quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Sentimento agridoce.


Há Cães que marcam a vida de um Caçador, a Íris é um deles, pois nunca me esquecerei do dia de hoje!
A Manhã começava fria, 0.5ºC contrastando com um céu azul lindo, levava no carro o Don e a Íris, mas a minha Paixão pela nova menina levava-me uma vez mais a não sair com o Don, algo a que ele se habituou a ver fazer mas de forma inversa, a ver os outros ficarem no carro. 
Confesso que estou viciado nesta cadela, tudo nela me agrada, até mesmo o facto de ser novidade, sinto-me um adolescente com namorada nova, todos os momentos são para desfrutar e descobrir o que há de novo.
A jornada começou com um abate de algo que não me calhava em sorte há muito tempo, um coelho, escassos nos tempos que correm!  
Depois de vários lances com as Perdizes, que teimavam em sair sempre largas, lá fomos ter com a nossa amiga, uma Galinhola que nos brindava há sete jornadas, um pássaro astuto, tão astuto que foi sempre mais forte, conseguindo ludibriar-me vezes sem conta, sabia que esta Galinhola acabaria por perder um dia, a diferença é que quando eu ganhar ela perde a vida.
Ela apresentava-se no mesmo local, uma aberta no eucaliptal, despida mas tão a seu gosto, a Íris rapidamente dá com ela, seguiram-se as guias do costume, a grande velocidade serpenteando por entre as poucas estevas existentes, até bloquear a Galinhola que aguentou apenas um toque do beeper, saiu baixa, a cadela ficou enquadrada com ela e com o tiro, dei um tiro subido e a medo, corrigindo apenas no segundo. Fiquei com a sensação de que lhe tinha acertado, mas sem certezas, ela roda para a esquerda e deixo de a ver por causa de um declive do terreno. Procurei este pássaro desesperadamente, morta ou viva, mas com medo de a deixar morta no terreno, já pedia que a tivesse errado, a Íris não dava com ela.
Fui então ver uma outra, facilmente parada pela cadela, saiu-me complicada mas a tiro, meti mal a arma à cara, meio atabalhoado erro este pássaro, o sentido da outra Galinhola não me saía da cabeça, decido ir lá novamente. No local do levante olho para o terreno e refaço o lance na minha cabeça, a Íris continuava frenética como se nada fosse, até que, vinda de uma zona um pouco mais à direita que tinha deixado por ver anteriormente, aparece com a Galinhola morta na boca, tinha-a encontrado, nitidamente feliz veio trazer-ma, fiquei sem palavras, felicíssimo por ter cobrado a Galinhola e pelo magnifico trabalho da cadela que 1 hora depois foi capaz de a cobrar, no entanto o sentimento tinha um misto de tristeza, esta Galinhola tinha-nos proporcionado vários lances de sonho, mas este jogo é assim, quando elas perdem, morrem.
Pouco depois um verdadeiro penalti, o telemóvel não parava de tocar, eu, completamente desconcentrado errei um penalti oferecido pela Íris, fica para a próxima, pois o importante é desfrutar e hoje, desfrutei como nunca!



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