sexta-feira, 4 de março de 2011

Tempo de Balanço.

Finda mais uma época de Galinholas é tempo de retrospectiva e balanço.

Foi uma época atípica, diferente para muitos caçadores de Galinholas, os pássaros entraram tardiamente, fazendo até querer a muitos incluindo a mim mesmo que seria uma época fraca, das mais fracas dos últimos anos, zonas de excelência reduzidas a meia dúzia de Galinholas, as entradas típicas do final de Novembro a não acontecerem, Novembro foi aliás um mês para esquecer, sem entradas, sem levantes e sem abates para a maioria dos Becaderos onde me incluo, tendo os primeiros levantes acontecido já no mês do natal.
Alguns locais bem escolhidos iam compondo a época, ia somando pássaro a pássaro, apenas meia dúzia de dias com um numero significativo de levantes e que permitiram fazer o cupo das três.
Vários amigos caçadores quer portugueses quer espanhóis relatavam o que eu também me apercebera, que as galinholas eram praticamente todas velhas, o que tornava as coisas mais difíceis, mas ao mesmo tempo mais apetecíveis e emocionantes, era uma época para cães a sério e com experiencia, caçadores e cães inexperientes teriam uma grande dificuldade em compor a época, os pássaros eram demasiado complicados, galinholas andarilhas, demasiado andarilhas, que ao mínimo erro dos cães ou caçadores estavam no ar sem dar chance de nos acercarmos e atirarmos, agora uma coisa é certa, quem tinha bons cães desfrutou desta época como dificilmente desfrutou antes.
No que me toca, estou nitidamente satisfeito, apesar das contrariedades do próprio pássaro e da sua tardia migração, tive uma época fabulosa e inesquecível, os momentos foram inolvidáveis, com levantes em todas as jornadas do primeiro ao último dia, com abates em quase todas as jornadas e com momentos com os cães que jamais esquecerei.

O Faruck não acrescentou nada de novo ao curriculum, dele não esperava menos, a sua enormíssima experiencia permitiu-me numa época complicada, ter momentos fantásticos, de conseguir abater pássaros rotulados como impossíveis, é um cão que faz os lances dificeis parecerem banais, a sua mestria nesta disciplina e em momentos preponderantes da época, transformaram esta época que eu à partida dara como condenada, como aquela onde mais e maior prazer tirei. Recordo uma Galinhola complicadíssima numa chapada de estevas, com uma assiduidade irrepreensível do primeiro ao último dia da época, onde o cão a parou por incontáveis ocasiões, creio que já se tratavam por tu, ela conhecedora dos seus terrenos não me deixava acercar a tempo dos disparos, errei-a por inumeras vezes, um dia, o cão parou-a por três vezes eu, bem, eu sem vergonha aqui me confesso que a errei nas três ocasiões, 6 disparos errados, bem errados, contabilizei 11 disparos a esta Galinhola sem lhe tocar com um sequer bago, tiro-lhe em vénia o meu chapéu agradecendo-lhe os momentos de prazer que me proporcionou, pois também se retira prazer de um pássaro não abatido. Que deus a guie ao seu longínquo local de nidificação e que no próximo ano ela retorne e me dê mais destes infindáveis momentos de prazer. Paragens brutais, guias inesquecíveis por entre estevas altas, cobros fantásticos a pássaros julgados já perdidos, um todo o terreno que me ajudou a compor a época de uma forma magnífica, aguardo agora que ele me ajude no defeso, pois é tempo de me deixar descendência, pois já tenho uma monta agendada para ele, de forma a ficar com um filho dele que espero com alguma segurança vir a ser um especialista, dedicado caçador e Amigo como é o Pai dele.

O Veron, esta foi a revelação, foi caçando de forma intercalado com o Faruck. Do Veron confesso não saber bem o que esperar, tinha algumas expectativas baseadas no que vi dele no defeso em treino com caça mansa, mas uma coisa são habilidades com caça mansa outro são Galinholas ou Perdizes Bravas. Pois bem, revelou-se um grande cão de Galinholas e de caça em Geral, parou-me de forma magistral e por várias vezes Perdizes bravas, tornando esta difícil espécie num alvo fácil. É um cão mais ligado, centrado na espingarda e fortíssimo no terreno, como lhe chamo, um tractor, onde pisa deixa marca, embora seja em contraste um pezinhos de lã quando tem uma emanação no nariz, aí é muito felino e tipicamente Setter.
Parou-me umas boas Galinholas, algumas delas em zonas de estevas, Estêvão e sargaço, muito bem trabalhadas, foi-me muito útil para poder caçar de forma mais regular e deixar no banco a descansar e a lamber feridas o Faruck, por nenhuma vez o Veron me deixou mal ou a pensar que com o Faruck teria sido diferente, que talvez tivesse encontrado Galinholas, fez o seu papel com enorme dedicação, é meigo, prestável e com grande alegria, tornou-se também num Amigo que tenho e posso contar em qualquer ocasião, que além de eficaz proporciona-me momentos de grande prazer onde quer que o leve. Próximas épocas o esperam, tem uma grande margem de progressão, sabe o que é a caça, sabe perfeitamente o que são Galinholas, já sabe o que é e para que serve o Beeper e, acima de tudo é seguro e com muito nariz, o essencial para se tornar num dos meus melhores cães de Galinholas.

Uma palavra para o Grande Amigo Pedro, que me acompanhou em 90% das jornadas, vivemos juntos grandes momentos, desfrutamos dos lances um do outro, trocámos ideias, experiencias, emoções, molhas e molhas sem fim, pois foi a época mais molhada de todas com dias a fio no campo debaixo de chuva intensa, mas o importante acontecia, estávamos no campo às Galinholas.
Em suma, as coisas não são como começam, são como acabam, esta que prometia ser uma fraca época, mas com muita dedicação, muito empenho, alguma sorte, e cães afinados, acabou por ser uma época exemplar, sem acidentes para caçadores e cães, e guardo para mim com muita nostalgia momentos vividos que jamais esquecerei, das abatidas e especialmente das que errei.

Enquanto uma Galinhola me fizer tremer as pernas, me fizer secar a boca e me fizer sentir o bater do coração na ponta dos dedos que estão cravadas no fuste, sem dúvida que continuarei a sair de madrugada para o campo com um sorriso estampado no rosto, quer faça chuva ou faça sol!




Sem comentários: