sábado, 26 de novembro de 2016

Avançamos em equipa!

Esta época começa a revelar-se, depois de duas épocas fracas em especial a ultima, creio que finalmente temos uma época no mínimo normal.
Os locais de crença cedo revelaram os seus encantos, cedo nos mostraram Galinholas já bem instaladas e conhecedoras do terrenos que pisam, os levantes vão-se sucedendo assim como os abates. 
Esta época com cães novos é sempre uma incógnita, especialmente com Don depois a recuperar de uma lesão numa pata, que o afastou das primeiras jornadas, começando só agora a sair, levando-me a sair mais vezes com a Iris, a mais nova da equipa mas que me tem dado momentos únicos de adrenalina, com a sua paixão, estilo e eficácia, o Ernesto tem alternado as suas saídas entre as minhas mãos e as do meu irmão, já tendo as primeiras Galinholas cobradas em terras lusas.

Quinta Feira 24-11-2016

Era uma manhã como tantas outras, o carro pelas 7:00h marcava 0ºC, bela temperatura para sair às Galinholas, a Iris teria hipótese de se mostrar uma vez mais, andamos ainda a conhecer-nos, cada cão é um cão e ela não é diferente, começo a percebe-la e ela a mim, temos uma Paixão mutua, as Galinholas, Paixão esta que ajuda muito a esta simbiose, caçador/cão.
Tinha a convicção que tinham entrado pássaros, o tempo mudara dias antes, as temperaturas baixaram muito, nevou nas terras altas, ventos fortes e muita chuva são indícios de mexidas, e foi isso mesmo que encontrámos. 
A primeira foi muito bem parada numa zona de crença, o Beeper tocou 3 ou 4 vezes e a Galinhola saiu para a frente, um lance fácil para mim, mas um pássaro bem metido pela cadela, e muito bem cobrada, enquanto falava com a cadela e lhe dava os parabéns com o meu entusiasmo do costume e ainda sob o efeito da adrenalina, sai uma outra Galinhola, que acabou por nos dar muito trabalho mas não me deixou chegar à cadela, saindo boa a mim e como a cadela não estava sequer enquadrada no lance não atirei, acabando a Galinhola por ir para o couto do lado.
A segunda foi numa zona com demasiado bom aspeto mas, muito pequena, a Iris manda-se para o chão, guia 2 metros e a Galinhola sai totalmente a descoberto para mais um tiro e cobro fáceis, pouco depois uma que se levanta larga e que lhe perdemos o rasto.
A terceira foi um momento especial de equipa, daqueles lances pensados, caçados. Tinha tido uma semana antes um lance com a Iris, onde tinha a arma travada, depois achei que tinha morto essa Galinhola com o Ernesto, mas desta vez voltei a ir lá ao mesmo sitio, porque quem anda às Galinholas há muito, sabe que só temos certezas naquelas que saem paradas aos cães e as abatemos logo ali, pois bem, este pensamento estava correto, antes da Iris ficar em mostra já eu tinha visto a Galinhola a sair, sendo parada pouco mais de 100 metros à frente num barranco sujo, aí foi de loucos, a cadela toda deitada, terreno difícil, íngreme e fechado, a Galinhola a mostrar-se numa nesga e com a Beretta lá a mandei a baixo num difícil tiro, um cobro mais demorado pois ela caiu no meio do mato mas a Iris não me falhou uma vez mais, são estes momentos que nos dão anos de vida.
Em resumo, uma jornada de sonho onde a Iris abriu o livro e nos deu o primeiro cupo da época.


Sábado 26-11-2016

Este sábado amanhecia com um céu relativamente limpo mas com uma temperatura mais elevada, a noite tinha sido de temporal e muita chuva, muitos pombos no ar mostravam que as migrações este ano são acima do que se passou na época passada.
A Iris era a primeira a sair, uma volta curta pois tinha de dar minutos ao Don já recuperado da lesão muscular numa para traseira, não demos com a Galinhola que eu já tinha visto com o Ernesto, deve ter-se mudado.
Era a vez do Don, saiu com ganas, forte como sempre, quase como querendo mostrar-se, marcando a sua posição na equipa, como se isso fosse preciso, sei a sua valia.
Tivemos vários lances, um deles a um pássaro onde antes de servir o cão, espalhei-me ao comprido, ficando cheio de lama por causa de uma manobra acrobática para não deixar a arma tocar no chão, ainda assim recompus-me e acerquei-me do Don, mas a Galinhola saiu tapada sem hipótese de tiro.
Pouco depois, aquilo que dava a sensação de ser uma lebre, só não achei que fosse como o meu sogro me dizia, porque conheço demasiado bem o cão, foi um lance surreal, a distancia que o Don andou num jogo de esconde esconde, ora no chão em mostra ora em guia, foi inexplicável por palavras, até que num alto fica em mostra, eu ajeito-me e vejo a Galinhola no chão, o cão em mostra de um lado, eu do outro e a Galinhola a uns 10 metros de mim na ponta do mato, pensei para mim, "estás lixada, tens de levantar para a frente!" dei um passo à direita para ficar com um bom ângulo por causa de um chaparro, e o pássaro a sair e a ser abatida ao primeiro tiro, estava em êxtase, um lance de loucos onde o Don mostrou que está cá para isto e muito mais!
Já a manhã ia avançada quando o beeper toca novamente, acerco-me do cão numa zona suja, olho para ele e digo-lhe num daqueles comentários que tenho com ele, com a certeza de que ele me entende "com essa tromba estás com ela nos queixos!!!" ajeito-me e sai a 300km/h uma perdiz das verdadeiras, das bravas, das realmente vermelhas, erro-a ao primeiro e corrijo ao segundo, e aí está a primeira perdiz da época, bem parada, esta vale mais que mil das outras!
Esperamos que a época continue assim, repleta de momentos de pura beleza!




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