sábado, 18 de março de 2017

Dia de Treinos


Um dia de Inverno com cheiro a Primavera, foi nestas condições de calor e pouco vento que fomos treinar alguns dos cães.
É sempre bom quando estamos no campo, independentemente do clima, desfrutar dos cães, sentir a brisa na cara, ver os novos exemplares e olhar para os mais velhos noutros terrenos com outros olhos, sem a pressão da caça dá-nos uma outra perspectiva, hoje foi um desses dias, ficámos muito contentes com as qualidades da Lys de la Vallée du Pairon, a nova cadela do meu irmão para a próxima época, bonita no terreno, muito estilista e trabalhadora, morfologicamente um espanto e com grande carácter, será uma bela companheira do meu irmão, seguramente vai desfrutar muito dela. 







segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Best of 2016/17

Dos lances possíveis que consegui filmar esta época, fica um apanhado de alguns deles, alguns deles ainda me deixam a tremer, pena que ficaram muitos outros que com muita pena minha não foi possível eternizar em filme mas que, lembrarei-os apenas eu e seguramente jamais os esquecerei! As filmagens não são fáceis, capturar boas imagens recorrendo apenas a pequenas câmaras que não controlamos não é algo assim tão linear como pensamos, a taxa de aproveitamento dos filmes não passa de 30%, no entanto espero com estas imagens fazer passar a emoção que eu vivo no campo a cada lance dos cães, os verdadeiros protagonistas destas magnificas jornadas de Galinholas.




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

The End.


Dou por terminada mais uma época, antes de mais quero a agradecer à minha Mulher que, grávida, ficou em casa dias a fio com a minha Filha, é tão bom quando podemos partilhar as nossas Paixões com quem Amamos.
Agradeço ao meu irmão por ter caçado com alguns dos meus cães, isso permitiu ter os cães todos bem caçados, mas também que eu pudesse caçar normalmente com o Ernesto quando o Don e a Íris se aleijaram em simultâneo, o Ernesto estava em forma permitindo-me desfrutar de belos lances.
Fiz mais de 6.000km de carro, cacei em 7 coutos diferentes em 3 distritos, Setúbal, Évora e Santarém, apenas em 3 jornadas não fiz qualquer levante, foi uma grande época com muitas Galinholas, pouca chuva, dias “quentes” fizeram com que se tornassem muito andarilhas e difíceis mas, com a ajuda indispensável dos cães, os lances iam-se sucedendo e cada uma cobrada tinha um sabor muito especial.
Tudo começou ainda em Novembro, com uma primeira Galinhola cobrada com a Íris, que rapidamente tomou conta dos terrenos, muito rápida e encontradora, segura e constante, transformou as minhas jornada num vicio, confesso que me viciei em caçar com esta cadela, o esforço foi grande, para a encontrar, para a comprar, e para a ir buscar a França mas, valeu cada um dos difíceis Km daquela viagem, cada Galinhola parada fazia esquecer tudo o que ficou para trás!
O Don não há muito a dizer, um Grande Cão, a idade não se fez sentir, uma lesão no início da época fez com que tivesse de dosear o esforço e tivesse 2 semanas parado mas, depois tudo voltou ao normal, e o normal é, inventar Galinholas, encontra-las nos locais onde nenhum outro cão vai, fazer o difícil parecer fácil, enfim, é o meu Don de sempre.
O Ernesto, cacei pouco com ele desde que entraram as Galinholas, andou a caçar com o meu irmão, mas quando necessitei dele não me deixou ficar mal, prossegui com eficácia a época, um cão lindíssimo, forte e galopador, que cumpriu a sua tarefa quer nas minhas mãos mas essencialmente nas do meu irmão.
Em resumo, uma época dura, felizmente sem acidentes, meus ou dos cães, muito seca e quente, com muitas Galinholas e repleta de lances maravilhosos, de momentos inolvidáveis e intensos, uma época que deixa saudade, agora é desenvolver outros projetos, e ir mexendo os cães de olhos postos já na próxima época.  
Fico ainda muito feliz, pelos resultados dos vários exemplares Pedra Mua que fizeram as maravilhas de muitos Amigos, do Continente às Ilhas, proporcionando aos seus donos momentos únicos, vários foram os exemplares que se revelaram está época, é um enorme orgulho. 


Fica o relato do último lance da época, um típico lance da Íris, rápida a guiar serpenteando pelo terreno, sempre de nariz no ar, controlando a emanação sem se apoiar no rasto, terminando com uma grande mostra e um tiro largo que achei ter errado, mas uma pena caída do ar ao sabor do vendo ditava outra sentença e desmentia a minha certeza, um cobro demorado e difícil de mais de 45 minutos, mas a experiência, a insistência minha e da cadela permitiram cobrar mais uma Galinhola, abri e fechei a época com a Íris.


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Don what else...

Último sábado da época, manhã acordava quente com 15º às 7:00h, umas abertas e o céu semi serrado deixavam antever que poderia salpicar umas pingas, levei a roupa do costume, com aquelas temperaturas não queria andar toda a manhã de impermeável, até porque não estava assim tão escuro, má decisão, pois manteve-se assim até por volta das 10:00h depois disso foi sempre um pingar constante até às 16:30h hora que terminei a jornada, resultado, uma molha épica, daquelas que não apanhava há muito, foi até às cuecas.
Sabia de várias Galinholas diferentes neste couto, mas esta chuva fê-las mexer, apenas duas lá estavam, no entanto outras 2 entraram, o Don fazia aqui a sua ultima jornada da época, teve o embate final com uma das conhecidas, muito bem parada, um penalti proporcionou o único cobro da jornada, e impossibilitou  a viagem de volta a este passaro que me deu tantos bons momentos.
Durante a manhã repetiram-se as mostras às Perdizes Bravas já acasaladas, um verdadeiro
espectáculo de assistir. Galinholas ainda tive 3 lances bonitos mas, uma delas saiu tapadissima, outra só a ouvi levantar sem saber onde, depressa percebi para onde tinha ido, uns pinheiros com muito bom aspecto, o Don depressa fica com ela, sirvo o cão e vejo-a sair calma, vejo-a inclusive poisar, o cão não a vê ou sente sair continua em mostra, demoro um pouco a tira-lo da emanação muito quente, o suficiente para a Galinhola se furtar de onde a tinha visto poisar. A outra foi um lance caricato, estava a urinar, o beeper toca, apressei a coisa, corri a servir o Don, a Galinhola já estava a uns 30 metros do cão, ele guiou-me, estava com ela no nariz, mas ela saiu tapada para o couto do lado. Apesar de tudo foi uma bela jornada, repleta de lances, cada uma que agora se cobra é uma vitória, pois estão difíceis, são as típicas Galinholas de final de época.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Mexeu mas pouco.

Foto de Jorge Silva.Um Homem também erra quando assim tem de ser, já dizia a bela letra da musica do Pedro Abrunhosa, pois bem, a jornada começava assim logo a abrir, a Íris a parar junto a um silvado, não pensei que fosse uma Galinhola, quem sou eu para achar se é ou não um pássaro, afinal de quem é o nariz? A Íris alheia às minhas crenças fazia o trabalho dela, bem parada rompendo apenas a mostra para em guia entrar dentro do silvado e voltar a fazer tocar o beeper, toda deitada, linda, ouço a Galinhola a romper o silvado, vejo-a numa nesga entre um encruzilhado de estevas e ramas de pinheiros novos, não atirei, poderia? Não sei, foi tão rápido que não sei, talvez sim, o mais certo é que não, pois bem, a realidade é que não atirei!
A Íris não deu 2 minutos e estava outra vez com ela, bem parada novamente, aí sim atirei, ao lado, errei-a com 2 tiros, olhei para as horas, 08:07, começava bem, ou mal, consoante a visão, talvez um misto dos dois, o que é certo é que a cadela merecia que eu desse um melhor final aquele lance, enfim, já ando nisto há muito e sei bem que faz parte.
Pouco depois mostras e guias, guias e mostras, eu sempre de coração acelerado, cada toque do beeper era como uma injecção de adrenalina, sabia que a cadela estava com uma Galinhola, veio com a Galinhola no nariz mais de 400 metros, até que a vejo levantar numa aberta, sobrevoou os eucaliptos, fomos no encalço dela, batemos o óbvio e nada, mas por vezes elas metem-se em todo o lado menos nos óbvios.  
Decido ir ver uma crença, pois achei que o frio que se fez sentir durante a semana poderia trazer algum pássaro novo, e as minhas suspeitas confirmaram-se, na zona onde pensava que poderia estar um pássaro, estava mesmo, a Íris veio com ela desde o cimo do cabeço até ao vale, bloqueando-a finalmente a tiro numa zona mais fechada, a Galinhola sai a encastelar, abatida fácilmente, caiu quase na boca da cadela, bem cobrada, aí estava a primeira, um grande lance da cadela e o sorriso era outro, o ânimo o mesmo, não são as erradas que me tiram o ânimo.
A cada passo que dava pensava na Galinhola que tinha saído de manhã sem ser atirada, tinha corrido tudo sem sinal dela, só podia estar no vale entre os dois cabeços, uma zona despida, com pedras e muito estreita, decido lá ir, a Íris depressa fica em mostra no cabeço em frente ao meu, perto de mim, virada para baixo, um grande barroco de pedra tapava-me parte da visão, dou um passo atrás para ter melhor ângulo, a Galinhola sai muito rápida, o barroco não atrapalhou e é abatida muito facilmente, aí estava a segunda da jornada, bem parada mas acima de tudo, bem caçada. Galinholas é isto, é trabalho em equipa, o nariz é dos cães, mas temos de ser nós a conduzi-los, a mete-los nas crenças, a olhar para o terreno e a pensar, ponderar e magicar estratégicas para conseguir dar a volta àquele pássaro astuto que nunca dá a mão, embora tenha a convicção, que há cães que são mais caçadores que muitos caçadores, e só lhes falta levarem a espingarda.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Galinholas é isto!


A viagem como sempre era longa, desta vez um pouco mais que o costume, levanto-me de madrugada, os cães quando me sentem despertam, é um enigma que não sei explicar, nos dias de ir para o trabalho também cedo ainda de noite por estes dias de Inverno, nenhum deles sai da casota, em dias de caça, vá-se lá saber porquê todos eufóricamente se mostram, como que num misto de desespero e esperança que sejam os escolhidos para essa jornada, pois bem, desta vez calhava em sorte à Íris, talvez para a compensar de a ter inibido de caçar no domingo passado por causa do meu receio dos javardos.
A viagem é feita de noite ao som do rádio, sem noticias, estes momentos são meus, só meus, quero distanciar-me do mundo e entrar num mundo somente meu, onde têm lugar apenas os cães e a natureza, entramos em estrada de terra batida, a Íris desperta, dá os primeiros sinais de impaciência, os Piscos levantam à minha passagem, frio, muito frio faz com que os Tordos mais madrugadores dêem sinal, ouvem-se as primeiras perdizes, um a um os chocalhos das vacas começam a cantar, a Lua redonda e enorme teimava hoje em ficar até mais tarde, como que cumprimentando o Sol, olho para os lados pensando por onde começar, botas, safões e colete, por esta ordem e estou pronto, solto a cadela, indecisa se estica as pernas ou se, se empoleira em mim para lhe meter o beeper, escolhe a segunda opção, a Paixão fala mais alto que a necessidade, enquanto depois ela estica as pernas eu calço as luvas e pego nas espingarda, agora sim, estou pronto.
O terreno é imenso, duro, desconhecido, muito dobrado e com muito mato, começamos a nossa demanda, há medida que o tempo passa, vamos ficando impacientes, nem um toque, nem um levante, apenas um bando de perdizes que a Íris mete à minha mercê, bonitas e bravas, fizeram-me cravar as unhas ao fuste a cada passo felino da cadela, uma vez mais tinham-me enganado, mas estas não valiam, tinham o bico demasiado curto e vermelho, procurávamos algo diferente.
O tempo ia passando, 10h, 11h, meio dia e nem um levante, há muito que aprendera que caçar Galinholas é isto, e em nunca atirar a toalha ao chão, em nunca desistir de um levante até meter o cão no carro, mas hoje não estava fácil, 13h sempre a caçar em terrenos difíceis e nada, até que, um típico "pápápá" me despertava os sentidos, uma Galinhola que se levantava espontâneamente numa encosta, sem ser importunada por mim ou pela cadela, denunciou-a apenas o barulho que fez, se por ventura não se faz ouvir talvez o final fosse outro, os terrenos secos fazem isto, pássaros que levantam longe ao minimo ruído, e a andarem muito a pés. Vi que esta Galinhola tinha ido para o cabeço em frente, faço o óbvio, começar mais por baixo à esquerda, a Íris numa zona de pasto, já fora da zona de mato e Eucaliptos entra em mostra virada para mim, a Galinhola sai à direita dos dois, toda a descoberto, facilmente abatida e cobrada, olho para o relógio, 13:30h, a minha cara era outra, estava feliz, tinha a jornada feita, agora o que mais viesse era um complemento.


A Íris talvez pensasse de outra maneira, pouco mais de meia hora e faz cantar novamente o beeper, não via a cadela, estava num barranco, apenas ouvia o beeper, quando ouço a Galinhola a bater asas com vigor, dando tudo por uma fuga, a encastelar, bico virado ao Sol, linda, mostrou-se toda por entre os ramos dos pinheiros, eu ainda estava a alguma distancia mas ainda assim faço um tiro, não lhe toco creio eu, mas ela ficou surpreendida, pois não me tinha visto nem estava a par da minha presença, tinha rodado para a esquerda, a Íris rapidamente dá com ela na extrema da mancha, aí sim, já consigo servir convenientemente a cadela, saiu para o sujo, atiro e ela dá duas voltas no ar, mando cobrar, e cobrar e cobrar, e nada, estranhei, a Íris que cobra exemplarmente não encontrava a Galinhola, uma vista de olhos mais aprofundada e, ali estava ela, viva em cima dos ramos de um pinheiro manso, estiquei-me para a alcançar com a ponta do cano, mandei-a ao chão, assim que pisou terra desata a fugir, pensei, "já foste" mas a cadela depressa dá com ela e traz-ma à mão, estava radiante, pois uma manhã difícil e dura tinha dado os seus frutos, a Íris uma vez mais tinha cumprido e eu, também uma vez mais tinha relembrado que, isto das Galinholas só acaba no fim.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Do 80 ao 8.


Este Fim de Semana teve um sabor agridoce.

Um Sábado que jamais esquecerei e que se iniciava cedo como sempre e com muito frio, tinha levado apenas o Don, deixava a Íris para Domingo, pois tinha já um convite de um Amigo.
Ainda a recuperar de uma gastroenterite, cada vez que o beeper tocava servir o cão era um para mim um suplicio, a primeira Galinhola era uma velha conhecida, já a tinha errada várias vezes, já tinha sido bloqueada também várias vezes por todos os meus cães, era uma sobrevivente, astuta e inteligente! 
O Don mal chegou ao domínio da Dama rapidamente entra em mostra, mas ela provavelmente já tinha saído, o cão acabou por ficar novamente em mostra no cabeço do lado, apenas separado por um vale que ela conhece melhor que nós. Apresso-me a servir o cão, seguiram-se uns intermináveis e emocionantes 20 minutos de mostras e guias, sempre sem ela se mostrar, literalmente um jogo vertiginoso de caçador e presa, o cão veio sempre com a Galinhola no nariz do cabeço do lado até ao reduto desta Dama onde a tinha parado inicialmente, até que, a bloqueia definitivamente, apresso-me a servir o cão mas, com tanta pressa, caí, a Galinhola utiliza esse momento para escapar, levanta toda destapada enquanto eu estava no chão, utilizou o meu erro para se furtar, como são inteligentes, uma vez mais foi melhor que nós e especialmente que eu! Outros encontros e outras batalhas certamente nos esperam.
Era tempo de ver outra das resistentes, vi-a levantar a uns 80 metros, muito antes de eu ou o cão lá chegarmos, vou no encalço dela, o Don rapidamente dá com ela, cabeço a baixo sempre num alternado de mostras e guias que parecia não ter fim, percebi que o jogo ia terminar, pois aproximava-se o final da mancha, restava o caminho e pasto, ela teria de levantar antes disso, assim o fez mas, tapada, errei-a num único disparo possível, mais uma que fica para outras batalhas.
Ainda a recuperar da gasteroenterite, um pássaro errado, outra que levanta a descoberto quando eu me "espalho" nada parecia correr bem, já rotulava esta jornada como uma grande "grade", cacei muito mas não tinha cobrado nada até que, de volta novamente a uma das da manhã, o Don num caminho entra em mostra a meus pés, mato à esquerda, pasto à direita, dava-lhe suaves toques de calcanhar para ele guiar, parecia os treinos com caça mansa, até que, por mais toques que eu desse ele recusava-se a andar, sai a Galinhola toda a descoberto para o pasto, facilmente abatida e cobrada, estava radiante, senti que a viagem longa e até ali a dificl manhã tinha sido finalmente recompensada, no entanto o Don não se dava por satisfeito e, não mais de 5 minutos volvidos, entra em mostra numa zona onde na primeira jornada de Galinholas em Novembro ali tinha sido uma indultada, levantada aos pés e não atirada, no entanto não seria ali que o lance terminava, seria numa zona lindíssima e mais fechada, quando me aproximo para o servir, sabia que estava com ela, os olhos vidrados, mordendo o lábio de cima e com uma posição meio sentado todo esticado como indicando-me onde ela estava, dei-lhe um ligeiro toque e ele não queria andar, isso tirava as duvidas, entre muitas posições que poderia assumir, escolhi aquela que achava a mais vantajosa tendo em conta o terreno e onde previa que ela poderia sair, por vezes falha, aliás, muitas vezes falha, mas não, desta vez não falhou, saiu numa aberta entre uns pinheiros, dando hipótese de um tiro certeiro, o Don estava cansando, ainda assim cobrou a Galinhola, são estas coisas que fazem dele quem ele é, o que ele é, um Grande, um Enorme Cão, que eu agradeço todas as jornadas, todos os dias, por ele pertencer à minha equipa, obrigado Don, provaste uma vez mais o óbvio, que até fecharmos a porta do carro, tudo é possível!

Domingo, Santarém, muito frio, 6:44h, logo a sair da autoestrada, uma Galinhola que iluminada pelos faróis do carro se mostra toda, a voar junto da placa de indicação foto-luminescente que montada num pórtico que atravessa a estrada nacional indica aos condutores a direcção, linda lá ia à sua vida, tentando sobreviver a mais um domingo de caça.
Começámos num terreno muito típico, duro e lindíssimo, fantástico diria mesmo, pouco depois de começarmos a Fly da Pedra Mua, a Setter do Anfitrião e Grande Amigo Nuno, faz-se ouvir no cimo de um cabeço, um ganido que eu rapidamente relatei, "Nuno, levou uma porrada de um porco!" chegou ao pé de nós, de cabisbaixo e meia desengonçada, uma rápida olhadela e era óbvia a porrada do Javali, um grande lenho por baixo, lá tinha de levar uns pontos, ainda andou meia hora aos nossos pés, mas depois recuperou psicologicamente, uma grande cadela, um grande carácter, uma grande filha do Don!
A Íris coitada mal a deixei caçar, ao contrário do habitual, tirava-a do mato, o meu medo dela ser colhida por um javardo era grande, pois aqueles terrenos literalmente cheiravam a porco, chegámos a comentar isso em duas ocasiões, nem era preciso cão para sentirmos o intenso cheiro, tal era a densidade de porcos, o terreno parecia lavrado pelos porcos, a pegadas acompanharam-nos a jornada toda, ao ponto das cadelas a caminho do carro levantarem mais um.
Resumindo, não vimos Galinholas e, a Íris foi por mim impedida de caçar e de ser ela própria mas, antes assim que perder uma cadela como esta por causa dos porcos!

sábado, 31 de dezembro de 2016

Últimas de 2016.

O último dia de 2016 acordava frio, pela primeira vez esta época com temperaturas abaixo de 0ºC, no entanto tinha a consciência de que era frio de pouca dura, pois os dias estão "quentes" e assim que o Sol levanta mais um pouco a temperatura aquece, os terrenos secos não ajudam ao acto e rebentam com as patas aos cães, obrigando-me a trocar de cão a meio da jornada a fim de os manter operacionais até o final da época.
Comecei com o Don, parou várias Galinholas onde não consegui fazer um único tiro, ou saiam tapadíssimas, ou saiam largas, ou saiam antes de servir o cão, a coisa não estava fácil, valeu uma perdiz das que nasceram com a verdade no corpo e o campo na alma, bem parada pelo Don, sinceramente julguei que fosse uma Galinhola, pois o beeper tocou várias vezes, até que saiu uma Perdiz, abatida ao primeiro tiro, foi a única peça que o Don cobrou esta manhã!
Era a vez da minha menina, com Galinholas emprestadas pelo Don, daquelas que até ali só ele as tinha cheirado, a Íris não se fez de rogada e rapidamente pára a primeira, literalmente no pasto ao lado dos eucaliptos, onde a tinha visto da ultima vez com o Don, a cadela a guiar sempre com ela no nariz, mostras e guias, parecia que ia a trabalhar uma codorniz, até que a Galinhola levanta no final do pasto, facilmente abatida, e aí estava a primeira do dia.
Fomos então ver de outra, uma daquelas fantasmas, sei que era uma Galinhola porque conheço o cão, mas nunca a vi, desta vez entrei na mancha ao contrário, uma velha técnica que por vezes as baralha, a Íris fica rapidamente em mostra, ajeito-me e a galinhola sai já meio nas minhas costas, mas ainda assim tombou no primeiro tiro, e tinha-mos cobrado a segunda, estava radiante, a cadela tinha resolvido as coisas e transformado uma primeira parte difícil numa segunda magnifica mas, parecia que ela não estava satisfeita, e foi parar uma outra no topo de um cabeço, depois foi sempre a guiar cabeço a baixo até ao vale, aí fica em mostra, eu num caminho a meia encosta deixo-me estar e vejo a Galinhola levantar para cima e curiosamente a "cantar" ou melhor, a fazer um barulho, algo que há muitos anos já me tinha acontecido, passa a não mais de 10 metros de mim e é abatida, agora sim, dava a jornada por terminada, e que jornada, a Íris queria mais, mas era hora de volver ao carro pois ainda tínhamos muitos Km pela frente e uma noite de Reveillon.

A última jornada da época não poderia ser mais emocionante, que 2017 nos traga saúde para continuarmos em busca das nossas tão Amadas Galinholas.

Bom Ano de 2017 para Todos!



quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Deu para tudo.

Uma jornada com lances estranhos, com a Íris tive vários lances mas infelizmente não consegui concretizar nenhum deles, fica o grande trabalho da cadela, as guias felinas a culminar com grandes mostras em terrenos difíceis demonstram que esta cadela está perfeitamente adaptada a caçar em todo o tipo de terrenos. 
A Íris passado cerca de hora e meia de começarmos vejo-a coxear da pata traseira, a esquerda, decidi então trocar de cão e sair com o Don, a ver se não é nada de grave e se a coisa melhora.
Com o Don vieram os lances de sonho e um lance bizarro.
Começámos numa zona que sabíamos que tinha 2 pássaros, estavam no pasto fugidas da zona pequena de mato, pareciam perdizes a saírem largas sem serem sequer atiradas.
Pouco depois o Don entra em mostra, faz uma guia de mais de 50 metros do topo do cabeço para uma chapada muito típica, até que bloqueia a Galinhola, sai-me boa e acerto ao primeiro tiro, deu inclusive 2 voltas no ar antes de cair, mando o cão cobrar e imediatamente a Galinhola levanta para o cabeço em frente, estava incrédulo, a Galinhola tinha levado e caído!
Vou então no encalço deste pássaro, passado algum tempo já me questionava se seria a que caiu com o tiro a levantar ou uma outra que tinha levantado quando me ouve mandar o cão cobrar, já vi de tudo, ou quase tudo e, inclusivamente esta época esse cenário já me tinha sucedido, decido voltar ao local do tiro mas, logo ali o Don entra em mostra atrás de mim, olho para a minha frente e lá estava ela, com as duas asas abertas, patas ensanguentadas para trás, e com sangue nas penas da cauda, fico indeciso se a agarro à mão ou, se mando o cão cobrar, optei por mandar o cão cobrar, o Don assim que lhe vai meter a boca, ela levanta, fiquei incrédulo, o pássaro estava a 20 cm das minhas botas e esteve na boca do cão, não dei mais com ela, estava mais que irritado em deixar uma Galinhola ferida por cobrar no terreno, mas é assim, infelizmente estes lances fazem parte, felizmente que são poucos.
O Don esse não se deixa afetar, volta a parar uma Galinhola numa zona complicada e muito fechada, dou a volta a um regato e meto-me de frente ao cão, ela sai tapada e erro-a bem errada, minutos depois faz tocar o beeper, entro de frente ao cão o beeper tocou vezes sem conta, ao ponto de achar que não estava lá nada ou, que era a Galinhola que estava chumbada e não levantava, decido entrar de frente para o cão a pisar os paus que estavam no chão, a Galinhola deixou-me passar por ela e saiu pelas minhas costas, uma mais que levou a melhor! Não fosse um lance lindíssimo do Don que terminou em mostra a meus pés, arrancando a Galinhola encostada a mim, acabando mesmo tapada por ser abatida, um outro penalti a jornada teria sido mais complicada. Assim terminou a jornada, com 2 cobradas, mas acima de tudo, retenho o trabalho dos cães.