sábado, 24 de dezembro de 2016

Galinholas de Natal.

Véspera de Natal, como é tradição vou à caça, continuo sem saber porquê mas tem um sabor especial ir ao campo neste dia, em nenhum outro me dá tanto prazer cobrar uma Galinhola, talvez o facto de chegar a casa e deixar como é costume a caça abatida na bancada da cozinha, nunca noutra altura as peças abatidas se enquadram tão bem com tudo o resto, com a envolvência e com o ambiente.
Desta vez a jornada foi em família, acompanhado pelo meu Irmão, começámos cedo, o frio apertava mas terminámos a jornada com um calor anormal, as diferenças térmicas de manhã para o meio do dia são enormes.
Logo a abrir encostado ao carro a Elma fica em mostra, achei que não era nada, logo ali num bocadinho de eucaliptos sem tamanho, a Íris tira as teimas e fica também em mostra, acerco-me das cadelas, eu de um lado o meu irmão do outro, sai um torcaz quando as cadelas estavam em mostra, olho para o ar para acompanhar o pombo, quando junto ao chão sai uma galinhola, não demos com mais ela, mas era um bom presságio.
O que se seguiu foi um recital de bem caçar das cadelas, a Íris para-me uma Galinhola que me sai boa, meto a arma à cara erro-a no primeiro mas, achei que lhe tinha dado no segundo, o meu irmão tinha de outro ângulo a mesma sensação, mandei a cadela cobrar mas nada, virámos tudo mas nada.
Pouco depois uma outra com a Íris, mas a Galinhola a sair larga demais, rodámos e começou novamente o embate com a que eu tinha errado, afinal não lhe tinha acertado, a Elma a para-la a Iris a patronar, guia uma, guia outra, mas o pássaro sai sem o vermos, a Elma fica com ela um pouco mais a baixo a uns 30 metros de onde eu a tinha errado, sai a encastelar e o Vítor erra-a também, passando ainda por cima de mim a rodar. Pouco depois logo à frente novamente a Íris em mais um assalto, o beeper toca, sirvo a cadela, ficou com ela e eu dou-me ao luxo de errar uma Galinhola que sai encostada a mim, tão encostada que a pontinha da asa me toca no braço ao levantar, tão boa que saiu, comia com os olhos, antes de premir o gatinho já a via na boca da cadela, mas não, errei um pássaro fácil, e acabei por abater outra num tiro dificílimo, onde ela só se mostrou numa nesga, há coisas que não têm explicação, e só entende quem lá anda.
Resumindo, uma grande jornada em família, vários lances, um abate para cada um e sobretudo os momentos inesquecíveis e um trabalho magnifico da Íris e da Elma que nos brindaram com lances fantásticos, pois são eles os cães que nos fazem saír ao campo.


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