domingo, 27 de dezembro de 2015

Longe da Realidade perto do Céu!

A viagem é solitária e longa, longa o bastante para pensar em todos os vales e crenças que quero ver, delinear a jornada, pensar nas que lá deixei, estarão lá, sairá aquela para o mesmo lado, desta vez vou tentar entrar por baixo, dá tempo para muitos pensamentos, como escolher qual o cão que sairá primeiro, não os escolho ao acaso, escolho pelo terreno, pela forma física, pelo cansaço que apresentam, mas nunca ao acaso!
Ainda escuro, lusco-fusco na hora delas passarem, ao fazer a última curva vislumbro as luzes da aldeia que em silêncio indica-me que a viagem chegou ao fim, sinto um frio na barriga são as expectativas a aflorar, os pensamentos em breve serão uma realidade, entro na estrada de terra batida, os cães despertam, o silêncio dá lugar à impaciência e fazem-se sentir! A lua enorme, redonda lá no alto, ilumina os últimos metros do caminho, uma lebre corre uma centena de metros alheia ao perigo. Paro o carro no lugar de sempre, os melros anunciam a manhã, 5 graus, sinto o frio nas mãos e a liberdade no corpo! Sem hora para começar e muito menos para terminar, o relógio pára, sou dono do meu tempo, sem patrões, sem e-mails, sem chamadas, sem colegas, apenas os companheiros de 4 patas que apenas demonstram tanta ou mais paixão pelas Galinholas que eu, olho para eles com a mesma certeza de qualquer outro caçador de Galinholas, são os melhores cães do mundo! Penso isto não com um narcisismo estúpido, mas com a convicção cega de um verdadeiro apaixonado por esta caça e pelos seus cães!
Preparo-me e solto a Shiva, saltitante de alegria por ter a mesma sensação de liberdade que eu, estava ali para fazer aquilo para que nasceu e ainda bem que nasceu. A primeira Galinhola é encontrada a muitos km do carro, uma das repetentes que 15 dias depois se apresentava exatamente no mesmo local, a Shiva para-a e faz o mesmo de sempre, guias e mostras, eu preparava-me para saltar o arame, pois a Shiva bloqueava-a sempre no mesmo local do outro lado do arame, no entanto desta vez ela deu em não passar o arame, sigo a guia da cadela, pouco depois aí está ela no ar, abatida facilmente!
Era tempo de voltar para o carro, ainda faltava ver uma zona lá perto, a Shiva num local conhecido e de grande crença, entra em mostra, a Galinhola sai muito rapidamente e larga, abato-a já larguíssima ao primeiro tiro, “benditos cartuchos Trust”, quando mando cobrar sai outra, outra que, ainda foi parada e vi-a graciosa cruzar as estevas, linda exclamei, depois evaporou-se!
Era tempo de ver de outra errada 15 dias antes, no entanto e pelo caminho uma mais que apesar de bem trabalhada pela cadela não me consegui colocar a tempo e lá foi ela!
A nossa Amiga estava no mesmo vale e exatamente nos mesmos paus, uma zona sem árvores mas muito húmida, com este tempo a humidade é mesmo a única coisa que segurava ali uma Galinhola, desta vez saiu para o lado oposto ao da última vez, terreno limpo, deixei-a alargar e abati-a ao primeiro tiro, aí estava o primeiro cupo desta época para a Shiva!
São estes momentos que nos fazem esquecer a realidade, parar o relógio e viver intensamente os momentos, desta vez proporcionados por uma cadela especial, a Shiva!


sábado, 26 de dezembro de 2015

Galinholas de Natal.

A tradição ainda é o que era, uma vez mais e como manda a tradição cacei nos dois dias de Natal, 24 véspera e 25 dia de Natal! Para mim caçar no dia de Natal tem algo de mágico, apesar de ser uma jornada curta no dia 25 devido ao tradicional Almoço de Família, nada me dá mais prazer que, chegar a casa com uma Galinhola abatida nesse dia, são coisas antigas, que o passar dos anos reforça a importância e, que acima de tudo tento manter como algo de bom e de valor, afinal o valor das coisas não está só naquelas prendas na noite de 24, está acima de tudo nas tradições e nos momentos que damos real valor!

24 de Dezembro, a Elma era a escolhida, uma jornada solitária como eu tanto gosto! os terrenos muito bonitos e conhecidos, uma primeira Galinholas que se tinha levantado na semana anterior muito longe de mim e do Don, desta vez a fazer o mesmo, a Elma a para-la por 3 vezes sem que me deixa-se aproximar para servir a cadela, até que no ultimo levante se evaporou! Depois uma repetida, a sair tapadíssima sem ser sequer atirada, encontrada apenas no final a já perto do carro e, errada de penalti, com a Elma a dar-ma de bandeja e eu a erra-la escandalosamente! Antes disso, a Elma numa zona de sargassos, para deitada como sempre faz, a Galinhola sai rapidamente e é abatida ao primeiro tiro, e aí estava a Galinhola do Natal, 3 vistas, vários levantes e uma jornada magnifica da Elma!
25 de Dezembro, dia de Natal, uma jornada que seria curta, até ao meio dia, pois esperava-me a família para o almoço de Natal! Desta vez era o Don que me acompanhava, rapidamente para a primeira Galinhola, muito longe, seguiu-se um bailado de mais de 20 minutos até a bloquear! foram guias e guias, com a Galinhola de levante sempre à frente, até que a ouço pela primeira vez levantar, não a vi mas, percebi que tinha ido em frente. O Don novamente em mostra e depois de mais uns bons metros a guiar finalmente bloqueia aquele pássaro esquivo, saiu-me perto e erro-a ao primeiro e abato-a ao segundo, era a primeira e única cobrada naquela manhã, apesar de ter visto mais duas, uma que se levantou longissimo e, outra que a levantei eu sem querer e que, apesar do instinto me fazer apontar e a ter como morta, indultei-a para uma próxima oportunidade, para morrer, morrerá com dignidade e sempre parada pelos cães! Assim se manteve a tradição, belas prendas me deram o Don e a Elma!


domingo, 20 de dezembro de 2015

Os Pequenos Pedra Mua

É com grande orgulho e agradecimento que recebemos e publicamos as fotos dos cachorros Pedra Mua, fotos de cachorros que começam a dar os primeiros passos nas Galinholas com grande habilidade e classe! É para nós um momento de grande satisfação quando nos ligam e/ou enviam e-mails e mensagens de agradecimento pela qualidade dos cachorros que criamos, no entanto, somos nós que agradecemos aos nossos Amigos a confiança depositada no nosso trabalho mas, nada disto fazia sentido se, depois não houvesse continuidade, se não treinassem e levassem os cães ao campo, felizmente que também nesse aspecto as coisas têm funcionado!

 Juka da Pedra Mua                Look da Pedra Mua
                                 
Lanna da Pedra Mua                 Lego da Pedra Mua

Lambetta da Pedra Mua       Fly da Pedra Mua


sábado, 19 de dezembro de 2015

Dias quentes, terrenos difíceis!

Este é um ano duro, duro para caçadores e cães, um ano demasiado seco, a densidade é reduzida e, para complicar tudo isto, o calor que se faz sentir aumenta as dificuldades! O calor e, os terrenos secos obrigam a rodar muito os cães, as lesões nas patas pelo terreno que parece lixa são constantes, ainda assim, uma a uma vão caindo, lances magníficos vão dando alento para continuar a ir ao campo mesmo nestas condições extremas!
Este será o ano que separa os Amantes da modalidade dos outros, daqueles que, matam Galinholas porque os coelhos são escassos, as perdizes poucas e ásperas e, as lebres de levante com estes terrenos secos ninguém lhe toca! Será até final uma época dura, os pássaros estão em terrenos menos típicos e, apenas os bons Cães nos dão lances dignos de recordação!




domingo, 13 de dezembro de 2015

Cães de Parar ao serviço do conservacionismo!

Cães de Parar ao serviço de proteção da fauna:
Um pequeno vídeo para vermos como podem os Cães de Parar contribuir para o importante processo de anilhagem de Galinholas no Quebeque, Canadá!
Os Caçadores do Clube Quebec (CBQ) têm o orgulho de lançar o seu novo video destacando o trabalho vital dos Cães de Galinholas e seus condutores.
Este vídeo foi produzido em colaboração com a Federação de Pescadores Quebec e Caçadores (FédéCP) e faz parte de um projeto em marcha com uma série de cinco filmes sobre os tipos de cães de caça usados Quebec.
Feito pelo cineasta Jean Boutin, este vídeo vai mostrar a prática e os benefícios associados com os cães de Parar na caça e no trabalho de anilhagem de Galinholas. O talento e a capacidade destes Cães em encontrarem e pararem caça é preponderante para que, seja possível anilhar estas aves de tão complicada captura sem abate, o trabalho destes cães e caçadores contribui para o futuro da espécie.
Assim, prova-se que, os Caçadores e os seus Cães de Parar, têm muita importância na continuidade das espécies!

Chiens d'arrêt from FédéCP on Vimeo.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Galinholas a 3.

A manhã apresentava-se como as demais nos últimos meses, quente e soalheira, a zona era nova e nunca antes pisada por mim, pelo João ou pelo Ricardo, o grupo que uma vez mais se juntava aqui a Sul!
A zona prometia, como diz o povo "os olhos também comem" e, à primeira vista, os terrenos eram fantásticos, parámos os carros num alto onde se vislumbrava o couto quase todo, nos terrenos mais típicos nada, apenas as perdizes a darem trabalho aos cães e, a mexerem com os nossos nervos, mas não era por elas que ali estávamos!
A primeira estava numa zona fechada, muito característica, onde nem é preciso ser cão para as sentir, o Don parou-a imensas vezes mas, o terreno era propicio para que ela se movesse a gosto, chegado ao final da mancha, pequena por sinal, uma olhadela em redor e rapidamente vi onde ela se tinha enfiado, estava pronto a apostar que, tinha voado para uma pequena "ilha" de mato muito fechado! E estava mesmo, o Don parou-a novamente, mas novamente ela furta-se para uns matos fraquinhos! O Beeper toca, mando guiar o Cão e, ele fazia cangocha, nem mais um centímetro, este comportamento é típico quando, o pássaro está logo ali! Ela ainda assim, conseguia furtar-se mais um pouco, o Don sai à direita e passa a uns 20 metros de um chaparro que, a beijar-lhe os pés, tinha uns insignificantes sargaços e a Galinhola, eu passo a meio metro dela, a Galinhola deixa-me passar a uma distancia segura e arranca para trás! Foi uma manobra de mestre, inteligente e característica de, quem já domina o seu terreno e, de quem já se furtou a muito cão de perdizes! Não mais dei com ela!

Depois fui ao encontro do desconhecido! Passo a passo, ia olhando para todo o lado, até que por fim, dei com uma zona mais sombria, onde dei com 3 Galinholas, a primeira foi abatida ao 5º levante, muito bem parada pelo Don, a sair tapadissima, um tiro de instinto e a incerteza de saber se a tinha abatido, até que por fim, o Don aparece com ela na boca, o alivio e a alegria instala-se!
Pouco depois, mais outra que, por fim, ao 4º levante, sai a jeito, um tiro mais fácil que na primeira e um cobro fácil do don, pois ela caí-a viva apenas com uma asa partida! 
O Ricardo também abate uma e o João teve apenas um percalço com os Porcos, que abalroaram o Jay e deixaram-lhe uma marca de guerra, tendo de ser cozido!
Foi uma bela jornada, pena o calor improprio, Galinholas Difíceis que dão trabalho mas, muita emoção também! Bonito ver o Don e os seus filhos no campo, Jay e Icone da Pedra Mua!  

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Muito calor!

O calor fora do normal para a época tem feito com que a densidade de Galinholas nesta altura do ano, seja abaixo do habitual! Um mês de Outubro quente, o mais quente desde 1950, um Novembro que vai pelo mesmo caminho, tudo isto faz com que as Galinholas se apresentem espaçadamente a todos nós!
Hoje comecei cedinho, de luvas, pois os 4ºC assim o exigiam, terminei de T-Shirt com 21ºC, um diferencial completamente estúpido! 
Passei o couto, ou melhor, parte dele a pente fino! As zonas de crença foram todas vasculhadas uma a uma, os Km nas pernas pesam agora que me sento e escrevo estas linhas, o cão foi um Herói com o calor que estava! Encontrámos apenas uma Galinhola, vi-a levantar um pouco antes do Don ficar em mostra a uns 30 metros donde ela saíra, para a frente dela apenas pasto, portanto antevi o que fizera, rodar para trás como tanto gostam mas, esse truque é velho, caem apenas os jovens becaderos! O Don, também com o conhecimento que tem, pensa seguramente o mesmo que eu! Poucos segundos depois ouço o Beeper, acerco-me, e ela sai, erro-a com 2 tiros! Rrrrrr, como pude errar este pássaro, interrogo-me! Faz parte, mais parte faz quando, elas são poucas! Como caçador de Galinholas que sou, tinha de engolir a mágoa e seguir no seu encalço! Pois bem, quem tem um Don, tem tudo! passado não mais de 2 minutos, o beeper toca novamente! O Don espumava-se da boca, um misto de calor e ansiedade, os olhos vidrados que só uma Galinhola os sabe transformar, diziam-me que, ela estava ali novamente! umas guias e o beeper toca novamente, torna a sair complicada! descomplicando tudo quando depois de passar uma árvore resolve encastelar, deixei-a passar e abato-a com um único tiro! As emoções misturam-se, um misto de alegria e tristeza, alegria por ter cobrado aquele pássaro, pelo trabalho do cão, mas uma tristeza por ver em meu redor que, a ganancia do Homem pelo dinheiro, especialmente o fácil, faz com que destruam tudo sem dó nem piedade! Os terrenos estão de ano para ano descaracterizados, projectos da CEE bancam um desmate sem regra, desmatam mas não limpam, desmatam tudo menos o que deviam, pouco a pouco, aquilo que eram terrenos e crenças de Galinholas, Javalis ou Veados, transformam-se em terrenos áridos e sujos, desprovidos de magia, aquela magia que é necessária para que, as Galinholas façam desses terrenos a sua casa de Inverno!

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

TVE faz reportagem sobre Becadas!

A RTVE, publica uma reportagem sobre a caça às Galinholas em Espanha, uma pequena reportagem que demonstra a Paixão que os Espanhóis têm por este disciplina, bem como, a extrema dificuldade que é, caçar às Galinholas! Pena temos de, em Portugal nada de idêntico ser feito pelas televisões generalistas!

   
   


       

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Mais que uma religião, uma paixão!

4:30h da manhã, o despertador toca, ainda sem o hábito de me levantar de madrugada ao fim de semana para ir para o campo, o corpo estranhou! 2 segundos depois, consciente do que se tratava caí em mim e prontamente me pus de pé !
Noite cerrada e debaixo de chuva fiz-me ao caminho, era a primeira de muitas viagens desta época, sabia que apesar de abrir às Galinholas, seria muito difícil ver uma, elas não se guiam pelo calendário venatório, é algo mais profundo o que as move! Ainda assim, mesmo sem convicção, a Paixão e a necessidade de mexer os cães fez-me sair de casa numa noite de grande temporal, e lá no fundo, bem recalcado, por debaixo de todos os sentimentos, também me movia uma misera réstia de esperança de ver a primeira Galinhola da época! Pensando bem não seria em mim, caso isolado!
Na estrada acompanhado apenas pelos meus pensamentos, constatava que, na generalidade aqueles que circulavam àquela hora eram também seguidores da minha religião, a caça! Reboques e caixas transportadoras na mala, denunciava-os! Outrora muitos mais, hoje em dia, os crentes desta religião ainda são muitos, devotos menos e praticantes uma minoria resignada! Noutros tempos terras como Vendas Novas eram paragem obrigatória para estes peregrinos, que ali alimentavam o corpo para mais tarde alimentarem a alma nos seus locais eleitos de devoção! Hoje tudo mudou, os domingos deixaram de ser santos para a caça, esta nova realidade troce mais dias de caça, caça-se todos os dias, os praticantes são menos e mais dispersos pela semana, a caça, tal como a religião, agora é paga e assim se enchem os bolsos a alguns Bispos, crentes apenas naquilo que move a humanidade, o dinheiro!
Chegado ao couto, o dia amanhecia com uma ligeira morrinha, no entanto as previsões eram de chuva a sério, daquela para me lamentar ter saído de casa! No entanto quase nem pingou, a manhã foi fria mas nada chuvosa! De Galinholas apenas uma ou outra bosta de vaca, devidamente bicada por um ou outro pássaro de passagem que, vá-se lá saber porquê, não teve a intenção de ali se fixar, optando por um outro local mas, demonstrando que, mais dia, menos dia, a primeira vai-se mostrar!
Os cães vão ganhando ritmo, eu forma física, para assim que elas se apresentem, estarmos preparados para dar o melhor final aos lances!

Que venham rápido e que nos proporcionem lances de sonho!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Açores 2015 os momentos em Video!

Das férias da passada semana, recupero alguns momentos que foram possíveis de captar em filme, de forma a, poder partilhar os belos momentos vividos em terrenos insulares com Galinholas 100% Lusas!




Mais vídeos no nosso canal YouTube:


  

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Açores, 9 dias de emoções


Há meia dúzia de meses atrás recebi o convite do Amigo José Carlos Correia, Conimbricense radicado nos Açores há mais de 30 anos, para ir fazer umas férias de caça nos Açores, convite aceite, lá fui eu com outro grande Amigo, Ricardo Freitas, companheiro de Galinholas no Continente.
Rumámos a S. Miguel onde fomos recebidos pelo Zé e pela sua simpática e hospitaleira família, chegámos à hora do jantar, esperava-nos uma canja de Pombo Torcaz e umas belas Galinholas feitas à moda do Zé, nada melhor para começar senão com um belo repasto e um ainda melhor serão, onde não faltaram as conversas de Galinholas e os lances marcantes um pouco por todo o lado.
Na manhã seguinte embarcámos bem cedo para o Pico, uma Ilha especial onde ia-mos fazer a abertura, depois de nos instalarmos numa casa onde tínhamos defronte a magnifica vista do Faial e do Porto da Horta, fomos esticar as pernas aos cães, rapidamente o Don pára a sua primeira Galinholas insular, não tardando a serem os outros cães a fazer o mesmo, estávamos radiantes pois não ouvíamos aquele “papapa” há muito, e antevíamos uma abertura proveitosa!

Abertura no Pico:
Domingo, rumámos bem cedo em direção a zonas mais altas, caçámos em cotas a rondar os 1100 metros, o dia apresentava-se soalheiro e muito quente, temperaturas de 20°C humidade a rondar os 90% àquela altitude, dificultavam muito a jornada, minimizava o esforço dos cães o terreno muito molhado e muita água para beberem.
As Galinholas poderiam estar em qualquer lugar, mas os Urzes endémicas a que lhe chamávamos “vassouras”, com fetos secos eram um habitat preferencial! Pouco a pouco íamos tendo lances de sonho, uns melhor aproveitados que outros, lá caíram as primeiras sempre após o excelente trabalho dos cães! Caçámos também em bosques de Criptomérias, muito do meu agrado e do mais belo que já cacei, quando elas encastelam o lance torna-se mágico e indiscritível!
Ao final da manhã todos tínhamos o cupo e muitos lances para contar, uns bem filmados outros lamentavelmente não!
Nessa tarde rumámos de barco para a Ilha de São Jorge, onde iríamos passar o resto da semana para fazermos a abertura no domingo seguinte.
Em São Jorge tivemos uma semana de caça e de pesca, de Garoupas a Sargos e Anchovas, aos Coelhos e aos Pombos da Rocha, estes últimos proporcionaram-nos momentos inesquecíveis de grande tiroteio, bem como belas canjas em jantares sempre bem regados!

Abertura em São Jorge:
Pelo que já tínhamos visto, os terrenos eram muito distintos dos do Pico, muito mais fechados, com muitas covas ladeadas de grandes silvados emaranhados nas típicas Hortências, onde o material que tinha levado da Hart, seria fundamental, assim como os cartuchos Especial Becada da Trust, muito úteis naqueles terrenos tão fechados, já que iriam sair muitíssimo encobertas e complicadas de atirar, seriam tiros instintivos e rápidos, muito a meu gosto!
Pois bem, a abertura em S. Jorge foi dentro do esperado, um dia sem chuva e pouco nevoeiro, terrenos lindíssimos, duros, onde apenas a paixão de um caçador de Galinholas nos faz andar para a frente! Servir o cão em terrenos destes é uma façanha, aqui se separa o Caçador apaixonado do matador!
O Don, o eleito para esta aventura, como sempre não me deixou ficar mal, fez-me lances de sonho, momentos únicos que jamais esquecerei, mostras fantásticas e intermináveis, onde recordo o lance que, pela primeira vez vi a Galinhola no chão, imóvel entre mim e o Don, correndo depois direita ao cão e, saindo na brecha mais improvável daquela mancha! No final, os 3 tínhamos o cupo e muito para contar, muito para recordar, jamais esquecerei estes terrenos, estas Galinholas 100% Portuguesas!

Sempre ouvi dizer que caçar às Galinholas nos Açores não é igual ao Continente, que não tem o mesmo encanto, que é mais fácil e não que tem a mesma piada, pois bem, agora tenho a minha opinião, que contraria muito do que ouvi, e muito do que ouvi foi de caçadores que nunca pisaram os Açores!
Os terrenos são duros, sempre a subir, temperaturas altas comparativamente com as jornadas invernais no Continente, altitudes elevadas, muita chuva, nevoeiro e humidade, terrenos duríssimos de andar, as vacas sempre presentes em terrenos muito empapados, fazem buracos que dificultam o caminhar a caçadores e cães! Nunca caí tantas vezes por jornada, nunca me cortei tanto nas silvas, nunca saltei tantos muros atrás das Galinholas! Nunca perdi tanto tempo para que os cães cobrassem as Galinholas!


Se dão mais paragem é mentira! Se andam menos a pés, é mentira! Se saem mais a descoberto é mentira! Se vimos mais pássaros por jornada, é verdade! Tirando a densidade tudo o resto é igual ao Continente, uns locais mais fáceis que outros como em qualquer lado, o comportamento é o mesmo, astutas, esquivas, a saírem tapadas, e a caírem em silvados enormes onde o cobro do cão é determinante para o sucesso do lance!

Destes 9 dias, nestas 9 ilhas, recordo a amizade verdadeira, os belos jantares feitos em casa e acompanhados noite fora pelas sempre presentes histórias e piadas do Zé, as paisagens inigualáveis, de caçar a ver o Mar e as outras Ilhas do Grupo Central, recordo o cheiro a hortelã, que fazia de tapete e emanava de forma mais intensa quando pisada a cada passo que dávamos, as gentes do campo mas hospitaleiras, as fajãs, lugares magníficos erguidos junto ao mar pela perseverança do Homem, de acesso mais ou menos complicado em intrincadas e apertadas curvas, e acima de tudo, recordo os lances dos cães, a magia e experiência do Don imposta em cada lance e os seus cobros magníficos, os 5 minutos de uma mostra do Jeep da Pedra Mua (Chopin) que ficou cravado numa Galinhola até o Zé finalmente o conseguir servir e, depois de 2 disparos, a incerteza desfez-se num cobro magnifico do cachorro!
Agora venham as do Continente que estas, são passado!

Obrigado por tudo, Zé!


domingo, 4 de outubro de 2015

Do Mar para a Terra.

O tempo quente, ainda apela aos veraneantes mais tenazes, os dias de sol quentes estendem o Verão por mais uns tempos, atrasando assim as minhas idas ao campo de arma em punho! Os cães, através das refeições pontuais feitas agora ao lusco-fusco, vão-se apercebendo que algo está a mudar, que a época deles está mais próxima, sinto-os já impacientes, nem as saídas encurtadas pelo tórrido calor os faz ficar mais calmos!
Eu próprio começo a  ficar impaciente, vou dissipando a minha tensão com umas manhãs de Pesca Submarina, o vento Leste que agora me trás Mar bom, há-de trazer-me em breve as minhas Damas do frio, sou um fiel devoto do vento Leste, sou-lhe eternamente grato, tem em mim talvez o maior dos devotos!
Em tempos, o mês de Agosto, era para mim mágico, qual emigrante, fazia dele o meu objetivo do ano! Tinha 1 mês de Mar, um mês que poderia desfrutar das minhas caçadas submarinas todos os dias da semana, dava-me ao luxo de deixar o fim-de-semana para aqueles que não poderiam ir ao Mar à semana, era muita gente dizia eu, eram muitos barcos, não me movia como gostava, não poderia fazer as minhas jornadas nos meus locais de eleição sem revelar os mesmos! Guardava-os com muito afinco, eram para mim reais tesouros, agora, passados vários anos, fazendo uma retrospectiva, diria que se fosse hoje, faria exatamente o mesmo, pois não era uma questão de egoísmo, na realidade o Mar é de todos mas, aqueles buracos de robalos, as baixas dos Pargos, as pedras das douradas, eram apenas meus! Cuidava dessas zonas, nunca as destruí, sabia o que representavam para mim, assim nunca lá matei Bodiões, Peixe-Porco ou peixes pequenos, eram zonas que tentava deixar o mais intactas possível, algo que nunca aconteceria se lá levasse alguém! "Limpavam" os enormes Bodiões, faziam uma razia em tudo o que mexe-se e destruíam aquilo que eu tanto preservava, nunca fui Pescador Submarino (termo moderno, sempre me considerei um Caçador, pois tem mais técnica e arte, assemelha-se mais em tudo ao caçador que, ao pescador!) de quantidade, sempre procurei os troféus, as Douradas (meu peixe de eleição), os Pargos e Robalos Grandes, Meros, as Saimas e Corvinas em detrimento das caixas de Sargos, sacadas de Polvos ou marisco, pescava "caçava" com paixão, movia-me a vontade de capturar aquele troféu, de enganar um Pargo, de ouvir o carreto cantar, de ir pelo caminho mais longo e difícil e acima de tudo emocionante! 
Pois bem, foi por tudo isto que me apaixonei pelas Galinholas, se não fossem elas já não era seguramente caçador! Não sou caçador de muitos tiros e molhadas, fui uma vez aos tordos e não fiquei fã, aos pombos nunca fui, os javardos tiveram mais perto de me matarem que o contrário, as perdizes são quase sempre um embuste, os cães esses, não se deixam enganar tão facilmente como alguns caçadores! As codornizes, as bravas, são tão poucas que quando um caçador sério, verdadeiro faz o cupo, tudo é posto em causa, a dúvida está legitimamente anilhada a cada pássaro, a farinha esse bem precioso, rebenta e mancha uma manhã verdadeira e bem soada, por uns pagam os outros! 
São as Galinholas, as mais verdadeiras que me fazem caçador, que me despertam os sentidos, que me consomem as energias e mas repõem em triplicado! Uma vez mais escolhi o caminho e a disciplina mais difícil, aqui não se fazem molhadas, somos obrigados a pensar, a ponderar, a decidir, isto é caçar, a estratégia, contamos apenas com o nosso instinto, conhecimento e astucia, e acima de tudo com o companheiro de 4 patas, com a suas qualidades e perícia, é um jogo de equipa, confiamos no cão e ele em nós, aprendemos com o tempo a ler o seu movimento, antecipamos o que vai acontecer, decidimos, umas vezes bem outras mal, e começamos de novo! Sofremos, sim sofremos, 6 Kg a menos ao final de uma época de Galinholas, é porque sofremos, lascamos botas, rompemos safões e calças, caímos vezes sem conta, perdemos constantemente os chapéus, cortamo-nos e arranhamo-nos, é duro, é Caçar Galinholas e é tão bom!

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Shiva e o Gigante

É com muita pena que anunciamos, que a gravidez da Shiva não correu como esperado, infelizmente a Shiva só teve um cachorro e, ainda assim teve o parto de ser realizado no veterinário que dá apoio aos nossos cães, ao qual eu desde já agradeço o empenho demonstrado! Sendo só um cachorro, a Shiva não recebeu o estímulo necessário para ter as contrações necessárias para parir, havendo assim a necessidade de recorrer a cesariana.
Felizmente a Shiva e o cachorro estão bem, passado sensivelmente 1 semana, o cachorro encontra-se em excelente estado e ENORME, pois tem em exclusividade, o leite que seria para uma ninhada normal, de 6 a 10 irmãos, esperamos agora a recuperação total da Shiva para a prepararmos para a próxima época de Galinholas que se avizinha, bem como, continuarmos a assistir ao crescimento deste cachorro.

Desde já o meu obrigado a todos os Amigos que desejaram as melhoras da Shiva!

sábado, 29 de agosto de 2015

Galinholas em Agosto

Mais uma belas imagens proporcionadas pelo Chopin (Jeep da Pedra Mua) mostrando que, cães novos também trabalham Galinholas com mestria e classe!
Este é mais um belo exemplo da qualidade do Don como reprodutor!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Chopin (Jeep da Pedra Mua 11 meses)

Criar cachorros é algo apaixonante, acompanhar o seu crescimento é algo maravilhoso, desta vez partilho 2 pequenos filmes do Jeep da Pedra Mua, agora rebaptizado para Chopin, pelo seu dono, o Amigo Zé Carlos Correia. É com verdadeira alegria que partilho estas magnificas imagens de um cachorro que tem tudo, beleza, estilo, paixão e bastante eficácia na caça brava, um cachorro muito estilista e felino na abordagem aos lances. 


www.pedramua.com

De Blog a Página WEB.


Há muito que era nossa intenção ter uma página Web para o Canil da Pedra Mua, com uma página a facilidade de pesquisa é substancialmente maior, no entanto, uma página Web limita-nos muito a actualização de dados, pois estamos dependentes de terceiros. Assim, a solução encontrada e a que nos parece mais lógica, foi a de transformar o nosso Blog abeladama.blogspot.pt numa página web com o endereço mais curto e fácil de memorizar e aceder, assim nasceu a página www.pedramua.com que prometemos continuar a actualizar frequentemente com conteúdos de interesse como tem acontecido até aqui com o blog.

sábado, 20 de junho de 2015

Para os Apaixonados! Don x Shiva

Para a enorme legião de fãs da Shiva, este é um momento por demais esperado, uma nova barriga!
Uma vez mais decidimos repetir a monta e cobri-la novamente com o Don, os resultados são sempre certos e seguros, além de termos já o conhecimento e feedback da monta passada que nos dá uma outra segurança! Poderíamos fazer a monta com o Easty como inicialmente tínhamos previsto mas, após muita ponderação e por diversos motivos, estamos certos que a monta funcionava melhor com o Don, pois isto de cruzar cães não é propriamente 1 + 1 = 2, existem vários factores a avaliar, desde os caracteres dos progenitores, mesclar qualidades e defeitos, tamanho etc. Assim de consciência mais que tranquila apresentamos a próxima monta da Pedra Mua, esperamos que tudo corra bem para dar muitas alegrias aos vários apaixonados por estes 2 magníficos exemplares bem como, para desta ninhada escolhermos um exemplar para ficar cá em casa!




sábado, 30 de maio de 2015

As primeiras mostras às 7 semanas.

Aqui fica uma amostra daquilo que são as nossas expectativas sobre esta ninhada, são as primeiras mostras à pena onde, de muito cedo se pode ver que o estilo é algo genético e já muito presente, esperemos que sejam as primeiras de muitas mostras e que, os seus futuros proprietários desfrutem dos seus novos companheiros.





segunda-feira, 11 de maio de 2015

ROSI DE LA SOLARIEGA

O Futuro constrói-se no Presente!
Com os olhos postos no presente e olhando para os cães que tenho, era fácil ficar durante alguns anos a desfrutar do melhor que pode haver mas, esta não é a minha filosofia, gosto de viver e saborear o presente não descorando o Futuro, até porque o presente passa mais rápido que o galope de um bom Setter.

Pois bem, a pensar no Futuro decidi adquirir mais um exemplar Setter, uma fêmea com um Pedigree invejável, filha de um Grande Campeão, Notado de la Vecchia Irlanda, e com vários Campeões Internacionais no Pedigree, Radentis Nomar, Picasso, Kapo, Dodge del Tirso, Nero, Radentis Sbranco etc. desta forma tenho a convicção que estou a dar um belíssimo contributo à raça em Portugal ao importar esta magnifica cadela.


Rosi a mais espevitada!

domingo, 10 de maio de 2015

Com Nome Próprio.

Aqui estão eles com nome próprio, às 4 semanas os cachorros da Ninhada Don X Elma.


 Lenda da Pedra Mua                        Lambretta da Pedra Mua

  Latifa da Pedra Mua                        Lupa da Pedra Mua

 Lana da Pedra Mua                        Logan da Pedra Mua

 Look da Pedra Mua                        Lego da Pedra Mua

Lotus da Pedra Mua


sábado, 11 de abril de 2015

Finalmente nasceram!


Ainda trémulo do Stress de ver e ajudar a Elma num parto de 6 horas, aqui estou eu cansado mas feliz após uma tarde que parecia não ter fim, para vos dar a conhecer os filhos da Elma e do Don. Finalmente a Elma deu à luz os seus pequenos, uma ninhada de 10 lindos cachorros, 6 fêmeas e 4 machos, onde já no primeiro dia se consegue perceber que há alguns cachorros tricolores, mais uma vez o Don nos brinda com uma larga ninhada de bonitos cachorros, agora temos de dar uma ajuda à Elma, com uma ninhada tão grande é fundamental que proporcionemos à mãe toda a ajuda possível e nada melhor que o suplemento Royal Canin, esperemos a sorte não nos abandone e que esta ninhada vingue por inteiro, pois há muita Galinhola esperando por eles!