quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Já nasceram, Ernesto del Zagnis X Elma de Rossulte.

O Futuro começa aqui, é com esta magnifica ninhada de 7 cachorros que contamos para assegurar os nossos próximos companheiros de aventuras, a expectativa era enorme e maior ficou com eles nascidos, agora esperamos que a sorte nos acompanhe nesta viagem e que a Nossa Sra. da Pedra Mua olhe por estes pequenos.

Clique no ícone em cima para visualizar o Pedigree desta ninhada.



video

 


domingo, 6 de agosto de 2017

Nestor da Pedra Mua

O pequeno Nestor da Pedra Mua com apenas 5 semanas, filho da Iris de la Vallee du Pairon com o Campeão da Europa de Grand Busca Leioandi Ciro, a crescer lindíssimo, demonstrando já um belíssimo carácter, o entusiasmo é enorme. 



terça-feira, 6 de junho de 2017

Ernesto del Zagnis X Elma de Rossulte.

Finalmente aconteceu, depois de quase um ano de espera concretizámos o tão esperado cruzamento entre 2 exemplares com nota máxima em estilo, se tudo correr bem e se a sorte nos der a mão, sairão daqui cachorros morfologicamente muito bonitos e com grande atitude e estilo,  e com uma importante carga genética, agora é aguardar com muita paciência e fé o desenrolar de tão importante ninhada. 

Visualize o Pedigree virtual desta ninhada:





domingo, 4 de junho de 2017

Cores, cada um com a sua preferência.


As cores no Setter Inglês são Variadas, do Laranja e Branco, ao Tricolor nas suas vertentes Branco, Preto e Laranja ou Tricolor em Fígado, passando pelos Blue Belton (Branco e Preto) a terminar nos Fígado, a cor é muitas vezes um factor decisivo na hora de escolher um cachorro.
Há muito que deixei de escolher cães pela cor, a qualidade e carácter são muito mais importantes e decisivos, existem bons exemplares em todas as cores, no entanto, como toda a gente tenho as minhas preferências, assumidamente um apaixonado pelos Setters Fígado.
Das várias cores possíveis, infelizmente nunca me nasceu um fígado em casa, mesmo com fêmeas dessa cor, ao contrário, têm saído daqui fenomenais cachorros tricolores filhos do Don, cachorros que me têm dado grandes alegrias, e que têm feito as delicias de muita gente, com grande carácter e morfologia, de belos movimentos e grande paixão pela caça, a escolha é vasta, poderia mencionar vários exemplares filhos do Don que se tornaram referências nas Galinholas ou nas Perdizes, outros que estão na competição, no entanto, ficam aqui algumas imagens desses magníficos cachorros que contribuíram para que o seu Pai se destacasse também como um Grande Reprodutor.


terça-feira, 30 de maio de 2017

Uma ideia muito vincada quanto à criação.

A criação de cães e a genética envolvida estão longe de ser uma ciência exacta, isto é algo que creio ser do senso comum e que todos concordamos, a questão principal é:
O que é mais importante na transmissão de genes, o Pai ou a Mãe?

Fêmea qual a importância?

Pois bem, quanto a isto tenho uma ideia muito bem definida! Se está provado que o Pai transmite cerca de 80% da carga genética aos cachorros, então um exemplar para ser acima da média e sair do mediano, a mãe tem de transmitir o restante com grande qualidade, foi esta ideia que nos fez procurar grandes fêmeas, e grandes fêmeas não são apenas pedigree, grandes fêmeas têm de mostrar no terreno todas as suas potencialidades, um estilo inquestionável, carater, paixão, morfologia e obviamente uma enorme carga genética, uma boa fêmea tem de ser completa! Se tivermos tudo isto numa fêmea, e a juntarmos a um bom macho, que transmita, então temos mais probabilidades de nascerem cachorros de qualidade, e não dependemos apenas da sorte, e do que um bom macho pode transmitir, forçamos a perfeição, se é que ela existe no mundo dos cães, mas pelo menos, de consciência, estaremos seguramente mais perto dela, pensando desta forma decidimos investir em fêmeas de qualidade comprovada, com estilo, carater, paixão e grandes Pedigrees, estou certo que dispomos de uma base séria e sólida para trabalhar com qualidade.

Macho, qual escolher?

Aparentemente a escolha é óbvia, se procuro cães de Galinholas, então vou cruzar com um macho campeão de Galinholas! Pois bem, os factos contrariam isso, e a minha convicção também, poucos são os campeões de Galinholas filhos de campeões da mesma disciplina, provêm sim na grande maioria de Pais Campeões de Grande Busca, aí é que estão os melhores reprodutores, dali é que saem os cães com estilo, verdadeiramente felinos e com estilo Setter.

As Provas de Galinholas apaixonam-me mas, tenho consciência, até porque já participei e vi in loco os principais protagonistas da Europa, que não são provas pautadas pelo estilo, são provas onde se avalia mais o ponto e a efectividade do que o estilo do cão, pelo que, não é nesta disciplina que seguramente estão os melhores reprodutores, basta analisar os pedigrees dos campeões de Galinholas dos últimos anos para constatar isso. Tendo em conta esta ideia que não é felizmente uma visão apenas minha, que decidi cruzar boas fêmeas, maioritariamente com machos provenientes de Grande Busca, como o Leioandi Ciro ou o Ernesto del Zagnis, nunca esquecendo um cão que me deu muitas alegrias quer no campo, quer como reprodutor, e que poderia ter feito carreira na competição, o Don, desta forma e com a máxima convicção e paixão, trabalhamos para obter resultados superiores e cachorros apaixonantes em todas as suas vertentes, e criar sempre com qualidade e critério, e nunca, mas nunca em quantidade.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Íris de la Vallée du Pairon X Leioandi Ciro

Mais uma grande aposta numa monta onde depositamos uma enorme expectativa, cruzamos a nossa cadela Íris de la Vallée du Pairon com o Campeão da Europa de Grande Busca Leioandi Ciro, filho do Dendaberri Jai, Campeão da Europa de Galinholas e neto do Palaziensis Rambo que dispensa apresentações, o que se pode pedir mais!?

Visualize o Pedigree virtual desta ninhada:


Agradeço uma vez mais ao Amigo Iñaki, que foi incansável em todo este processo!

Agora esperamos que a sorte nos acompanhe e que tudo corra bem com esta monta.

Leioandi Ciro Ch
(*Dendaberri Jai x Tali)
Campeão da Europa de Grand Busca 2014
Melhor cão da semana Pointer Clube 2014
Melhor cão da semana Setter Clube 2014
Vencedor do Troféu Barahona 2014
Vencedor da Taça Espanha 2014
Selecionado para o Copa Europa 2014
Selecionado para o Campeonato Europeu Setter de 2014
Vencedor do Top 10 - 2013-2014 Grand Busca
Melhor cão das provas de inverno Setter Clube 2013
Selecionado para o Campeonato Europeu Setter de 2013
Vencedor da Nevette em França 2012

*Dendaberri Jai Tr
(Palaziensis Rambo x Umblana del Cavaldrossa)
(Ch W0F/ICH, IT T, ITF, Camp. Tr. (Ch GQ)
Campeão da Europa Galinholas 2013  
Trialer Caça Prática Galinholas em Espanha, França, Lituânia.
Trialer Montanha  (Saladini Pilastri - Itália) - Trialer  Busca de Caça - Trialer Primavera. 
Selecionado Campeonato Europa Busca de Caça 2012
Selecionado Campeonato Europa de Montanha 2012
Selecionado Campeonato Europa Caça Prática 2011 
Selecionado Campeonato Europa Busca de Caça 2011 
Galardoado Entre os 4 melhores cães PAN do Setter Clube Espanha 2008 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Novo apoio ao nosso projecto.


Mais uma Multinacional de renome que decidiu apostar no nosso canil e na nossa imagem para promover os seus produtos, desta vez foi a Canina, uma marca alemã que fabrica suplementos naturais para animais, com uma gama alargada de produtos muito úteis não só para criadores mas sobretudo a quem tem animais.
A partir deste momento todos os nossos exemplares além de uma alimentação Top, terão como complemento os suplementos da Canina para os ajudar nas desgastantes e longas épocas de caça.
Também as cadelas gestantes e os cachorros vão tomar os suplementos naturais Canina, desta forma pretendemos dar o melhor acompanhamento às nossas cadelas numa altura sempre complicada e aos nossos cachorros mesmo antes destes nascerem.

sábado, 1 de abril de 2017

Jeep da Pedra Mua (Chopin)

Depois de uma grande época de Galinholas, Jeep da Pedra Mua (Chopin), faz segundo lugar na primeira prova do Campeonato Regional de St. Huberto nos Açores, parabéns aos dois, Cão e Condutor, José Carlos Correia.

Boa Sorte aos dois para a próxima etapa.

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sábado, 18 de março de 2017

Dia de Treinos


Um dia de Inverno com cheiro a Primavera, foi nestas condições de calor e pouco vento que fomos treinar alguns dos cães.
É sempre bom quando estamos no campo, independentemente do clima, desfrutar dos cães, sentir a brisa na cara, ver os novos exemplares e olhar para os mais velhos noutros terrenos com outros olhos, sem a pressão da caça dá-nos uma outra perspectiva, hoje foi um desses dias, ficámos muito contentes com as qualidades da Lys de la Vallée du Pairon, a nova cadela do meu irmão para a próxima época, bonita no terreno, muito estilista e trabalhadora, morfologicamente um espanto e com grande carácter, será uma bela companheira do meu irmão, seguramente vai desfrutar muito dela. 







segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Best of 2016/17

Dos lances possíveis que consegui filmar esta época, fica um apanhado de alguns deles, alguns deles ainda me deixam a tremer, pena que ficaram muitos outros que com muita pena minha não foi possível eternizar em filme mas que, lembrarei-os apenas eu e seguramente jamais os esquecerei! As filmagens não são fáceis, capturar boas imagens recorrendo apenas a pequenas câmaras que não controlamos não é algo assim tão linear como pensamos, a taxa de aproveitamento dos filmes não passa de 30%, no entanto espero com estas imagens fazer passar a emoção que eu vivo no campo a cada lance dos cães, os verdadeiros protagonistas destas magnificas jornadas de Galinholas.




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

The End.


Dou por terminada mais uma época, antes de mais quero a agradecer à minha Mulher que, grávida, ficou em casa dias a fio com a minha Filha, é tão bom quando podemos partilhar as nossas Paixões com quem Amamos.
Agradeço ao meu irmão por ter caçado com alguns dos meus cães, isso permitiu ter os cães todos bem caçados, mas também que eu pudesse caçar normalmente com o Ernesto quando o Don e a Íris se aleijaram em simultâneo, o Ernesto estava em forma permitindo-me desfrutar de belos lances.
Fiz mais de 6.000km de carro, cacei em 7 coutos diferentes em 3 distritos, Setúbal, Évora e Santarém, apenas em 3 jornadas não fiz qualquer levante, foi uma grande época com muitas Galinholas, pouca chuva, dias “quentes” fizeram com que se tornassem muito andarilhas e difíceis mas, com a ajuda indispensável dos cães, os lances iam-se sucedendo e cada uma cobrada tinha um sabor muito especial.
Tudo começou ainda em Novembro, com uma primeira Galinhola cobrada com a Íris, que rapidamente tomou conta dos terrenos, muito rápida e encontradora, segura e constante, transformou as minhas jornada num vicio, confesso que me viciei em caçar com esta cadela, o esforço foi grande, para a encontrar, para a comprar, e para a ir buscar a França mas, valeu cada um dos difíceis Km daquela viagem, cada Galinhola parada fazia esquecer tudo o que ficou para trás!
O Don não há muito a dizer, um Grande Cão, a idade não se fez sentir, uma lesão no início da época fez com que tivesse de dosear o esforço e tivesse 2 semanas parado mas, depois tudo voltou ao normal, e o normal é, inventar Galinholas, encontra-las nos locais onde nenhum outro cão vai, fazer o difícil parecer fácil, enfim, é o meu Don de sempre.
O Ernesto, cacei pouco com ele desde que entraram as Galinholas, andou a caçar com o meu irmão, mas quando necessitei dele não me deixou ficar mal, prossegui com eficácia a época, um cão lindíssimo, forte e galopador, que cumpriu a sua tarefa quer nas minhas mãos mas essencialmente nas do meu irmão.
Em resumo, uma época dura, felizmente sem acidentes, meus ou dos cães, muito seca e quente, com muitas Galinholas e repleta de lances maravilhosos, de momentos inolvidáveis e intensos, uma época que deixa saudade, agora é desenvolver outros projetos, e ir mexendo os cães de olhos postos já na próxima época.  
Fico ainda muito feliz, pelos resultados dos vários exemplares Pedra Mua que fizeram as maravilhas de muitos Amigos, do Continente às Ilhas, proporcionando aos seus donos momentos únicos, vários foram os exemplares que se revelaram está época, é um enorme orgulho. 


Fica o relato do último lance da época, um típico lance da Íris, rápida a guiar serpenteando pelo terreno, sempre de nariz no ar, controlando a emanação sem se apoiar no rasto, terminando com uma grande mostra e um tiro largo que achei ter errado, mas uma pena caída do ar ao sabor do vendo ditava outra sentença e desmentia a minha certeza, um cobro demorado e difícil de mais de 45 minutos, mas a experiência, a insistência minha e da cadela permitiram cobrar mais uma Galinhola, abri e fechei a época com a Íris.


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Don what else...

Último sábado da época, manhã acordava quente com 15º às 7:00h, umas abertas e o céu semi serrado deixavam antever que poderia salpicar umas pingas, levei a roupa do costume, com aquelas temperaturas não queria andar toda a manhã de impermeável, até porque não estava assim tão escuro, má decisão, pois manteve-se assim até por volta das 10:00h depois disso foi sempre um pingar constante até às 16:30h hora que terminei a jornada, resultado, uma molha épica, daquelas que não apanhava há muito, foi até às cuecas.
Sabia de várias Galinholas diferentes neste couto, mas esta chuva fê-las mexer, apenas duas lá estavam, no entanto outras 2 entraram, o Don fazia aqui a sua ultima jornada da época, teve o embate final com uma das conhecidas, muito bem parada, um penalti proporcionou o único cobro da jornada, e impossibilitou  a viagem de volta a este passaro que me deu tantos bons momentos.
Durante a manhã repetiram-se as mostras às Perdizes Bravas já acasaladas, um verdadeiro
espectáculo de assistir. Galinholas ainda tive 3 lances bonitos mas, uma delas saiu tapadissima, outra só a ouvi levantar sem saber onde, depressa percebi para onde tinha ido, uns pinheiros com muito bom aspecto, o Don depressa fica com ela, sirvo o cão e vejo-a sair calma, vejo-a inclusive poisar, o cão não a vê ou sente sair continua em mostra, demoro um pouco a tira-lo da emanação muito quente, o suficiente para a Galinhola se furtar de onde a tinha visto poisar. A outra foi um lance caricato, estava a urinar, o beeper toca, apressei a coisa, corri a servir o Don, a Galinhola já estava a uns 30 metros do cão, ele guiou-me, estava com ela no nariz, mas ela saiu tapada para o couto do lado. Apesar de tudo foi uma bela jornada, repleta de lances, cada uma que agora se cobra é uma vitória, pois estão difíceis, são as típicas Galinholas de final de época.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Mexeu mas pouco.

Um Homem também erra quando assim tem de ser, já dizia a bela letra da musica do Pedro Abrunhosa, pois bem, a jornada começava assim logo a abrir, a Íris a parar junto a um silvado, não pensei que fosse uma Galinhola, quem sou eu para achar se é ou não um pássaro, afinal de quem é o nariz? A Íris alheia às minhas crenças fazia o trabalho dela, bem parada rompendo apenas a mostra para em guia entrar dentro do silvado e voltar a fazer tocar o beeper, toda deitada, linda, ouço a Galinhola a romper o silvado, vejo-a numa nesga entre um encruzilhado de estevas e ramas de pinheiros novos, não atirei, poderia? Não sei, foi tão rápido que não sei, talvez sim, o mais certo é que não, pois bem, a realidade é que não atirei!
A Íris não deu 2 minutos e estava outra vez com ela, bem parada novamente, aí sim atirei, ao lado, errei-a com 2 tiros, olhei para as horas, 08:07, começava bem, ou mal, consoante a visão, talvez um misto dos dois, o que é certo é que a cadela merecia que eu desse um melhor final aquele lance, enfim, já ando nisto há muito e sei bem que faz parte.
Pouco depois mostras e guias, guias e mostras, eu sempre de coração acelerado, cada toque do beeper era como uma injecção de adrenalina, sabia que a cadela estava com uma Galinhola, veio com a Galinhola no nariz mais de 400 metros, até que a vejo levantar numa aberta, sobrevoou os eucaliptos, fomos no encalço dela, batemos o óbvio e nada, mas por vezes elas metem-se em todo o lado menos nos óbvios.  
Decido ir ver uma crença, pois achei que o frio que se fez sentir durante a semana poderia trazer algum pássaro novo, e as minhas suspeitas confirmaram-se, na zona onde pensava que poderia estar um pássaro, estava mesmo, a Íris veio com ela desde o cimo do cabeço até ao vale, bloqueando-a finalmente a tiro numa zona mais fechada, a Galinhola sai a encastelar, abatida fácilmente, caiu quase na boca da cadela, bem cobrada, aí estava a primeira, um grande lance da cadela e o sorriso era outro, o ânimo o mesmo, não são as erradas que me tiram o ânimo.
A cada passo que dava pensava na Galinhola que tinha saído de manhã sem ser atirada, tinha corrido tudo sem sinal dela, só podia estar no vale entre os dois cabeços, uma zona despida, com pedras e muito estreita, decido lá ir, a Íris depressa fica em mostra no cabeço em frente ao meu, perto de mim, virada para baixo, um grande barroco de pedra tapava-me parte da visão, dou um passo atrás para ter melhor ângulo, a Galinhola sai muito rápida, o barroco não atrapalhou e é abatida muito facilmente, aí estava a segunda da jornada, bem parada mas acima de tudo, bem caçada. Galinholas é isto, é trabalho em equipa, o nariz é dos cães, mas temos de ser nós a conduzi-los, a mete-los nas crenças, a olhar para o terreno e a pensar, ponderar e magicar estratégicas para conseguir dar a volta àquele pássaro astuto que nunca dá a mão, embora tenha a convicção, que há cães que são mais caçadores que muitos caçadores, e só lhes falta levarem a espingarda.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Galinholas é isto!


A viagem como sempre era longa, desta vez um pouco mais que o costume, levanto-me de madrugada, os cães quando me sentem despertam, é um enigma que não sei explicar, nos dias de ir para o trabalho também cedo ainda de noite por estes dias de Inverno, nenhum deles sai da casota, em dias de caça, vá-se lá saber porquê todos eufóricamente se mostram, como que num misto de desespero e esperança que sejam os escolhidos para essa jornada, pois bem, desta vez calhava em sorte à Íris, talvez para a compensar de a ter inibido de caçar no domingo passado por causa do meu receio dos javardos.
A viagem é feita de noite ao som do rádio, sem noticias, estes momentos são meus, só meus, quero distanciar-me do mundo e entrar num mundo somente meu, onde têm lugar apenas os cães e a natureza, entramos em estrada de terra batida, a Íris desperta, dá os primeiros sinais de impaciência, os Piscos levantam à minha passagem, frio, muito frio faz com que os Tordos mais madrugadores dêem sinal, ouvem-se as primeiras perdizes, um a um os chocalhos das vacas começam a cantar, a Lua redonda e enorme teimava hoje em ficar até mais tarde, como que cumprimentando o Sol, olho para os lados pensando por onde começar, botas, safões e colete, por esta ordem e estou pronto, solto a cadela, indecisa se estica as pernas ou se, se empoleira em mim para lhe meter o beeper, escolhe a segunda opção, a Paixão fala mais alto que a necessidade, enquanto depois ela estica as pernas eu calço as luvas e pego nas espingarda, agora sim, estou pronto.
O terreno é imenso, duro, desconhecido, muito dobrado e com muito mato, começamos a nossa demanda, há medida que o tempo passa, vamos ficando impacientes, nem um toque, nem um levante, apenas um bando de perdizes que a Íris mete à minha mercê, bonitas e bravas, fizeram-me cravar as unhas ao fuste a cada passo felino da cadela, uma vez mais tinham-me enganado, mas estas não valiam, tinham o bico demasiado curto e vermelho, procurávamos algo diferente.
O tempo ia passando, 10h, 11h, meio dia e nem um levante, há muito que aprendera que caçar Galinholas é isto, e em nunca atirar a toalha ao chão, em nunca desistir de um levante até meter o cão no carro, mas hoje não estava fácil, 13h sempre a caçar em terrenos difíceis e nada, até que, um típico "pápápá" me despertava os sentidos, uma Galinhola que se levantava espontâneamente numa encosta, sem ser importunada por mim ou pela cadela, denunciou-a apenas o barulho que fez, se por ventura não se faz ouvir talvez o final fosse outro, os terrenos secos fazem isto, pássaros que levantam longe ao minimo ruído, e a andarem muito a pés. Vi que esta Galinhola tinha ido para o cabeço em frente, faço o óbvio, começar mais por baixo à esquerda, a Íris numa zona de pasto, já fora da zona de mato e Eucaliptos entra em mostra virada para mim, a Galinhola sai à direita dos dois, toda a descoberto, facilmente abatida e cobrada, olho para o relógio, 13:30h, a minha cara era outra, estava feliz, tinha a jornada feita, agora o que mais viesse era um complemento.


A Íris talvez pensasse de outra maneira, pouco mais de meia hora e faz cantar novamente o beeper, não via a cadela, estava num barranco, apenas ouvia o beeper, quando ouço a Galinhola a bater asas com vigor, dando tudo por uma fuga, a encastelar, bico virado ao Sol, linda, mostrou-se toda por entre os ramos dos pinheiros, eu ainda estava a alguma distancia mas ainda assim faço um tiro, não lhe toco creio eu, mas ela ficou surpreendida, pois não me tinha visto nem estava a par da minha presença, tinha rodado para a esquerda, a Íris rapidamente dá com ela na extrema da mancha, aí sim, já consigo servir convenientemente a cadela, saiu para o sujo, atiro e ela dá duas voltas no ar, mando cobrar, e cobrar e cobrar, e nada, estranhei, a Íris que cobra exemplarmente não encontrava a Galinhola, uma vista de olhos mais aprofundada e, ali estava ela, viva em cima dos ramos de um pinheiro manso, estiquei-me para a alcançar com a ponta do cano, mandei-a ao chão, assim que pisou terra desata a fugir, pensei, "já foste" mas a cadela depressa dá com ela e traz-ma à mão, estava radiante, pois uma manhã difícil e dura tinha dado os seus frutos, a Íris uma vez mais tinha cumprido e eu, também uma vez mais tinha relembrado que, isto das Galinholas só acaba no fim.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Do 80 ao 8.


Este Fim de Semana teve um sabor agridoce.

Um Sábado que jamais esquecerei e que se iniciava cedo como sempre e com muito frio, tinha levado apenas o Don, deixava a Íris para Domingo, pois tinha já um convite de um Amigo.
Ainda a recuperar de uma gastroenterite, cada vez que o beeper tocava servir o cão era um para mim um suplicio, a primeira Galinhola era uma velha conhecida, já a tinha errada várias vezes, já tinha sido bloqueada também várias vezes por todos os meus cães, era uma sobrevivente, astuta e inteligente! 
O Don mal chegou ao domínio da Dama rapidamente entra em mostra, mas ela provavelmente já tinha saído, o cão acabou por ficar novamente em mostra no cabeço do lado, apenas separado por um vale que ela conhece melhor que nós. Apresso-me a servir o cão, seguiram-se uns intermináveis e emocionantes 20 minutos de mostras e guias, sempre sem ela se mostrar, literalmente um jogo vertiginoso de caçador e presa, o cão veio sempre com a Galinhola no nariz do cabeço do lado até ao reduto desta Dama onde a tinha parado inicialmente, até que, a bloqueia definitivamente, apresso-me a servir o cão mas, com tanta pressa, caí, a Galinhola utiliza esse momento para escapar, levanta toda destapada enquanto eu estava no chão, utilizou o meu erro para se furtar, como são inteligentes, uma vez mais foi melhor que nós e especialmente que eu! Outros encontros e outras batalhas certamente nos esperam.
Era tempo de ver outra das resistentes, vi-a levantar a uns 80 metros, muito antes de eu ou o cão lá chegarmos, vou no encalço dela, o Don rapidamente dá com ela, cabeço a baixo sempre num alternado de mostras e guias que parecia não ter fim, percebi que o jogo ia terminar, pois aproximava-se o final da mancha, restava o caminho e pasto, ela teria de levantar antes disso, assim o fez mas, tapada, errei-a num único disparo possível, mais uma que fica para outras batalhas.
Ainda a recuperar da gasteroenterite, um pássaro errado, outra que levanta a descoberto quando eu me "espalho" nada parecia correr bem, já rotulava esta jornada como uma grande "grade", cacei muito mas não tinha cobrado nada até que, de volta novamente a uma das da manhã, o Don num caminho entra em mostra a meus pés, mato à esquerda, pasto à direita, dava-lhe suaves toques de calcanhar para ele guiar, parecia os treinos com caça mansa, até que, por mais toques que eu desse ele recusava-se a andar, sai a Galinhola toda a descoberto para o pasto, facilmente abatida e cobrada, estava radiante, senti que a viagem longa e até ali a dificl manhã tinha sido finalmente recompensada, no entanto o Don não se dava por satisfeito e, não mais de 5 minutos volvidos, entra em mostra numa zona onde na primeira jornada de Galinholas em Novembro ali tinha sido uma indultada, levantada aos pés e não atirada, no entanto não seria ali que o lance terminava, seria numa zona lindíssima e mais fechada, quando me aproximo para o servir, sabia que estava com ela, os olhos vidrados, mordendo o lábio de cima e com uma posição meio sentado todo esticado como indicando-me onde ela estava, dei-lhe um ligeiro toque e ele não queria andar, isso tirava as duvidas, entre muitas posições que poderia assumir, escolhi aquela que achava a mais vantajosa tendo em conta o terreno e onde previa que ela poderia sair, por vezes falha, aliás, muitas vezes falha, mas não, desta vez não falhou, saiu numa aberta entre uns pinheiros, dando hipótese de um tiro certeiro, o Don estava cansando, ainda assim cobrou a Galinhola, são estas coisas que fazem dele quem ele é, o que ele é, um Grande, um Enorme Cão, que eu agradeço todas as jornadas, todos os dias, por ele pertencer à minha equipa, obrigado Don, provaste uma vez mais o óbvio, que até fecharmos a porta do carro, tudo é possível!

Domingo, Santarém, muito frio, 6:44h, logo a sair da autoestrada, uma Galinhola que iluminada pelos faróis do carro se mostra toda, a voar junto da placa de indicação foto-luminescente que montada num pórtico que atravessa a estrada nacional indica aos condutores a direcção, linda lá ia à sua vida, tentando sobreviver a mais um domingo de caça.
Começámos num terreno muito típico, duro e lindíssimo, fantástico diria mesmo, pouco depois de começarmos a Fly da Pedra Mua, a Setter do Anfitrião e Grande Amigo Nuno, faz-se ouvir no cimo de um cabeço, um ganido que eu rapidamente relatei, "Nuno, levou uma porrada de um porco!" chegou ao pé de nós, de cabisbaixo e meia desengonçada, uma rápida olhadela e era óbvia a porrada do Javali, um grande lenho por baixo, lá tinha de levar uns pontos, ainda andou meia hora aos nossos pés, mas depois recuperou psicologicamente, uma grande cadela, um grande carácter, uma grande filha do Don!
A Íris coitada mal a deixei caçar, ao contrário do habitual, tirava-a do mato, o meu medo dela ser colhida por um javardo era grande, pois aqueles terrenos literalmente cheiravam a porco, chegámos a comentar isso em duas ocasiões, nem era preciso cão para sentirmos o intenso cheiro, tal era a densidade de porcos, o terreno parecia lavrado pelos porcos, a pegadas acompanharam-nos a jornada toda, ao ponto das cadelas a caminho do carro levantarem mais um.
Resumindo, não vimos Galinholas e, a Íris foi por mim impedida de caçar e de ser ela própria mas, antes assim que perder uma cadela como esta por causa dos porcos!