segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

E assim terminámos a época.

Sábado marcou a última jornada de uma época longa. Contra todas as probabilidades de sucesso, e já em plena depressão Marta, decidi ainda assim ir ao campo. Saí mais tarde do que o habitual, procurando evitar o período mais duro de chuva e vento entre as 8h e as 9h, acabando por chegar ao couto por volta das 10 horas.

Logo no início, um enorme pinheiro caído atravessava o caminho, vítima de um inverno duro e das últimas depressões que têm castigado o país. Esse obstáculo acabou por ditar todo o desenrolar do dia e, em grande parte, estragar a jornada. Tentei contorná-lo para conseguir passar, mas acabei por ficar irremediavelmente atascado.

Enquanto aguardava ajuda para me tirarem daquela situação, ainda houve tempo para caçar. E foi nesse intervalo inesperado que consegui cobrar uma galinhola, que acabaria por ser a última da época, um fecho simbólico para mais um ano vivido no campo.

A saída revelou-se tudo menos simples. A pick-up que veio tentar ajudar ficou também presa, obrigando-nos a aguardar por um trator para resolver a situação. Assim se ditou o final da jornada, demasiado curta, fruto de uma teimosia minha.

No fim, fica a história para contar… e mais uma galinhola na memória. Porque, mesmo nos dias que correm mal, a caça continua a dar-nos aquilo que mais importa: experiências que ficam.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Difíceis, soadas e erradas.

A semana passada ficou marcada por duas jornadas bem distintas, mas igualmente intensas, daquelas que ajudam a explicar porque é que continuamos a sair para o campo, independentemente do que a época nos dá.

Na quinta-feira, regressámos a um couto que conheço bem, mas onde já não caçava há vários anos. O terreno continua a ter a sua identidade própria, agora ainda mais marcado pela forte presença de javalis, que se fazem sentir a cada passo. Apesar disso, foi um dia de emoções forte, com os cães a proporcionarem um verdadeiro espetáculo nas perdizes bravas, mostrando muita paixão, inteligência e ligação ao terreno.

Ao longo da jornada levantámos seis galinholas diferentes. Houve cinco tiros, mas nenhuma acabou cobrada. Dias assim também fazem parte do jogo, fazem parte da caça tal como ela é, sem maquilhagens nem facilidades. Ficam os lances, o trabalho dos cães e a consciência de que isto não é fácil e nem sempre a sorte nos sorri, pássaros de levante também não ajudaram.


O sábado trouxe um cenário diferente. O dia começou feio, carregado, pouco convidativo, mas por volta das 9 horas abriu, dando-nos esperança de uma jornada seca. Havia menos pássaros e estavam muito mais difíceis, esquivos, exigindo tudo dos cães e do caçador.

O momento do dia acabou por chegar com uma galinhola particularmente complicada. Parada várias vezes pela Naja e pela Sibele, sempre com inteligência e pressão certa. Até que, finalmente, o cenário perfeito aconteceu, a Naja em mostra à minha direita, o Bery em patron, e a Sibele à minha esquerda, não em patron, mas também parada com ela. Um quadro bonito, daqueles que não se esquecem. A galinhola saiu larga, obrigando a um tiro difícil, seguido de um cobro ainda mais exigente, mas tudo acabou por correr bem. Um lance bonito, completo, intenso, que nos deixou a todos, a mim, ao Filipe e ao Duarte, num verdadeiro êxtase.


São momentos assim que ficam gravados, que cimentam Amizades. Lances que valem por uma época inteira, que justificam cada quilómetro, cada queda, cada dia menos bom. É por isto que continuamos a ir ao campo, faça chuva ou faça sol. É por isto que a caça nunca é apenas o resultado final.

Já no final da jornada, surgiu ainda um lance que parecia fácil, daqueles que normalmente se resolvem sem história. No entanto, acabei por falhar essa galinhola de forma escandalosa. Faz parte. Esta época tem sido marcada por estes falhanços inesperados, que servem de lembrete de que, na caça, nada é garantido e que a humildade anda sempre de mãos dadas com a espingarda. São também estes momentos que equilibram os grandes lances e fazem parte do jogo, tal como ele é.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Uma manhã de sonho e muitas corridas.

Há dias no campo que ficam na memória, não pelo número de peças abatidas, mas pela qualidade dos lances e pela forma como os cães se exprimem. Este foi claramente um desses dias.

Desde os primeiros metros de terreno, a cadela mostrou-se em grande plano como sempre, o terreno não era fácil, exigente, daqueles que pedem tudo ao cão e ao caçador, mas isso pareceu apenas servir de palco para uma exibição de alto nível.

Ao longo da jornada, foram vistas três galinholas, todas bem trabalhadas. Num dos lances mais marcantes do dia, a cadela parou uma galinhola duas vezes em cerca de um minuto, demonstrando inteligência, equilíbrio notável e uma capacidade de rebusca. No segundo levante, a oportunidade surgiu e a galinhola foi atirada e abatida, coroando um trabalho irrepreensível da cadela.

Outro momento digno de registo foi um ponto firme e longo, em que demorei mais de dois minutos a chegar à cadela para a servir. Dois minutos de tensão, respeito pelo trabalho da cadela e admiração pela forma como ela segura os pássaros, quase que por feitiço, à espera que eu chegasse. São estes momentos que definem os grandes cães de caça.

No final do dia, mais do que o resultado, fica a satisfação de ter vivido uma jornada completa, com uma cadela fenomenal, lances de grande qualidade e aquela sensação de que tudo, cão, caçador e terreno, esteve em perfeita sintonia. É por dias assim que continuamos a voltar ao campo.