sábado, 31 de janeiro de 2015

Galinholas de final de época!


Mais uma Viagem longa e solitária, feita toda debaixo de muita chuva e vento, poderia até dizer que já estou habituado a estas viagens mas, a época já vai no fim e são muitos Km, já pesam, já custam, mas valem sempre a pena!
O dia nascia debaixo de um céu cinzento que aos poucos foi dando lugar a um misto de azul, um dia até bonito e pouco frio, quase a seco não fora um ou outro aguaceiro de pingos grossos que pouca moça fez, as estevas já apresentavam uma ou outra flor aqui e ali, era o prenuncio do final de época!
Galinholas muito poucas, as conhecidas não se apresentaram, à excepção de uma velha conhecida minha e sobretudo da Shiva, uma Galinhola à qual me sentia seu credor, pois já tinha sido parada uma vez pelo Don e incontáveis vezes pela Shiva, creio mesmo que já conheciam o perfume uma da outra, assim como a Galinhola conhecia o cheiro da pólvora dos meus cartuchos da única vez que me deixou atirar, mas que por mérito próprio não passou disso mesmo, cheiro a Pólvora no ar.
Como habitualmente a Galinhola estava na zona do costume, mais metro, menos metro, sempre se apresentou ali, confiante e profunda conhecedora do seu território, foi esse o seu ponto forte, foi por isso que conseguiu vezes sem conta sair tapada sem possibilidade de disparo, apesar de ter sido sempre parada pelos cães! O terreno não ajuda, é verdade mas, é aqui nestes terrenos difíceis e com este tipo de Galinholas, experientes e de final de época que se vê a qualidade de um cão! Parar Galinholas não chega, para este tipo de pássaros e de lances é necessário mais que um cão, é necessário um Grande Cão, que saiba manter as distancias, que saiba guiar um pássaro sem se deixar enganar, pois bem isso é a Shiva, isso foi a Shiva neste lance com este pássaro!
Esta Galinhola foi parada por várias vezes, a cadela ainda a chegou a ver num segundo levante, percebi isso porque a vi desfazer a mostra e correr rápido de cabeça no ar mas, pouco depois a Shiva estava novamente com ela e mais do mesmo, o mesmo de sempre, eu sirvo a cadela e a Galinhola já se tinha furtado, o terreno é despido no chão e fechado por cima, facilitando este teatro às Galinholas, mas a Shiva nestes momentos supera-se e, pouco depois serve-me esta Galinhola de bandeja, um autentico penalti, bem parada e bem abatida! Este pássaro merece o meu respeito, por tudo aquilo que fez e por todos os intensos momentos que me proporcionou!


domingo, 25 de janeiro de 2015

Até ao lavar dos cestos é vindima!


A madrugada começava com mais uma longa e solitária viagem, acompanhado apenas pelos meus pensamentos, pensei um pouco em tudo, dos cães, passando pelas galinholas, até ao trabalho, tudo me veio à cabeça!
-2ºC era o que me esperava pela 7:30h da manhã, um manto branco cobria o couto, o Sol tímido parecia que não queria sair detrás do cabeço mais alto onde de Inverno se esconde até mais tarde. O Don era o eleito, pois as cadelas tinham ido ontem, numa jornada em que não vi nenhuma Galinhola, creio mesmo que foi a única jornada esta época em que não fiz nenhum levante! Comecei cedinho, o Don não tem horários, para ele é indiferente, enquanto me vestia ele gania e ladrava, aquela espera por mais pequena que seja, é para ele o maior dos martírios e nada que eu diga ou faça o faz acalmar!
Não demorou muito até que o Don me mostra as Perdizes, pouco depois um trabalho lindíssimo do cão, a parar e a guiar uma Galinhola numa zona muito complicada, tentei acompanhar o lance por fora da mancha, tentando que o pássaro se mostra-se mas, afinal ela tinha rodado novamente para trás, mas é difícil darem a volta ao Don, pois ele volta a fazer tocar o beeper, numa zona mais fácil, quando me acerco do cão tive a certeza que ele estava com ela, erradamente servi o cão por trás, a Galinhola obviamente saiu pela frente e muito tapada, ao ponto de só a ver já ela ia larga, errei-a! Mea Culpa, nisto das Galinholas nada é certo, nada é fácil! 
Passado cerca de meia hora, o Don, volta a parar outra, corri mas ela sai larga antes de me ajeitar a gosto, era a segunda errada em pouco tempo! Começava a ficar com aquela "azia" típica do momento, e 10 minutos depois o Don, está novamente com outra Galinhola no nariz, o beeper não se cala, o pássaro deu voltas e voltas em pouco terreno, até que o Don a entala numa zona muito fechada, o beeper toca, toca e toca, coloco-me de frente para o cão que estava deitado em mostra já dentro do mato, a Galinhola arranca para cima do cão dando tempo apenas para 1 tiro, que fiquei sem saber se tinha dado ou não, infelizmente não lhe dei! A "azia" piorava, debitei de rajada todo o dicionário de asneiras que conheço, creio até que inventei umas novas!
Pouco depois o Don volta a parar, quando sirvo o cão, ouço por detrás dele uma Galinhola a levantar, não a vi só a ouvi, a coisa ia de mal a pior, tinha o estômago na boca, nada corria bem!
Desistir não é algo que tenha a ver comigo, superar as adversidades é algo que me caracteriza mas, há dias que as coisas são difíceis de superar! A caminho do carro o Don faz tocar o beeper no cimo de um cabeço, eu cá em baixo no vale entre cabeços vejo a Galinhola sair vale a baixo ao segundo beep, creio que lhe toquei já larga ao primeiro tiro e, enrolo-a num segundo tiro a mais de 40 metros, caindo "seca" e prontamente cobrada pelo Don. Pensava para comigo, erro as de penalti e marco com um tiro do meio campo, a caça é isto mesmo!
Já perto do carro o Don, lindíssimo em mostra todo deitado, oferece-me outro penalti, que desta vez não falho, a coisa de repente tinha melhorado mas, melhorava mais ainda, pois o Don teimava em me dar mais uma alegria, parando uma outra que sai rapidíssimo mas que é abatida já quando se encobria, bem cobrada e era mais um Cupo do Don, o terceiro da época, vai somando cupos, como lhe chamo por graça "Sr. Cupo"
Isto da caça é como em muita coisa na vida, desistir é coisa de fracos, mesmo que por vezes seja o mais fácil e pareça o mais lógico! Até ao lavar dos cestos é vindima! 

Obrigado Don



sábado, 10 de janeiro de 2015

Deu para tudo!


A manhã começava fria, com temperaturas de -3º C, nada que inibisse o Don de parar uma Galinhola a não mais de 50 metros do carro eu, ainda frio, completamente enregelado sirvo o cão que, imóvel me indicava que ali estava uma Galinhola, já que nada mais me indicava o quer que fosse, pois o beeper não cantava, tinha-me esquecido de o ligar. A Galinhola sai e encobre-se logo com um sobreiro que é alvejado com 40 gramas de chumbo que não lhe eram destinados. Pouco depois o Don faz agora sim tocar o beeper, creio sem certezas ser a mesma Galinhola, desta vez a sorte sorriu-me a mim, a Galinhola era abatida ao primeiro tiro.
O Don seguia num ritmo alucinante, entra novamente em mostra, faz um trabalho fantástico, a distancia que ele levou o pássaro à frente ou, o pássaro o levou atrás, dependendo da perspectiva, foi surreal, ao ponto de eu já achar que seria uma Lebre e não uma Galinhola, foram cerca de 10 minutos de mostras e guias, passámos caminhos e corta-fogos o que me levava a pensar que não seria uma Galinhola, o Don sempre sem perder o contacto, acabou por bloquear a Galinhola saindo esta muito perto de mim, sendo facilmente abatida.
Depois disto uma outra que nos proporcionou 7 ou 8 levantes, nunca dando hipótese de me chegar a tempo ao cão, vi-a várias vezes mas sempre a sair larguíssima.
O Don longe de mim faz novamente tocar o Beeper, a zona era bonita com estevas altas e pinheirinhos, depois da mostra longa enquanto esperava que eu me acercasse, seguiu-se uma guia lindíssima, até que bloqueia com autoridade esta Galinhola, sendo abatida e cobrada numa zona fechada, era o Cupo para mim, muito cedo ou, demasiado cedo, o Don desconhecedor de cupos, regras, leis ou convicções, continuou a parar Galinholas para meu deleite até chegarmos ao carro, eu, ia-lhes apontando o dedo em vez do cano, sorriso largo via aquilo como um brinde para o Don enquanto a mim servia para me encher ainda mais um Ego que numa manhã fria estava ao rubro e a transbordar.  

Grande Don! Obrigado! 





sábado, 3 de janeiro de 2015

Shiva, sem palavras!


Ainda a quente após uma jornada inolvidável, faltam-me as palavras para descrever esta manhã de caça, assim como me faltam adjectivos para descrever a minha Shiva.
Após um inicio que tem sido igual há semanas, onde uma velha e teimosa amiga voltava a ser mais esperta, saindo antes de servir a cadela, fui em busca de uma outra conhecida, pelo caminho a Shiva foi-me brindando com um festival de Perdizes paradas, das verdadeiras, vermelho coral nas patas e bico, mas essas ficam para o ano!
A nossa amiga do eucaliptal, estava lá! A Shiva para-a a uns 30 metros, eu pensei que a Galinhola estivesse mais perto da cadela mas, não estava! Ao caminhar em direcção à cadela a Galinhola levanta, encastelando quase em câmara lenta em direcção à copa dos eucaliptos. Confesso que fiquei encantado com tamanha beleza, a Galinhola mostrou-se toda, muito perto de mim, demasiado perto, fiquei deslumbrado e, quando acordei daquele maravilhoso momento, estava já desfasado do lance e errei esta Galinhola com 2 tiros, não faz mal, fica para outro momento destes!
Era tempo de esquecer a Dama Encantada, e ir ver de uma outra Dama Embruxada, esta ultima, estava noutra encosta mas a Shiva lá deu com ela, parou-a em 2 levantes e eu errei-a no segundo, um tiro largo.
De volta para o carro que estava distante, a 2 horas de caminho, decido fazer uma visita a um cantinho onde todos os anos a partir de Janeiro, vá-se lá saber porquê, entra uma Galinhola, a Shiva fica logo em mostra fora da mancha, depois a partir daí foi pura magia de uma cadela que sabe o que tem de fazer, guias intermináveis, eu, dentro dos possíveis tentava acompanhar a cadela, tarefa complicada naquela zona, íngreme e muito fechada, difícil de andar e dar o devido seguimento ao lance, a Shiva sempre com ela pela frente, até um quase silencioso primeiro levante, depois mais acima a Shiva volta a para-la, a Galinhola sai e eu erro-a com 2 tiros, não era definitivamente o meu dia, 3 galinholas paradas pela cadela, 3 Galinholas erradas por mim... enfim...são dias!
Já a chegar ao carro, completamente derreados devido a um terreno demasiado dobrado e difícil e a um calor anormal, caçava já de manga arregaçada, fecho aberto e tinha bebido 1 litro de água, a Shiva tem ainda a classe e frieza de me parar um casal de Galinholas, onde consigo cobrar a primeira que levantou para a esquerda e a segunda que sai para a direita consegue no ultimo momento encobrir-se com o limite do cabeço, adiando assim um Doble tão esperado. Fica para recordar uma magnifica jornada da Shiva, uma demonstração clara de carácter, paixão e empenho. 
Obrigado Shiva!




quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A Fechar 2014.

Esta seria a ultima jornada de 2014, um ano que se apresentou fraco de Galinholas no que respeita à época de 2014/15, mas isso já é do conhecimento geral. Hoje tinha a oportunidade de fechar a época numa zona onde tinha caçado na passada semana, pois bem, parei o carro no mesmo local, desta vez sem pisar terrenos desmatados, fui ver as zonas com mais mato, um terreno de montado e pinheiros, salpicado de manchas de sargaço curtinho e zonas duras de tojo e pinheiros novos, terrenos de muito bom aspecto que o Don sabia como percorrer. Batemos aquelas zonas todas, de trás para a frente e nada, as coisas estavam feias, as zonas mais apetecíveis não tinham nada, apenas uma mostra do Don a 3 perdizes alegrava a jornada, ao cair do pano, já com o carro à vista o Don atira-se para o chão em mostra, o beeper toca, guia, pára volta a guiar, até que a Galinhola sai muito perto de mim, abatida com calma, pouco comum em mim! O Don salvou a jornada com um pássaro sacado a ferros, quase encostado ao carro e mesmo a terminar, um cão concentrado faz estas coisas, seja no inicio, meio ou fim, se elas se apresentam, é para parar. Venham mais em 2015!

Desta forma encerramos 2014, desejando a todos um excelente 2015, com tudo de bom para os Amigos Becaderos e seguidores deste Blog.

Pena a maquina de filmar ser outra e a definição não ser a melhor.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Leve quem levar.

O Don e a Elma tinham saído no dia anterior, tinham inclusive feito uma jornada magnifica, desta vez levava a Shiva para procurar uns pássaros esquivos que sabia onde estavam, felizmente neste momento tenho total confiança em todos os meus cães e leve quem levar, o resultado é o mesmo.
Logo a abrir um pássaro dificílimo, perto de onde deixo normalmente o carro, um pássaro que já foi parado pela Elma, pela Shiva e pelo Don, mas que levanta sempre antes de me deixar chegar, pois bem, desta vez não foi diferente, a Shiva fica em mostra, o beeper toca e antes de me chegar à cadela ela levanta, mais do mesmo, a estratégia tem de ser outra, a minha cabeça já maquina a estratégia a seguir para contornar a questão.
A passos largos lá fui ver das que sabia onde estavam, a Shiva fica cravada com uma numa encosta de pinhos novos plantados em chão escuro e sem pasto, um local muito apetecível para elas, sirvo a cadela que ao me sentir desliza uns metros e fica novamente em mostra, a Galinhola sai algum tempo depois, rente ao Chão, tive de atirar de joelho em terra de forma a ver o pássaro, 2 tiros, não mando a cadela cobrar pois achei que não lhe tinha tocado mas, uns 200 ou 300 metros à frente a cadela pára e a Galinholas dá um salto para levantar mas, com uma asa partida não fazia mais que tentar levantar vezes sem conta, mandei a cadela cobrar e aí estava a primeira.
Não muito longe do local a Shiva novamente em mostra, corro e a Galinhola ao 3 toque do beeper, já me sai pelas costas do outro lado do caminho, a uns 30 metros da cadela, um tiro atabalhoado, o possível e aí vai ela cheia de saúde!
Depois imbuído nos meus pensamentos enquanto passava ao lado de uma franja pequena de eucaliptos que não tem mais de 40 mt por 15 mt, pensava para comigo, "todos os anos aqui mete 1 ou 2 pássaros e este ano miserável nem uma" nesse instante a Shiva faz o beeper tocar, corro e entro por trás da cadela, antes de me encostar à cadela e de me posicionar, a Galinholas sai sem conseguir atirar, ui que nervos, não vi sequer para onde ela tinha ido e dava por terminada a jornada, feita de muitos km percorridos e muitas emoções proporcionadas por uma cadela muito especial!


sábado, 27 de dezembro de 2014

Belos momentos!

Mais uma bela jornada na companhia do Amigo Ricardo Freitas, que se fez à estrada assim que o desencaminhei, de madrugada fez 400 Km, para vir ter comigo para mais uma jornada de Galinholas num couto que nenhum dos dois conhecia. 
Não sabia bem qual era a minha expectativa para esta jornada, ou se calhar até sabia, embora nem quisesse pensar nisso, pois a época está tão fraca que não me queria iludir. Combinamos o encontro às 7.30h e fizemos a restante meia hora até ao couto para estarmos como combinado com o gestor às 8.00h. Devo confessar que a primeira hora andei perdido e a fazer contas à vida, pois o terrenos de Galinholas tinha pouco, terreno gradado, sem ponta de mato, sem ponta de jeito! Lá me orientei e dei com um local bonito de sargaço numa zona sombria que convidava qualquer Galinhola que ali passasse. O Beeper toca pela primeira vez, acerco-me do Don que deitado tinha o pássaro completamente controlado, ajeito-me ao lado do cão, sabendo perfeitamente onde ela ia sair, dou um toque subtil no cão, um pequeno encosto de calcanhar, o Don recusa-se a andar, certificava-me que o pássaro estava mesmo ali, até que sai limpa para um cobro fácil!
Cheguei ao carro a meio da manhã e troquei de cão, saindo agora com a Elma. Ao longe vejo um bonito aglomerado de pinheirinhos novos, até a mim me cheirava, esperei pela cadela que de pronto se manda para o chão em mostra, o beeper toca, uma pequena guia e toca novamente, entro dentro da mancha de pinheiros, erradamente, pois deveria ter servido a cadela por fora da mancha, pois a Galinhola sai sem me dar hipótese de tiro, a Elma como sempre respeita o levante e fica no chão, eu nem conseguir ver a direcção do pássaro, fica para a próxima, ficando o magnifico desempenho da Elma a controlar bem a Galinhola.
Ainda deu para dois bonitos lances do Don e da Elma com Lebres, mas estas não estavam no cardápio e lá ficaram, temos de respeitar o combinado!




sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Elma abre o livro!

Segunda jornada consecutiva que ao chegar ao couto, desta vez um outro que sou brindado por uma Galinhola à passagem, 7:08h precisamente foi a hora que ela passou alta por cima do carro, com aquele voar inconfundível lá ia à sua vida. 
Cheguei cedo ao couto como sempre, levei comigo as cadelas deixando o Don em casa, saí primeiro com a Elma que, sendo a mais nova e com a escasses de pássaros tenho erradamente apostado mais naqueles que conheço e caço à mais anos, o típico problema de quem tem cães muito experientes e que depois se depara com mais uma nova aquisição, quem me dera ter desfrutado desta cadela na passada época onde a densidade de Galinholas era assombrosa, teria seguramente sido diferente!
Bati todos os cantinhos conhecidos e nada, elas este ano quando são abatidas nunca ou raramente à reposições, era o que estava a acontecer, até que, se levanta longe a uns 40 ou 50 metros de mim uma Galinholas, que silenciosa e rasante ao sargaço se tenta afastar de mim e da cadela que nem sequer a viu. Chamo a cadela e iniciamos a busca, pouco depois a Elma entra em mostra, numas estevas mais altas, num cantinho de bom aspecto, com pinheiros novos e um ou outro medronheiro que compunha a cena, a cadela guia, pára, guia, para e julguei que já não fosse nada, até que o pássaro sai completamente encoberta. Mea Culpa, os pássaros este ano estão assim, andarilhos, esquivos e complicados há que acreditar nos cães pois o nariz é deles! Vamos então calmamente à rebusca, numa zona menos típica a cadela perto de mim quebra o seu lindíssimo galope e atira-se para o chão, dou 3 passos acelerados e ao primeiro toque o beeper a Galinhola levanta, apanhando-me ainda sem posição e em movimento, faço um tiro de chofre e ela cai, fiquei feliz pelo lance da cadela, fiquei feliz por ter-lhe dado aquele pássaro, pois tinha merecido, fiquei feliz pela confirmação da sua qualidade becadera, e fiquei ainda mais feliz por saber que posso contar com ela da mesma forma que posso contar com o Don e a Shiva, pois não é uma suplente de luxo mais sim uma cadela de luxo, esta é a prova que beleza, estilo e ensino podem estar associadas a uma cadela de caça, pois a Elma parou, e respeitou e levante e o tiro, lindíssimo é o mínimo que se pode dizer!
11 horas era momento de trocar de cão, saio então com a Shiva, a expectativa confesso não era muita, já tinha pisado o terreno, faltava apenas um cantinho pequeno, pois é aí que a cadela numa regueira com um palmo de agua, fica em mostra, de pé, pouco típica dela, com tanta agua nem servi a cadela, nem sequer me fiz ao lance, pois não é que para meu espanto salta uma Galinhola completamente a descoberto que devia estar ali num cantinho mais seco, sem atirar, xingo-me a mim próprio, ainda a vi levantar-se larguíssima, voando para bem longe e já alta, como quem se vai afastar do perigo.
Foi mais uma jornada típica desta época, poucas Galinholas, poucos lances, difíceis mas intensos, onde os cães têm sido uma ajuda fenomenal sem eles seria impossível ir compondo quase uma a uma esta época tão atípica.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Shiva num verdadeiro momento de Galinholas!


A manhã começava cedo, já no couto, 7,15 na hora do lusco-fusco, vimos uma Galinhola que nos dava as boas-vindas, passou os eucaliptos e voou à nossa frente uns 30 ou 40 metros a não mais 5 metros de altura, linda, mostrou-se toda, bico, penas tudo, uma imagem lindíssima!
Esta época tem-se revelado escassa em Galinholas, pelo que, as poucas que se apresentam têm um sabor especial! É uma época atípica, os pássaros cobrados até agora são todos pássaros velhos, ainda não cobrei uma galinhola nova, o que só por si dificulta as coisas mas, os lances são sempre mais intensos, Galinholas a andar muito, cientes do perigo que representam cães e caçadores, a aguentarem pouco e a saírem anormalmente largas, com comportamentos muito "aperdizados". Esta é uma época para grandes momentos, é uma época de afirmação para cães de qualidade, são em épocas destas que dou mais valor aos meus cães.
Hoje a Shiva mostrou mais uma vez a sua polivalência, parando por duas vezes as vermelhas, uma lebre e, fez ainda um trabalho magnifico nas suas amadas Galinholas.
De inicio tentei encontrar uma Galinhola que se levantara à Shiva na passada semana e que já tinha numa destas quintas-feiras sido parada pela Elma, em nenhuma das ocasiões foi atirada e, ainda assim não estava no cantinho dela desta vez! Batendo o terreno crença a crença, fui perdendo a ilusão, nunca o ânimo, pelo que decido ir ver um canto que este ano ainda não tinha pisado, bendito feeling, a Shiva entra em mostra numa ponta de uma encosta, uma zona limpa de pasto, pinheiros e eucaliptos compunham o terreno, acerco-me o mais rápido possível da cadela, encontro-a em mostra deitada, típico dela, o beeper não se cala, até que ouço o pássaro sair numa zona mais tapada, vejo-a apenas numa aberta entre pinheiros, faço um tiro largo e vejo-a cair em cima da copa de um pinheiro e lá fica em cima de asa aberta, "Ui" dizia eu, pensando como cobraria aquele pássaro que estava tão perto e tão longe, felizmente que ela ainda viva, bate as asas a acaba por cair quase em cima de mim, terminava assim a angustia daquele cobro! Um lance bonito e enorme da Shiva que me dava alento para o resto da jornada.
A segunda foi numa encosta conhecida, ingre-me e muito, mas muito fechada, ouço o beeper tocar, tento subir rápido mas o terreno não ajuda, ainda longe da cadela, o beeper cala-se, vejo então algo a voar entre os pinheiros, a Galinhola vinha para o meu lado a 300km/h a rodar a encosta, difícil erro-a com os dois tiros, mas fica a imagem da galinhola a voar a descoberto, linda! Na próxima semana lá irei ao seu encontro!



quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O Maestro entra em cena!


Já dizia a velha sabedoria popular que, não há fome que não dê em fartura, pois bem hoje foi assim! As jornadas de Galinholas têm sido fracas em levantes e abates, uma época fraca composta principalmente por um efectivo adulto dá-nos a percepção de que a época de criação foi miserável, também os ventos não ajudaram na altura certa, assim, as jornadas em Portugal mas também em Espanha têm sido medíocres, todos se queixam mas, hoje foi diferente! O Don quis-me dar um presente merecido, inventando de forma magistral 4 Galinholas das quais consegui cobrar 3.
Foi sem duvida uma jornada emocionante, começámos a manhã numa zona mais alta do couto, sargaço e chaparros rodeados de um manto branco de nevoeiro compunham um cenário típico dos mais belos sonhos! Mas o sonho depressa se tornou em pesadelo, aquilo que era um terreno prometedor com todas as condições de albergar umas quantas Galinholas não tinha um único pássaro! Mais do mesmo pensava eu! Pelas 10h da manhã decidimos mudar para outra zona, mais baixa mas de aspecto muito idêntico.
Começava tudo de novo, o Don depressa dá com uma Galinhola, faz uma guia larguíssima e muito acelerada, o pássaro apeado sai longe e eu erro-a, não mais lhe pus a vista em cima, evaporou-se!
Decido então ver um local onde na passada semana tinha errado uma Galinhola, estava lá! Precisamente no mesmo sitio, o Don bailou ao ritmo dela, pára aqui, guia, volta a parar, guia, pára, isto repetia-se de forma repetida, até que num cantinho o Don bloqueia o pássaro que sai apenas à minha chegada, abatida e cobrada, era a primeira.
Logo depois ainda a pensar no lance anterior, numa zona mais despida o Don fica em mostra todo torcido com os quartos traseiros em terra, um lance lindíssimo, acerco-me e abato-a ao segundo tiro, mais um cobro e era a segunda.
Não contente o Don descobre um outro pássaro, numa zona bonita mas pouco farta em coberto vegetal, uma mostra, segue-se uma guia e novamente em mostra, acerco-me do cão, o pássaro sai, meio atabalhoada para se desvincular do sargaço e tojo que a prendia ao solo, deixo-a subir um pouco e sai um tiro fácil, penas brancas no ar e aí estava o cupo, não fossem os cartuchos Trust especial Galinhola, à distancia que foi abatida com um cartucho normal, teria ficado desfeita, pois bem esta tinha as asas partidas mas estava intacta!
Assim se fez mais uma jornada de sonho que guardarei na lembrança, numa época miserável, esta jornada vale muito! 

Obrigado Don!!!