sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Elma abre o livro!

Segunda jornada consecutiva que ao chegar ao couto, desta vez um outro que sou brindado por uma Galinhola à passagem, 7:08h precisamente foi a hora que ela passou alta por cima do carro, com aquele voar inconfundível lá ia à sua vida. 
Cheguei cedo ao couto como sempre, levei comigo as cadelas deixando o Don em casa, saí primeiro com a Elma que, sendo a mais nova e com a escasses de pássaros tenho erradamente apostado mais naqueles que conheço e caço à mais anos, o típico problema de quem tem cães muito experientes e que depois se depara com mais uma nova aquisição, quem me dera ter desfrutado desta cadela na passada época onde a densidade de Galinholas era assombrosa, teria seguramente sido diferente!
Bati todos os cantinhos conhecidos e nada, elas este ano quando são abatidas nunca ou raramente à reposições, era o que estava a acontecer, até que, se levanta longe a uns 40 ou 50 metros de mim uma Galinholas, que silenciosa e rasante ao sargaço se tenta afastar de mim e da cadela que nem sequer a viu. Chamo a cadela e iniciamos a busca, pouco depois a Elma entra em mostra, numas estevas mais altas, num cantinho de bom aspecto, com pinheiros novos e um ou outro medronheiro que compunha a cena, a cadela guia, pára, guia, para e julguei que já não fosse nada, até que o pássaro sai completamente encoberta. Mea Culpa, os pássaros este ano estão assim, andarilhos, esquivos e complicados há que acreditar nos cães pois o nariz é deles! Vamos então calmamente à rebusca, numa zona menos típica a cadela perto de mim quebra o seu lindíssimo galope e atira-se para o chão, dou 3 passos acelerados e ao primeiro toque o beeper a Galinhola levanta, apanhando-me ainda sem posição e em movimento, faço um tiro de chofre e ela cai, fiquei feliz pelo lance da cadela, fiquei feliz por ter-lhe dado aquele pássaro, pois tinha merecido, fiquei feliz pela confirmação da sua qualidade becadera, e fiquei ainda mais feliz por saber que posso contar com ela da mesma forma que posso contar com o Don e a Shiva, pois não é uma suplente de luxo mais sim uma cadela de luxo, esta é a prova que beleza, estilo e ensino podem estar associadas a uma cadela de caça, pois a Elma parou, e respeitou e levante e o tiro, lindíssimo é o mínimo que se pode dizer!
11 horas era momento de trocar de cão, saio então com a Shiva, a expectativa confesso não era muita, já tinha pisado o terreno, faltava apenas um cantinho pequeno, pois é aí que a cadela numa regueira com um palmo de agua, fica em mostra, de pé, pouco típica dela, com tanta agua nem servi a cadela, nem sequer me fiz ao lance, pois não é que para meu espanto salta uma Galinhola completamente a descoberto que devia estar ali num cantinho mais seco, sem atirar, xingo-me a mim próprio, ainda a vi levantar-se larguíssima, voando para bem longe e já alta, como quem se vai afastar do perigo.
Foi mais uma jornada típica desta época, poucas Galinholas, poucos lances, difíceis mas intensos, onde os cães têm sido uma ajuda fenomenal sem eles seria impossível ir compondo quase uma a uma esta época tão atípica.

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