
Se. se aperceber da ausência de caça, ele retoma então a sua busca e o seu galope habituais.
Se, pelo contrário, se certificar da presença de caça, abranda cada vez mais e fica petrificado na paragem, com o focinho expressivo, os olhos brilhantes, a cauda esticada acompanhando a linha dos rins, mas mais elevada e um pouco mais arqueada que no galope. Se a subida da emanação for demorada, a paragem pode ser elevada uma vez que a emanação se encontra muito distante do cão. Pelo contrário, uma emanação mais próxima e súbita provocará uma paragem muito mais rasante e próxima do solo. A acção felina observa-se particularmente em terreno descoberto pois o Setter Inglês tem medo de ser visto pela caça. Pelo contrário, com vento favorável numa vegetação suficientemente desenvolvida, a paragem pode ser efectuada de pé, com as articulações pouco flectidas.

O Deslizar é uma das características da raça. Quando a peça tenta fugir apeada (ou após a paragem à ordem do condutor), o Setter Inglês segue-a (ou aproximar-se desta) numa acção excepcional concentrando toda a sua vontade em não perder o contacto a fim de a bloquear, tal como um felino.
A Paragem por simpatia do Setter Inglês corresponde à imagem da sua personalidade: fluída, flexível e frequentemente correspondente ao estilo das suas paragens.

Faltas: Qualquer desvio dos critérios acima mencionados considera-se uma falta e a sua gravidasde é considerada conforme o grau do desvio do padrão e suas consequências sobre a saúde e o bem-estar do cão, e a capacidade do cão de realizar a sua tarefa tradicional.

DESQUALIFICAÇÃO E FALTAS:
• Agressividade ou extrema timidez.
• Qualquer cão mostrando sinais claros de anormalidades físico ou comportamental deve ser desclassificado.
FCI-St. No. 2 / 28.10.2009
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N.B .:
• Os machos devem ter dois testículos de aparência normal, completamente descidos e acomodados na bolsa escrotal.
• Somente cães funcionais e clinicamente saudáveis, com a conformação típica da raça, devem ser usados para reprodução.