segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Difíceis, soadas e erradas.

A semana passada ficou marcada por duas jornadas bem distintas, mas igualmente intensas, daquelas que ajudam a explicar porque é que continuamos a sair para o campo, independentemente do que a época nos dá.

Na quinta-feira, regressámos a um couto que conheço bem, mas onde já não caçava há vários anos. O terreno continua a ter a sua identidade própria, agora ainda mais marcado pela forte presença de javalis, que se fazem sentir a cada passo. Apesar disso, foi um dia de emoções forte, com os cães a proporcionarem um verdadeiro espetáculo nas perdizes bravas, mostrando muita paixão, inteligência e ligação ao terreno.

Ao longo da jornada levantámos seis galinholas diferentes. Houve cinco tiros, mas nenhuma acabou cobrada. Dias assim também fazem parte do jogo, fazem parte da caça tal como ela é, sem maquilhagens nem facilidades. Ficam os lances, o trabalho dos cães e a consciência de que isto não é fácil e nem sempre a sorte nos sorri, pássaros de levante também não ajudaram.


O sábado trouxe um cenário diferente. O dia começou feio, carregado, pouco convidativo, mas por volta das 9 horas abriu, dando-nos esperança de uma jornada seca. Havia menos pássaros e estavam muito mais difíceis, esquivos, exigindo tudo dos cães e do caçador.

O momento do dia acabou por chegar com uma galinhola particularmente complicada. Parada várias vezes pela Naja e pela Sibele, sempre com inteligência e pressão certa. Até que, finalmente, o cenário perfeito aconteceu, a Naja em mostra à minha direita, o Bery em patron, e a Sibele à minha esquerda, não em patron, mas também parada com ela. Um quadro bonito, daqueles que não se esquecem. A galinhola saiu larga, obrigando a um tiro difícil, seguido de um cobro ainda mais exigente, mas tudo acabou por correr bem. Um lance bonito, completo, intenso, que nos deixou a todos, a mim, ao Filipe e ao Duarte, num verdadeiro êxtase.


São momentos assim que ficam gravados, que cimentam Amizades. Lances que valem por uma época inteira, que justificam cada quilómetro, cada queda, cada dia menos bom. É por isto que continuamos a ir ao campo, faça chuva ou faça sol. É por isto que a caça nunca é apenas o resultado final.

Já no final da jornada, surgiu ainda um lance que parecia fácil, daqueles que normalmente se resolvem sem história. No entanto, acabei por falhar essa galinhola de forma escandalosa. Faz parte. Esta época tem sido marcada por estes falhanços inesperados, que servem de lembrete de que, na caça, nada é garantido e que a humildade anda sempre de mãos dadas com a espingarda. São também estes momentos que equilibram os grandes lances e fazem parte do jogo, tal como ele é.