sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Relatos dos Amigos.

Este espaço é dedicado a publicar os relatos e textos cinegéticos de Amigos e seguidores do Blog, donos de cães da Pedra Mua e todos aqueles que, com respeito pretendam publicar as historias e recordações das suas jornadas de caça. Caso pretendam partilhar as vossas emoções, podem enviar os relatos e fotos para: pointerdapedramua@hotmail.com






Jawa da Pedra Mua (9 meses)
Boas Jorge,

Ao fim de umas quantas jornadas, conseguimos apanhar uma!!!!
Valeu por todas as jornadas que não conseguimos nada!!
Uma excelente paragem não é que a jawa se (deitou) até tremi....

ESTOU MARAVILHADO!!!!
um grande abraço,
Luís Pina



A caça para ser caça tem de ser escassa…

Conforme vai decorrendo a época mais propriedade vai ganhando esta frase lapidar de José Ortega y Gasset que, na sua simplicidade, ilustra magistralmente a caça às galinholas. Este ano são poucas e difíceis de caçar – tímidas, inquietas e muito matreiras – raramente se deixam bloquear e quando se “distraem” é sempre numa zona de muita vegetação e complicada para atirar. Mas, como dizem os nossos vizinhos espanhóis – “ao mau tempo boa cara” – valorizam-se as poucas que se abatem e mais picados ficamos com as que nos fitam.
Serve de consolação ver “crescer um cachorro” que, apesar da escassez evidente, não esmorece e a cada jornada vai ganhando mais confiança e ligação com a arma. Ainda que inexperiente já proporcionou alguns lances espetaculares e de grande beleza – busca ampla, captação de emanação, guia e paragem firme – infelizmente não concretizados devido a flagrantes falhanços que, apesar de custarem muito a aceitar, têm a virtude de constituírem uma verdadeira lição de humildade que torna ainda mais injusta a pouca tolerância que por vezes manifestamos com os erros dos nossos companheiros de quatro patas. Mas, como tudo na vida, o seu momento chegará e, certamente, a partir desse dia terminará a iniciação da Inoa.
A veterania na caça, como na vida, ajuda a suavizar as dificuldades e a Pica lá vai amenizando os maus resultados da época, sempre com muito esforço e perseverança, como se impõe a um verdadeiro cão de caça.

Álvaro Moreira

07.01.2015


Despedida

o que é bom acaba depressa. E assim foi esta temporada de caça. Num ápice chegou ao fim. Como sucede em quase todas, teve altos e baixos, bons e maus momentos, mas o balanço final é claramente positivo. Apesar de o tempo não ter ajudado, sobretudo porque a chuva foi tardia e extraordinariamente persistente e abundante a partir do início de dezembro, as galinholas estiveram presentes em quantidades razoáveis, ainda que de forma irregular. No meu caso, a marcar a época de forma muito especial, foi a confirmação de uma cadela na qual depositava muitas expectativas, que proporcionou lances espectaculares, infelizmente alguns deles não concretizados, num ano atípico em que fui particularmente perdulário.
Como se costuma dizer –
Curiosamente, à semelhança do ano passado, o último lance da época deixou-me um amargo de boca que, seguramente recordarei durante bastante tempo.
- A meteorologia, como vinha ocorrendo ao longo dos dois últimos meses, perspectivava um dia particularmente adverso, de tal forma que hesitamos em ir fazer o “fecho”. E tínhamos razão, porque choveu, nevou e fez um vento frio e persistente durante as duas curtas horas que conseguimos resistir, e que acabaram com um monumental banho e princípio de hipotermia. Ainda assim, a Pica concretizou três “encontros”. O primeiro, apenas ouvi a galinhola levantar. O segundo, também malogrado, aconteceu depois de uma extraordinária guia e paragem, que a cadela manteve durante um interminável slalom que fiz ao subir uma encosta repleta de paus e mato muito fechado, no qual, por diversas vezes, estive em risco de ficar empalado e, quando finalmente cheguei, estava tão ofegante que não fui sequer capaz de encarar a arma ao levante da galinhola. O terceiro foi diferente e bastante mais interessante. Após uma longa e infrutífera busca da segunda galinhola resolvi afastar-me do local e ir a um extremo de um enorme giestal que confina com um pinhal jovem, bem protegido do vento e muito querencioso. A cadela, como é costume, encontrava-se a fazer uma busca muito ampla, a cerca de 120 m de distância, quando percebi, pelo barulho do chocalho, que estava com uma galinhola, acto contínuo parou. Teve então início a aproximação através do tal giestal, em que tive que parar várias vezes para ouvir o beeper e reorientar-me, pois não só era muito denso como estava repleto de valas e pedras escorregadias. Assim que cheguei vi a cadela parada num espaço razoavelmente aberto onde me posicionei e recuperei o fôlego. Avaliei a área, as possíveis rotas de fuga e acomodei-me calmamente. A Pica desfez a mostra, guiou e parou novamente. O levante estava iminente, mas os segundos foram-se passando e a nada aconteceu. Entretanto, já um pouco descrente, dou dois passos e a galinhola, com um enorme estardalhaço, levantou a cerca de três metros de mim para uma área completamente aberta e voou em linha recta. Deu tempo para tudo, até para o mais espectacular falhanço da época. Ainda estou para perceber o que aconteceu. De facto, na caça não há resultados garantidos e, menos-mal que estes falhanços, deveras incríveis, são compensados por alguns acertos, por vezes ainda mais surpreendentes.

15.02.2014

Álvaro Moreira

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… mas já só a vi a relampejar no meio das giestas.

Jornada após jornada vai-se cumprindo mais uma época de caça. Este ano com a alegria de ver a confirmação de uma cadela que dava muito boas indicações e que todos os dias tem proporcionado lances verdadeiramente espetaculares. Pena é que aqui no norte a meteorologia não vá de feição para fixar as galinholas nos locais de querença, pelo que os contactos têm sido escassos e os pássaros invariavelmente mostram-se nervosos não se deixando bloquear facilmente. Deste modo, até ao momento, os resultados não têm sido famosos. Todavia, nem para todos tem sido assim. Varia de caçador para caçador, consoante as qualidades cinegéticas de cada um e, sobretudo, a sua imaginação.

Durante os dias de caça os encontros fortuitos com caçadores da “terra” constituem para mim momentos verdadeiramente únicos a que nunca me esquivo. No passado fim de semana, ao sair de um imenso giestal em que a cadela vinha a marcar um pássaro que acabou por levantar sem que o tivesse visto, surpreendi um “coelheiro”, já de uma certa idade, a olhar estupefacto para a Pica, cujo beeper provocou a mais extraordinária admiração. Após a circunstancial troca de cumprimentos, uma vez esclarecido dos meus propósitos, maravilhou-me com várias estórias de caça na primeira pessoa, onde, naturalmente era o principal e único protagonista, nas quais ia revelando os seus prodigiosos dotes cinegéticos. O remate, muito a propósito, aconteceu com o relato do dia em que – lá para os lados do Santuário da Nossa Senhora da Conceição –, sem cães, matou quatro galinholas – um verdadeiro prodígio. E, para que não restassem dúvidas das suas qualidades cinegéticas, ilustrou a dificuldade da caça às galinholas com uma curiosa expressão – (…) … ainda na semana passada, aqui mesmo, quando o meu cunhado meteu os cães neste mato levantou uma galinhola e ele ainda gritou - ai vai - mas já só a vi a relampejar no meio das giestas (…). 

Despedi-me com um sorriso e a certeza que o “velho coelheiro”, curtido por mil e uma jornadas de caça, ficou a pensar – … esta não lembra ao diabo. Um apito e o chocalho ….. o que é que estes caçadores da cidade vão inventar mais
                                                                                           
                                                                                                            18.12.2013   

                                                                                                          Álvaro Moreira
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Um verão que nunca mais acaba!

Nuestros hermanos tem Miguel Delibes como figura maior da literatura cinegética castelhana, reputado caçador e autor consagrado nos mais ilustres círculos da cultura espanhola. Neste campo, ao contrário de muitos outros, nada desmerecemos em relação aos nossos vizinhos, pois temos como patrono espiritual e personagem maior da atividade cinegética nacional, nada mais, nada menos, que um dos principais autores de língua portuguesa do século XX – Miguel Torga.
Nesta interminável espera pelo início da época de caça, em que o calor parece fazer questão em tornar tudo mais difícil, penoso e demorado, os livros continuam a ser o melhor refúgio, pelo que o escritor português da minha preferência nunca se afasta muito da mesa-de-cabeceira.
Pela atualidade*, riqueza literária e nobreza de princípios que o autor expressa neste pequeno trecho da sua extraordinária obra - A criação do mundo -, que tão bem ilustra essa essência especial que todos comungamos, não resisti em partilhá-lo convosco.
(…) Era um Portugal teimoso, insubmisso, cabeçudo, que não se rendia à força de nenhuma evidência, mesmo quando ela se chamava o degredo ou a exoneração. E toda a semana aspirava por aquela quinta feira que, sendo uma jornada árdua de trabalho, resultava, afinal, num apaziguamento periódico da minha crispação permanente. ….
… Aos domingos continuava a caçar. Saía de madrugada, quase furtivamente, para não perturbar o silêncio recolhido da vizinhança, e regressava às tantas da noite, moído e pacificado, depois de calcorrear as charnecas do Alentejo, as lombas da Serra da Estrela ou os socalcos do Doiro.
Cada vez tinha mais necessidade de me perder por montes e vales, liricamente sonâmbulo e de reflexos prontos, a proceder à revelia da razão. O homem primitivo que nunca se resignara dentro de mim só vinha à tona em toda a sua plenitude de cartucheira à cinta. O acto venatório era para os meus sentidos o regresso à pureza original. Desde a roupa que vestia, delida como um velho paramento e afeiçoada aos movimentos do corpo como uma segunda epiderme, à frugalidade sã da merenda, sempre igual, ao vinho bebido excepcionalmente, tudo fazia parte de uma secreta comunhão com a sacralidade da natureza. O dia raiava na emoção do primeiro disparo. Antes que a vontade hesitasse, o estalão das passadas tornava próxima qualquer distância. Alheia ao suor da fadiga, a atenção ia acompanhando, por relances, objectiva e deslumbrante, a consumação circular do tempo e a variação ondulada dos horizontes. Quando as forças decaíam, a tarde declinava também. (…)
                                                                       Miguel Torga “A criação do mundo”

 Não tarda nada, estaremos em novembro, e com o frio que vem do norte, virão também as nossas “amigas” e as ansiadas jornadas de caça.

Até breve

Álvaro Moreira

*A ação passa-se entre 1938 a 1940. O contexto descreve as inquietações do escritor enquanto médico e vítima do sistema, devido, segundo as autoridades nacionais, à divulgação de “ideias subversivas” relacionadas com a guerra civil de Espanha.

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É com os erros que verdadeiramente se aprende!
Se, por um lado, podemos dizer que num passado recente a caça era um “ornamento” da prosperidade, amplamente praticada por uma larga faixa da sociedade, progressivamente abandonada devido a circunstâncias financeiras e culturais adversas, por outro, com a mesma razão, poderemos afirmar que, para os verdadeiros caçadores actualmente constitui um refugio na adversidade.
Houve um tempo, não muito distante, em que o homem e a natureza eram um só. Todavia, a evolução civilizacional separou-os ao criar um mundo artificial, mais cómodo e fácil mas, paradoxalmente, menos conforme com a sua essência. Talvez seja por isso que actualmente as pessoas procuram uma ligação mais íntima com a terra de forma a reequilibrarem a sua condição biológica. Como é óbvio, a caça não é o único meio de estabelecer essa ligação, mas será, por ventura, a experiência mais forte e intensa e, por isso mesmo, mais autêntica e gratificante, uma vez que responde a um apelo atávico, quase primordial, perdido na memória dos tempos, que para ser vivenciada em pleno implica uma actividade sensorial absoluta, quase animal. Neste entendimento da condição de caçador, considero que a caça à galinhola, pela dificuldade que encerra, os cenários em que se desenvolve e a exigência de uma profunda união do caçador com a natureza, é a que melhor responde a esse apelo. Na minha perspectiva, para que tal desígnio se cumpra plenamente é necessário que se conjuguem vários factores como, por exemplo, que o local onde decorre a acção congregue as condições próprias destes ambientes (tranquilidade, silêncio, encantamento), que o caçador tenha uma forte ligação ao cão, sentidos apurados, elevada concentração e, naturalmente, concretize dos lances, momentos únicos de grande intensidade e dramatismo sensitivo que constituem o clímax de todo o processo. Esta ideia leva-me ao episódio que queria partilhar convosco e que para mim teve um grande sentido pedagógico.
Dia 10.02.2013, último dia de caça da época, na companhia do meu irmão – companheiro de infindáveis jornadas de caça –, depois de uma manhã particularmente animada mas com poucos resultados, a título de despedida tínhamos programado à tarde visitar um “cantinho” que no mês de fevereiro sempre recebe a visita de algumas bicudas. Depois de vários “encontros”, fugazes e inconsequentes, e já próximos de um local particularmente querençoso o “Raio” parou uma galinhola que saiu bem e foi abatida em grande estilo pelo meu irmão que assim se estriou nesse dia. Trocamos algumas impressões e lá continuamos, relativamente próximos, …. Talvez demasiado próximos. Um pouco mais à frente a “Lua” dá um toque, guia e pára. Não tive a mínima dúvida – a galinhola estava lá. Como o giestal era relativamente alto, contornei-o devagar, coloquei-me de frente para a cadela e estudei as várias saídas possíveis. Esperei. Reposicionei-me. Voltei a esperar. Numa tentação de partilhar o lance e sobretudo garantir um desfecho bem-sucedido, chamei o meu irmão. Esperei mais um pouco. Por fim, sem ainda o ter visto, um pouco desconectado com o lance, aproximei-me um pouco e a galinhola levantou a todo o gás encoberta entre as giestas, mesmo por cima da cadela e, a medo, fiz dois tiros de chofre que não tiveram, nem mereciam ter tido, qualquer êxito. O meu irmão nem a viu. Fiquei completamente frustrado e desapontado comigo mesmo. Embora tivesse intuído o local para onde tinha ido não voltei a procurá-la.
De regresso ao carro, de novo sozinho, vim a pensar no sucedido – … bem feito. Se calhar todos os actos desleais praticadas na caça deveriam merecer o mesmo desfecho. Que sentido faz e que mérito tem matar um animal quando lhe negamos a mínima hipótese de fuga –, de facto, é com os erros que verdadeiramente se aprende! Espero que tenha ido em paz, sã e salva.
Apesar de alguns lances bem cumpridos durante esta época é este que não me sai da memória e me faz ansiar pelo início da próxima época para que, de alguma forma, possa repor a condição ética que deve presidir e nortear a conduta de todos os caçadores de galinholas, que passa por lealmente respeitar a espécie de todos os nossos desvelos.

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16 de Dezembro, domingo, 06h00 da manhã, tempo farrusco a ameaçar chuva e temperatura agradável, como aconteceu praticamente durante toda a época. Mas, como dizem nuestros hermanosA mal tiempo, buena cara”. Cumpre-se o ritual matinal – atavios, arma e cães dentro do carro e tem início mais uma jornada de caça. A viagem, desta vez sem companhia, tornou-se mais longa e introspectiva, tempo para reflectir e deixar a imaginação vaguear por paisagens e episódios de tantas jornadas já vividas.
Levo como companhia os meus dois setters, Lua e Pica, mãe e filha de 12 e 5 anos que, sem serem extraordinárias cumprem e, de vez em quando, transcendem-se e proporcionam um ou outro lance digno dos melhores campeões.
Em menos tempo que o esperado estou na zona de caça. As expectativas eram boas uma vez que, em dias anteriores, já tinha efectuado alguns avistamentos na área e o tempo, apesar de tudo, apresentava boas condições – céu nublado, temperatura amena e uma leve brisa de nordeste que garantia chuva quando parasse. Uma vez prontos os apetrechos, mentalmente delineado o trajecto e eleita a companhia para a manhã, têm início a caçada. O campo, revigorado com as abundantes chuvas, formava poças e pequenas linhas de água por todo o lado e nas vertentes com alguma inclinação criava um manto de matéria vegetal muito húmido e fofo, ideal para as galinholas. A busca da Pica, intensa e um pouco impetuosa na primeira hora, foi progressivamente transformando-se num trote pausado a uma distância mais razoável. O primeiro “toque” aconteceu num giestal denso que remata num grande afloramento, e foi seguido de uma breve paragem, guia e busca irregular o que me sugeriu que a galinhola já tivesse levantado. Todavia, de forma inesperada, depois de desfeita a mostra, na borda de numa mancha próxima levantou a galinhola, como um fantasma, completamente coberta, permitindo-me apenas um tiro de instinto que erro, sem apelo nem agravo. Começava bem o dia. Entusiasmado, tomei caminho no sentido do sítio que julgava que iria pousar. Próximo do local, completamente alerta, vejo a Pica parada, muito firme – de certeza que lá estava –, procuro posicionar-me o melhor possível, a cadela rompe a mostra e faz uma pequena guia e volta a parar, entretanto fiquei ligeiramente fora do enquadramento e, ao primeiro movimento, levanta a galinhola completamente tapada por um pinheiro não me dando a mínima oportunidade de atirar – fintou-me mais uma vez. Com algum desânimo lá segui, deixando o local em que imaginava que pudesse ter pousado para quando voltasse. O resto da manhã correu sem especial interesse com excepção do avistamento de um corço que, apertado pela cadela, cruzou um caminho a cerca de cinco, seis metros de mim.
De volta, já próximo do meio-dia, como planeado, voltei ao local onde a tinha levantado pela primeira vez. Agora ia preparado e com a estratégia montada. Curiosamente, em parte a acção repete-se – breve paragem, guia, busca irregular e paragem firme –, a galinhola tinha ficado bloqueada entre mim e a cadela. Concentração a 110%, posiciono-me, antecipo as possíveis rotas de fuga e corrijo a posição, a cadela sempre firme – aprecio o momento por uns segundos –, volto a recolocar-me, aproximo-me ligeiramente, aguardo – começo a impacientar-me e avanço novamente contornando os obstáculos para me colocar atrás da cadela – de repente, olho para o chão e, a cerca de três metros, está a galinhola a olhar para mim – o momento dura seguramente 10/15 segundos, entretanto, apercebo-me que o local onde me tinha metido não me permitia movimentar a arma para poder fazer um tiro limpo. Nesse impasse, com ansiedade de concluir o lance, e na impossibilidade precipitar o levante sem atropelar a cadela, tenho a brilhante ideia de bater com a arma num dos pinheiros para a fazer levantar, o que de facto aconteceu de forma repentina e estrondosa, completamente na vertical. Claro está que, ao movimentar a arma, bati num ramo e faço um tiro absolutamente disparatado. Apetecia-me …….. sei lá ! A cadela fez um trabalho extraordinário e eu correspondi com um disparate deste calibre, enfim. Resignado continuei e conclui a manhã sem honra nem glória.
Mudo de sítio. Novo cenário, nova companheira, espírito renovado. A Lua é uma magnífica companhia que me proporcionou inúmeras jornadas de caça, algumas delas verdadeiramente memoráveis. Tem agora 12 anos e o que lhe falta em disponibilidade física tem em sabedoria e experiência. O local escolhido, muito fechado e íngreme, é de uma exigência notável e, ao fim de duas a três horas, acaba por cobrar o seu preço. E foi precisamente ao fim desse tempo, já cansados e levemente desmoralizados, que tivemos o primeiro encontro com uma amiga já conhecida que, nesse mesmo dia, já por duas vezes tinha levantado sem que a tivéssemos visto. Por fim, num mato muito espesso a Lua fica completamente bloqueada e não deixa dúvidas quanto à companhia em que se encontrava. Sozinho, incapaz de cobrir todas as rotas de fuga, procuro posicionar-me o melhor possível. Não foi suficiente, apenas a vi de relance e, sem que pudesse seguir a direcção que tomou, não me restou alternativa a não ser imaginar o seu destino. Refeito do desapontamento, lá fui, devagar, como a idade da Lua impõe, batendo todos os cantinhos, até que a cadela dá sinal junto de um afloramento rodeado de giestas e, de forma instintiva e felina, contorna-o e pára, deixando-me colocar num ponto alto a dominar toda a envolvente. O lance prolonga-se por alguns segundos, a galinhola levanta relativamente fácil e abato-a com o primeiro tiro. A Lua cobra e “trás à mão” com uma satisfação difícil de descrever. Depois das carícias e os elogios da praxe, sentamo-nos a olhar a paisagem e assim nos deixamos ficar, em silêncio, cúmplices. Eram cerca das cinco da tarde e surgiram no horizonte os primeiros raios de sol do dia, como que a colorir o cenário e a reconfortar a alma. Terminava um longo e magnífico dia de caça, apenas com uma peça cobrada mas que para mim valia por dez, ou melhor dito para nós valia por dez.
Alvaro Brito

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9-12-12

Olá Jorge,
Ontem, fui para o meu local predileto para caçar as Galinholas.

Tinha posto o despertador para as 6h45, mas adormeci, acordando as 8 badaladas, do sino da capela que está perto de casa muitas vezes consideradas irritantes, desta vez, embora já um pouco tarde, acordaram-me felizmente para mais uma saída as Galinholas. Cheguei ao local de caça pelas 9h30, um pouco tarde, ou se calhar a hora ideal!
Rapidamente ultimo os preparativos, colocando o Chocalho no Cão e preparando-me a preceito para mais um embate.
O primeiro local a visitar, foi aquele, onde no passado dia o Cão logo no início da jornada me tinha parado uma galinholas, que apenas tinha ouvido levantar-me nas costas, e embora ela estivesse lá, não estava nos pinheiros, mas um pouco mais afastada no terreno, tendo sido apenas encontrada ao final da manha, dando-me o segundo abate do dia, que será relatado mais a frente.
Segui no terreno, pela volta tomada no dia anterior, e 40 min volvidos, num barranco entre dois montes onde existe agora um caminho que pelos calhaus rolados que possui, me indica que outrora já correu um riacho, servindo agora quase que apenas para os ciclistas, o chocalho cala-se. Começo a descer no terreno, mais um tilintar, e novamente o silêncio. Quando vejo o Cão parado, ele faz algo que me faz tremer. Vira a cabeça 180º para trás olhando para mim com aquele olhar cúmplice, como querendo-me dizer, prepara-te que ela está aqui, virando-se depois novamente para a frente, dando um passo e ficando novamente parado. Eu ajeito-me o melhor que posso, antevendo o levante para a direita que era o local com menor visibilidade. E assim foi, ela levanta, eu ponho logo a arma a cara, esperando-a mais acima, pois sabia que ela tinha que subir, para se dirigir a encosta do monte adjacente, vendo-a em cima por breves instantes, dando o tiro contra uma pequena ramagem e logo deixando-a de ver. Mas o Cão tinha visto sair, e adivinho que cair, subindo rapidamente a encosta em frente, e rapidamente descendo com ela ainda viva entre os dentes, entregando-ma no caminho de calhau rolado. Umas valentes festas no Cão e sigo na busca de um segundo pássaro.

Logo a seguir o Cão segue ferverosamente, e quase a galope um rasto monte acima, até deixar de ouvir o Chocalho, mas mais uma vez o beeper a fazer falta, pois não encontrei o Cão, não tendo visto ou sentido sair nada. Entretanto ele volta e seguimos. Já na volta, num local muito fechado de Carvalhos novos, o Cão pára. O chão repleto de folhas secas e húmidas fazia antever algo de bom, mas o Cão pára e guia, pela mancha toda, algumas das paragens quase deitado, terminando num galope em busca de nova emanação. Tinha provavelmente saído sem que me desse conta. Não voltei a encontra-la, ou se calhar até encontrei…

Mais a frente, um Carvalhal mais velho, com muita esteva, e logo o Cão pára. Novamente guia, pára, guia pára, até chegar a um local mais aberto, onde eu pensava:- tem que levantar agora!
Mas não, não sai nada seguindo novamente o Cão em galope a procura de outra emanação. Esta galinhola, ou levantou furtada para baixo sem me aperceber, ou foi à pata, não sei. Certo é que, muito pouco tempo depois, estava o Lord com o Chocalho em silêncio, na mesma mancha, mas uns 40 50 metros mais abaixo. Quando me começo a aproximar, vejo a já por cima da copa dos Carvalhos, tendo saído muito longe do Cão, sendo que já a vi a mais de 40 metros. Ainda dei um tiro, que nem devia ter dado, talvez na esperança de um bago milagroso a fazer cair por terra, mas o cartucho que tinha na câmara, não tinha nenhum desses bagos, e nunca mais a vi. Que áspera esta Galinhola!

Já a caminho do carro, as 13h30 para ir almoçar, o Cão começa-me a fazer um rasto nuns pastos, entrando depois num Carvalhal ficando em mostra. Aproximo-me, ele volta e a fazer mais uma linda sequência de guias e paragens, acabando num muito entusiasmado rasto. Como estava perto dos tais pinheiros atrás relatados, comecei a pensar se não teria ido para lá. O Cão começa novamente a ficar muito entusiasmado por cima, e esta Galinhola já não lhe permitiu uma última paragem. Aliás ele ainda parou uma última vez, mas ela já tinha saído. Contudo para minha sorte e azar da Dama, esta não sabia onde me encontrava. Tinha saído bastante longe do Cão, rodando para trás, e voando a pouco mais de dois metros do chão, vindo exatamente na minha direção. Quando me vê estava já a uns dois metros de mim, rodando a menos de dois metros de mim, deixando-me ver-lhe o bico, olhos e as magnificas cores que ostenta no peito, fazendo-me rodar a mim para trás, para sucumbir a um certeiro disparo depois cobrada pelo Cão. Foi a mais gorda que abati. Esta estava na zona seguramente já algum tempo.

Vou para o carro almoçar, dando como sempre também alguma comida ao Cão, porque para se caçar um dia inteiro, não pode ser de barriga vazia.

Da parte da tarde, deixei ficar as Damas que estavam a monte, no local que este ano já me deu 5 bicudas, e resolvi ir inspecionar o outro lado da estrada de asfalto, que possui um terreno, muito parecido, e até talvez maior.

Mal saio do carro, tiro o Cão do carro, tiro a arma, permanecendo o Cão junto a mim, e começo a entrar no terreno com o Lord logo a frente. Ainda não tinha carregado a arma, já o Lord estava em mostra! Meto rapidamente os cartuchos na espingarda, seguindo-se um lance interminável, com o Cão a parar e a guiar, a parar e a guiar, durante mais de 50 metros talvez, até que a Dama sai a mais de 25 metros do Cão, e a uns 20 metros de mim, encobrindo-se logo quando tentava encarar a arma, acabando eu por não atirar. Vi mais ou menos a direção que tomava, e não foi preciso 5 min para que o Cão a parasse outra vez. Segue-se uma guia não muito longa, outra paragem, mais uma guia, terminando num galope em busca de emanação. Já devia ter saído pensei. Vou noutra direção e por baixo rapidamente o Chocalho silencia. Aproximo-me até ver o Cão parado num sítio bastante fechado. Eu vou pela lateral, o Cão com um olho colocado em mim, outro virado em frente, guia por uns três metros e fica estático. Eu de unhas cravadas no fuste aguardo e ela sai-me perto, mas não chofrei logo, ficando a espera de uma aberta para atirar, mas a Dama não me permitiu, e acabou por ir embora na direção onde tinha levantado da primeira vez a outra, (ou a mesma) sem tiros, deixando-me um sabor agridoce na boca, sendo que o doce apenas se deveu ao trabalho do Cão. Fui para a frente para ver o terreno, mas deparei-me com locais demasiado abertos para meter tão belo ser, resolvendo ir a procura da Dama que tinha acabado de fugir. Não voltei a dar com ela!

Estive a maioria do resto da tarde no seu encalce, mas não mais a encontrei. Resolvi subir no terreno de modo a fazer mais uma volta, para depois me dirigir ao carro, a pensar para mim que devia ter tentado atirar, e que o Cão já me tinha dado duas hipóteses de fazer o cupo e não as tinha aproveitado. Já a pensar ir para o carro, o Lord, talvez ouvindo os meus pensamentos, decide inventar mais uma Galinhola. De repente deixo de ouvir tocar o Chocalho bastante longe de mim. Voltava a tocar e depois a calar-se, começo-me a tentar aproximar-me da zona, apercebendo-me finalmente do Cão a uns 10 metros de mim parado, devido a um momentâneo soar do Chocalho. O Cão vinha de uma zona mais suja, mas no momento estávamos numa zona até relativamente limpa, pelo que sabia que estava prestes a levantar.

Tinha um Carvalho velho do meu lado direito, junto ao qual estava o Lord, e a esquerda uns arbustos de Carrascos que me tiravam do sério. A Dama levanta a uns 10 metros de mim se tanto da limpa, encobrindo-se com uma ramagem do Carvalho, que a tentava proteger, mas não consegui-o, já que a arma estava já na sua direção, dando dois tiros de rajada contra a rama, vindo-a felizmente tombar para a esquerda, numa limpa atrás dos Carrascos, com um chumbo no peito e uma asa completamente destroçada. Mando com grande ânimo o Lord cobrar, ao que ele passa a limpa e vai para longe. Ela tinha que ali estar pelo que chamo o Cão e junto a limpa ele entra numa minúscula manchinha de estevas ficando parado. Volto a mandar cobrar e ele finalmente apanha-a também viva, deixando-a depois comigo. Rapidamente descarrego a arma, e digiro-me pela estrada de terra para o carro tirando depois a foto com o quadro final do dia. Vivi o melhor dia de caça de sempre, na companhia do Cão de sonho que se está a tornar o Lord.

Abraço

Tiago Forte

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1-12-2012

As primeiras da Época.

Olá Jorge,

Hoje fui para uma zona de caça desconhecida, pelo que andei as aranhas!


A primeira zona que visitei, um carvalhal lindíssimo, estava despido de Galinholas. Era a zona que tinha visto que mais me entusiasmava a procurar tendo em conta a sua beleza mas não vi nenhuma. Ouvi dois levantes, mas não sei se era Galinhola, embora pelo menos no segundo o cão tenha andado entusiasmado mais ou menos na zona onde me pareceu ouvir o famoso bater de asas, mas rapidamente percebi que não valia a pena insistir. Voltei para o carro e fui para outra zona da reserva, eram umas 11 horas. Acabei por comer logo o farnel, porque esta zona parecia-me mais querençosa, e não sabia a que hora voltaria para o carro.
Andei cerca de duas horas a percorrer a zona, até chegar a uma área queimada, voltando depois para trás, sem que o Lord me mostrasse sequer um rasto. A zona até é bonita mas nada. Na volta, já não bastava a minha canela magoada, e tropeço numa silva que me fez bater com o joelho numa pedra milimetricamente plantada, ou talvez não, que me fez ver e desejar, obrigando-me a permanecer deitado de barriga para baixo uns minutos intermináveis, a maldizer a minha sorte. Ainda por cima o joelho da mesma perna!
Cheguei ao carro por volta das 13.30, e decidi ir até a um pinhal, mas pouco mais de 45 min volvidos, percebi que se não tinha encontrado nada nos dois sítios anteriores, ali muito menos, porque voltei a ir para o carro e voltei a mudar de zona. Quando não se conhece…
Cheguei ao novo sítio eram já praticamente 15h da tarde, eu a mancar a sério, a pensar já que era melhor era ir para casa, que o dia estava mais que feito. Só um doido continuaria a insistir, ainda mais com a perna neste estado, num dia já dado como perdido. A grade as costas estava a pesar bastante, ainda mais no estado em que estava. Digo, ainda bem que sou doido! Lol
A zona recentemente encontrada era composta na sua flora, por Carvalhos já com alguns anos, Estevas velhas, algumas a passar a altura do peito, Sargaço, com uns Pinheiros aqui e ali a compor o cenário.
A dada altura, eu vou na parte de cima do terreno, e o Lord vai um pouco a baixo numa zona mais fechada, sempre a trabalhar, mas eu completamente alheio ao cão, já francamente sem qualquer motivação, até que ouço algo levantar. Viro me para trás e vejo-a a passar-me nas costas, a uns 25 metros. Não sabia se tinha sido parada ou não pelo que me limitei a seguir o seu voo até deixar de a ver. O cão logo em alta rotação, e chamo-o, ao que foi um bocado difícil despega-lo da zona, indo mais ou menos na direção de onde agora poderia estar. Ando um bom bocado para trás no terreno, até me convencer de que para ali já não tinha ido, e depois volto para trás, na linha de terreno que mais ou menos a julgava. A dada altura o cão começa a fazer um pequeníssimo rasto e pára. Eu estava logo na cauda do cão e ele começa novamente a fazer rasto com a cauda a abanar, e logo salta a Galinhola. Linda, a sair pertinho, faltando só dizer mata-me! Aponto, carrego no gatilho, e ouço um desagradável “tec”! O cartucho estava picado, mas não disparou. Restou-me dizer um valente palavrão e continuei. Ela tinha ido na direção da zona onde tinha levantado, pelo que tinha a esperança de a voltar a encontrar.
Chego a zona, mas já não sabia, num terreno tão igual, onde tinha sido o levante, até que a dada altura encontro o local onde a tinha visto passar, calculando assim, mais ou menos o local onde tinha levantado. Desço no terreno e bato a zona. O cão na parte de cima começa a fazer um rasto, eu aproximo-me, e logo a minha frente, junto a um Pinheiro velho, salta a Dama sem dar paragem. Eu desta vez, não estive com meias medidas e mando-a a baixo com o primeiro tiro. Afinal já tinha sido parada no lance anterior, e com o adiantado da hora, resolvi abatê-la, não fosse eu não encontrá-la de novo, além de que queria dar um cobro ao cão.
Logo mandei o cão cobrar, mas ele, talvez não satisfeito com o desenrolar do lance, ficou junto dela, mas não lhe apeteceu trazer-ma a mão. A verdade é que este lance teria outro sabor se fosse abatida no segundo levante, mas dessa vez o material falhou! A primeira já estava na meia!
Decido ir a encosta contrária ao local onde estava e batê-la no sentido do carro. A dada altura começo a ouvir o choca-lho a calar-se, depois tocava outra vez, depois voltava a calar-se, mas eu estupidamente não acreditei no cão/chocalho, e quando decido ir ver já era tarde. Quando entro 5 metros na mancha, logo vejo sair outra a pouco menos de 10 metros do cão, permitindo-me no entanto ver mais ou menos a direção que tomava. Chamo-o cão e vou mais ou menos na direção que a supunha, sem antes voltar a tropeçar, batendo desta vez com o joelho esquerdo, porque o direito não chegava! Quando me recomponho, sigo e logo o cão pára. Faz rasto, faz guia, faz mostra, e repete, e repete, e repete, isto no espaço de pouco mais de 40 metros. Eu sempre a acompanhar o cão, de unhas cravadas no fuste, até que á ultima paragem do cão a sinto levantar a frente, mas tapada, não a conseguindo ver.
Chamo-o cão e decido voltar ao local do primeiro levante, mas nada! Varri aquilo tudo com o cão mas ela não estava lá. Volto para a frente, tentando ir na direção do local onde ela havia levantado na segunda vez, que era também a direção do carro. Não foi preciso muito tempo, para que o cão voltasse ao mesmo. Faz rasto, guia, pára, por várias vezes, comigo sempre a acompanhar, até que numa mancha mais fechada fica parado a olhar para baixo. Chego-me ao cão que não mexia, e ela sai a uns bons 20 metros dele, mas rodando para cima. Um primeiro tiro atabalhoado, um segundo mal apontado, e o terceiro, já quando a deixava de ver, bem adiantado, contra um pequeno Carvalho. Não me acreditava muito que lhe tivesse batido já que a tinha deixado de ver ao terceiro tiro, pelo que nem mandei cobrar, indo na direção do tal Carvalho mais por descargo de consciência. Lá chegado, logo o cão começa a fazer rasto, e logo o mando cobrar, percebendo que lhe tinha batido. Não foi preciso um minuto para ele a apanhar e trazer-ma á mão após duas ou três insistências, ainda viva, com um voo partido, mas possivelmente com mais um chumbo no peito, situação que vou verificar amanha depois de a arranjar.
Mais a frente o cão faz mais um rasto, mas rapidamente o perde, pelo que já lá não devia lá estar. Contudo, o sol estava já a beijar o horizonte, pelo que nem sequer deixei o cão trabalhar, já que não estava bem certo da localização do carro, pelo que estava na hora de regressar.

Abraço Jorge

25-11-2012
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Olá Jorge,
Hoje fui para as galinholas, para a zona do dia 8 de Novembro.

A primeira mancha que visitei, após uma breve passagem pelos terrenos da associativa ao lado, foi aquela onde saltou a Galinhola no dia anterior. Mas hoje ela não estava lá! A mancha fica num vale, e talvez por isso hoje ela lá não estivesse. Hoje, á semelhança do dia anterior, esteve todo o dia a chover. Não me lembro de caçar naquela zona com tanta água! Estava tudo completamente encharcado, com água a correr em todo lado.

Continuei a caçar sem nada aparecer, até que cheguei á mancha, na qual pelo trabalho do cão, te tinha dito que havia ficado muito desconfiado no dia da abertura. O cão andava meio desmotivado. Talvez devido ao tempo. Talvez devido a um terreno cada vez mais difícil, com muitos picos. Andava mais preocupado em sacudir o “casaco”, coitado estava todo encharcado, ou até talvez já se comece a notar o cansaço de tantas jornadas (quase todas as quintas e domingos), sempre do nascer ao pôr do sol, parecendo que não, rebenta com qualquer cão.

No meio da mancha parei um pouco, a olhar para o terreno, com o cão por perto. Decido ir a um cantinho logo ali ao lado e o cão vai a minha frente e começa a fazer um ténue rasto, que vai ganhando forma. Aquele rabo a abanar não engana. Até que não muito longe de mim o deixo de ver. Não vi, pelo que o que digo são apenas conjeturas, mas pareceu-me que o cão entrou demasiado a fundo neste lance e sinto a Galinhola saltar, não muito longe de mim, mas já só lhe vi uma pequeníssima porção do corpo, por entre uma pequena brecha nas ramagens.

Se tinha dúvidas se era mesmo Galinhola, elas rapidamente se dissiparam, pois após isso, o cão perdeu logo o amor ao casaco e furava tudo! Matos com tantos picos que até metia dó! Parecia que tinha ganhado pilhas!

Aquele brevíssimo vislumbre da Galinhola, uns breve momentos após o levante, tinham-me permitido fazer uma pequena ideia de onde poderia estar! Uma pequena encosta logo ali em frente. Ao Lord não foi preciso dizer nada que ele andava super motivado. Nem parecia o mesmo! Eu tentei subir a encosta e o cão logo a frente a varrer tudo. Até que chego a um ponto que nem já conseguia ir para trás nem para a frente, pelo que me dediquei a fazer a única coisa que podia. Ouvir o chocalho ao longe! A dada altura pareceu-me ouvi-la levantar. Mas sendo ainda muito novo nestas andanças, sem ver, e não sendo perto, não podia ter a certeza. Certo era que o cão andava em alta rotação, embora afastado, e sem que o conseguisse ver.

As tuas crónicas, têm me ensinado alguma coisa, pelo que fiquei a pensar, que se fosse ela, talvez tivesse voltado para o local do primeiro levante. Pelo que quando o cão finalmente chegou ao pé de mim decidi voltar a mancha!

Já não sabia como ali tinha chegado pelo que cheguei a ter que andar de gatas, por baixo dos carrascos, por locais onde só os cães e os javalis passam!

Chegado à mancha, dou-lhe a volta, entrando pela parte de baixo, cruzando-a na sua extensão. A meio desse “cruzamento” e a uns meros 15 metros do local do primeiro levante o cão de repente, levanta a cabeça e pára. Eu estava logo atrás dele, ele começa a guiar, por uns breves 4 metros talvez e logo levanta a Galinhola, à qual consegui dar apenas um tiro, com a arma mal encarada, batendo boa parte do chumbo num carvalho velho que se colocou á frente. Ao tiro deixei logo de a ver. Ainda mandei o cão procurar, com a ténue esperança de lhe ter batido, mas nada. Aquela agora devia estar na encosta do outro lado, bastante longe pelo que não fazendo ideia de onde estava decidi ir bater outra zona não muito afastada dali.

Recomecei num pequeno vale entre duas encostas muito querençudo, mas muito encharcado, e nada. Decido passar na parte de cima, no cimo do monte adjacente ao vale, com um terreno um pouco mais aberto, onde não tinha esperança de encontrar qualquer pássaro. Mas mal lá chego, ainda não tinham passado 30 min desde a última paragem, o cão começa a fazer um rasto, e o rabo começa a abanar! Alto que está aqui qualquer coisa pensei, ao mesmo tempo que o cão entra em mostra. A seguir tive direito a uma sequência de guias e paragens, com um brevíssimo rasto aqui e ali, durante uns 20metros talvez, eu sempre a tentar chegar-me a frente, facilitado pelo terreno, até que a Galinhola (outra) levanta a uns bons 25 metros de mim e do cão. Consegui fazer dois tiros, a distâncias de talvez 30 metros mais ou menos, possivelmente desapropriadas para um choque 5 e cartuchos com bucha de feltro. O segundo tiro pareceu-me bem colocado, mas ela não caiu. Se calhar não foi tão bem colocado assim e estou para aqui a arranjar desculpas! Não sei…

Não vi para onde foi, mas pela direção pareceu-me ir para a encosta em frente. Fui lá com o cão, mas não andei lá mais do que 10 min, já que entretanto o meu pai ligou-me para ir almoçar. Já eram 13h e pouco.

Pelo caminho para o carro, o cão sai-me da estrada de terra e faz me uma sequencia de guias e paragens, mas não vejo ou sinto sair nada. Fiquei desconfiado, mas sem ver…

No fim de almoço, voltei ao local da primeira galinhola na esperança de ela lá estar, mas nada!

Vou então para encosta para onde imaginava a segunda galinhola, e no cimo do monte ia o cão a minha frente e de repente entra em mostra. Inicialmente não me pareceu, mas depois vi-o a “mastigar” o ar e meti-me logo a pau. O cão estava virado para a direita, onde tinha alguma visibilidade! Mas quando começa a guiar, acaba por virar á esquerda e pára. Guia pára. Guia pára. Num espaço pequeno, de 5 metros talvez. Tinha um carrasco super denso a minha frente, e já estava a imaginar o desenrolar do lance. Pode ser que ela suba um bocado e voe para a esquerda ou direita pensei. O pior é que de burra ela não tem nada e sentia a levantar a não mais do que 5 metros de mim, sem que me deixasse ver-lhe as penas. Deve ter ido em frente e para baixo. Logo após levante, mais duas guias e duas paragens, a última das quais quase deitado, possivelmente no sítio de onde levantou! Talvez até tenha sido melhor assim, não fosse eu errá-la novamente, e mandar com a espingarda contra algum Carvalho!

Ainda fui ao local (encosta em frente), onde ela tinha levantado da primeira vez, a pensar que pudesse fazer como a outra, mas varri aquilo tudo com o cão e nada de galinhola. Já eram 17 horas e tinha que regressar. Já a chegar ao carro, o cão volta a sair do caminho e começa a guiar e parar, guiar e parar, e ainda ouvi levantar algo, mas aqui não tenho certezas. O barulho do bater de asas pareceu-me ligeiramente diferente, e o terreno não era assim tao sujo, mas não tendo qualquer certeza, prefiro não conjeturar.

Quinta-feira lá estarei novamente, na esperança de estes dois pássaros por lá continuarem e me proporcionarem mais uns lances.


Abraço Jorge

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Boa tarde amigo Jorge, venho por este meio relatar-lhe o acontecimento que me levou a ficar apaixonado pela caça a Galinhola.
...Tudo começou numa fria e molhada manha de Dezembro, eu e o meu primo saía-mos para a caça em busca de umas perdizes na associativa onde caço, acompanhados pelo meu Pointer de nome Jau, que se estreava na caça assim como eu, a primeira época como caçador. Ia-mos batendo o terreno como anteriormente tinha-mos feito, mais na esperança de encontrar uma perdiz do que uma galinhola, mas tudo ia ser diferente e mágico neste dia.
O Jau, que naquela altura tinha 2 anos, la ia dando o seu melhor fazendo uso ao excelente olfacto que Deus lhe deu tentando apanhar uma emanação de pena que lhe desse ainda mais alegria. As horas iam-se passando e nada, nem um pássaro. Foi então que entra-mos numa zona onde hoje digo ser de crença mas naquele dia era uma zona normal, o cão mudou completamente o sentido de busca, começou pela primeira vez a fazer uma guia, pequena visto que mais a frente fez uma paragem brusca, típica de um Pointer, com o nariz quase a rasgar o chão e com uma excitação que até me arrepiou, digo " atenção, o Jau tem algo"...passados uns 20 ou 30 segundos decido avançar mais um bocado para perto do cão e eis que... a dama levanta, naquele segundo o meu coração disparou, encarei a minha sarrasqueta e despejei dois melior de 32g chumbo 8 nela... "caiu!" a alegria era de tal forma grande que até me esqueci de dizer ao Jau para cobrar, mas ele nem pediu licença, nem um minuto e la vinha ele com ela na boca, cheio de alegria, tanta que nem a queria tirar da boca :)... Depois deste acontecimento e já no regresso a caça digo "quero dedicar-me somente a caça a galinhola, é APAIXONA-TE". E foi assim, a minha primeira galinhola, a primeira do Jau e uma paixão para os dois :)
Grande abraço para todos os apaixonados desta ave, e uma excelente época para todos...
Espero um dia mais tarde adquirir um exemplar da PedraMua, para mim, os melhores cães de galinholas que conheço...

Ricardo
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8-11-2012
Olá Jorge,
Hoje foi o meu dia de abertura as Galinholas embora fosse com pouca espectativa devido a ainda ser muito cedo.
Fui para a zona de ano passado, e no local onde o Lord tinha tirado a sua segunda galinhola, hoje tirou outra (possivelmente até é a mesma). Foi o primeiro local de querença que visitei.
Uma mancha de carvalhos novos e esguios. Este ano tem mais silvas e eras do que ano passado. O cão não estava a querer entrar na mancha, mas eu lá o convenci entrando também. Ele passa-me a frente, e não foi preciso muito tempo para ela levantar.
Se entrou em mostra, foi muito breve, não mais que um segundo. Como o terreno é muito fechado não consegui ver. Estou farto de tentar rebobinar o lance na minha memória, mas não consigo lembrar-me se o chocalho deixou ou não de tocar. 
Ela sai ao cão que estava talvez a uns 10 passos de mim, e vem na minha direção fazendo um género de semi-circulo á minha volta, com algumas quebras no voo, conforme se ia desembaraçando dos ramos das árvores. Dei-lhe três tiros, e talvez ainda lhe desse o quarto se o tivesse na arma. Aquela se é a mesma está embruxada. Nem os cartuchos especial galinhola me safam! Dei-lhe os três tiros a distancias entre os 5 e os 6/7 metros se tanto! Voltei a ver-lhe a peitaça toda e até os olhos. Pelo menos surda ficou! Resto-me dizer um valente palavrão que se deve ter ouvido num raio de 100 metros! Não á dama mas á minha aselhice.
Foi impossível saber a direção que tomou, já que quando a deixei de ver, não estava a mais de 7 metros de mim. Fui na direção que tomava quando a deixei de ver e encontrei uma encosta, cuja flora se resumia a grandes arbustos muito cerrados de Carrascos (Quercus coccifera), silvas, eras e sargaço, mas intransponíveis. Ainda lá andei dentro com o cão, que estava extremamente motivado devido ao levante, mas tive que voltar para trás, já que se tornou impossível prosseguir no terreno. Ainda pensei que ela pudesse ter dado a volta, e fui a outra parte do terreno, mas não voltei a dar com ela.
O cão ainda teve muito contente noutra mancha de querença de ano passado, mas não vi ou senti sair nada. Mas fiquei bastante desconfiado, tendo em conta a forma como o cão percorreu a zona. Contudo é ainda muito cedo… talvez fosse outra coisa, não sei.
Para primeiro dia e para as minhas espectativas iniciais já não foi mau ter-lhes visto as penas.
Infelizmente os próximos três dias de caça já estão marcados para as perdizes, mas de hoje a 15 dias vou para a mesma zona de caça para ver se ela estará no mesmo sitio, com disposição de me proporcionar outro lance e talvez até nessa altura já tenham entrado mais uns pássaros.
Forte abraço!
Obs. Dia de chuva, fiquei todo encharcado
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11-11-2012
Olá Jorge,

Venho relatar-vos aquele que tendo em conta a qualidade dos lances, se tornou no meu melhor dia de caça as perdizes.
No início da manha, fui procurar o bando que está junto ao santuário, que foi levantado pelo Lord um pouco largo. O vento também não estava favorável. Ainda poderia ter feito fogo a uma delas mas na altura acabei por não fazer. Elas foram para zonas onde não se pode caçar e mudámos de sítio. Estive toda a manha sem ver nada, até que, já a caminho do carro para o almoço, estava na borda de um restolho numa encosta, a subir, e na outra extremidade do restolho a uns 80 metros de mim, o cão entra em mostra. Confesso que aquela hora não me estava a acreditar. Fico quieto, e o cão faz algo que nem é rasto nem é guia (uma mistura dos dois) durante dois ou três metros e volta a parar. Eu começo a aproximar-me, e o cão volta a fazer o mesmo (sempre a subir). Volta a fazer o mesmo e eu começo a apressar o passo para me aproximar. No cimo da encosta havia uma pequena mancha de urze e silva e quando estou a 10 metros delas, o cão no seu rasto/guia passa por trás dessa mancha e deixo de o ver,  e levanta-se um perdigão velho na minha direção abatido ao primeiro tiro e rapidamente cobrado pelo Lord. Ao tiro levantou outra por baixo, pensando bem ainda lhe podia ter dado um tiro, mas com tão belo lance já não tive reação. Estive depois a fazer medições e desde a primeira paragem até ao local do levante contei 30 passos. Sem dúvida um lance fantástico. Vou para o carro e fomos almoçar. No fim de almoço fomos para uma zona onde só tínhamos estado na abertura e que eu queria voltar a ver.
Não me tinha ainda afastado 300 metros do carro e a uns 15 metros de mim, o cão entra em mostra. Aproximo-me, ele faz um pequeno rasto e salta uma codorniz que ficou de asa ao primeiro tiro. Mando o cão cobrar e nada. Ele ficava muito contente, ia para a frente e nada. Estive a insistir como cão durante bastante tempo no mesmo local, e ao fim de 18 minutos o cão entra em mostra um pouco atras de onde tinha rasto e cobra a codorniz. Sei quanto tempo foi, porque liguei ao meu pai a contar o lance após tiro e depois de cobrada. Fiquei contentíssimo com o cobro, ainda não sabia eu o que estava para vir.
Dou a volta ao terreno, e já no caminho do carro, já a pensar ir ter com o bando da manha, entro com o cão numa limpa. O cão dentro duma limpa talvez do tamanho de um campo de futebol, começa a cruzar o terreno, e numa das extremidades entra em mostra, a uns 40 50 metros de mim. Eu aproximo-me pela lateral, ele faz uma guia de uns 2 metros e fica parado. Chego ao pé do cão e paro á direita do cão a uns dez metros dele. Ele completamente estático. Dou mais um passo e salta outro perdigão a cerca de 17 passos mais coisa menos coisa do cão. Bato-lhe com o primeiro tiro vendo que estava de asa, dou os outros dois tiros mas não lhe toco, e vejo-a aterrar e a pôr-se logo a andar. O cão não tinha visto cair e eu pernas para que te quero ponho me a correr monte a cima com o cão logo a seguir-me e mal chego ao local de queda: - Cobra cobra Lord, cobra… O cão dá uma pequena volta e sobe uns calhaus perdendo eu o cão de vista. Eu subo os calhaus já a pensar esta fica cá de certeza. Não vejo o cão e deixo-me ficar quieto durante uns poucos minutos, até que volto a dizer: - Cobra Lord cobra… Passado uns momentos vejo o cão a entrar numa estrada de terra batida a uns bons 70 metros do local de queda a vir com ela atravessada na boca, vivinha da silva. Apenas com um voo partido. Que grande cobro fez o cão. Confesso que até as lágrimas me vieram aos olhos!
Vou novamente na direção do carro e mais uma mostra um pouco mais acima que quase de certeza era perdiz, mas já tinha saído. Quando chego ao cão ele guia mas não levantou nada.
Sigo caminho e vejo no cimo de um monte uma perdiz no ar a ir para a esquerda, mas decidi que já não ia atras dela. O cão apercebeu-se dela no ar e subiu logo o monte descendo depois para baixo. Quando chego ao cume salta-me aos pés uma codorniz a qual dou três tiros e nada. Após ter dado os três tiros salta logo outra. E eu a pensar para com Deus e comigo : É bem feita que as codornizes só são para atirar depois de paradas pelo cão!! Fui na direção da que não tinha levado fogo e o cão entra em mostra. Chego me a ele, ele começa a fazer rasto mas não sai nada. Será que tinha saído antes de chegar?! Decido ir mais ou menos na direção da outra e rapidamente o cão entra em mostra. Chego me a ele, ele faz um pequeno rasto e salta a codorniz errada com três tiros. Como é possível isto pensei. Voltei a ir mais ou menos na direção dela, e não foram precisos mais do que 2 ou 3 minutos para que o cão ma parasse outra vez. Aproximo-me, um pequeno rasto e ai está ela. Um tiro, e foi completamente a frente do chumbo. A chamada verdadeira passa! Devia ter deixado alargar mais um pouco. O cão cobra e vem trazer.
Chego ao carro, e a cena caricata do dia. Tinha a perdiz viva na mochila, e estava para a tirar pra tirar a foto com ela viva e ela salta me da mochila, e ai vai ela a correr. O cão não estava ao pé de mim e tive que ir atras dela uns bons trinta metros sendo que o que me safou foi uma aramada que ela não consegui-o atravessar permitindo-me apanha-la.
Foi sem dúvida um dia com lances fenomenais! Não estava a espera de tantos lances hoje, mas a caça tem destas coisas e com a ajuda do Lord…
Abraço
Tiago Forte.
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Olá Jorge,
Envio esta mensagem para descrever o treino de hoje.
Fui para um campo de treino, que embora o seu forte seja os coelhos, conheço lá uma encosta onde já tinha encontrado duas perdizes, provenientes de repovoamento, mas já bastante bravas, porque todos os dias lá andam caçadores a treinar os podengos, de modo que para continuarem vivas tiveram de fazer por isso. Saí do carro e antes de chegar a esse local, ainda tive que caminhar um bom bocado de terreno, onde já perto o cão me faz uma paragem, junto a um pequeno caminho (como eu costumo chamar de carreiro de cabras) não sai nada, mas pelo local, fiquei com a certeza de que teria sido um coelho já furtado.
Continuo e chegado ao local das perdizes, rapidamente o cachorro entra em mostra, mas nada. o cão começa a fazer rasto e levanta-as da minha parte de cima ai a uns 30 metros. Vejo para onde vão, vou lá com o cachorro e nada. Achei estranho. Andei por lá uns bons 10 minutos e o cão pára a uns bons 50 metros do local onde as vi poisar, mas novamente nada. Mais algum coelho pensei...
A partir dai o cão andou sempre em alta rotação, e tinha sempre a tendência de subir o monte, mas quando estava já perto do cume eu insistia sempre para ele voltar. Afinal o cume do monte ficava a uns bons 150 metros do local onde tinha visto poisar as perdizes, se não mais pelo que não me acreditava. Fui indo com o cão a meia encosta, e quando voltei, subi um pouco mais no terreno vindo no sentido inverso. A uns 40 50 metros desse cume. O cão começa andar frenético de rasto (havia pouco vento, e estava a chover a sério) eu começo a chamar, mas ele ai já não me deu ouvidos e levantou-as mesmo no cume. Afinal tinham andado aquilo tudo pensei…
Agora pela direção do voo sabia onde estariam. Chamei o cão e desci no terreno, vou na direção onde pensava encontra las e o cão volta a levanta-las sem paragem. Já não se deixam parar de qualquer maneira. Vejo para onde vão, chamo o cão e vou onde pensava que estariam. Mas nada de nada. O cão andou para trás e para a frente e nada. A dada altura o cão volta para tras no terreno, até que deixo de o ver devido á curvatura da escosta. Conforme vou andando, vejo algo branco quieto, pouco abaixo do meio do monte. Mas sinceramente pareceu-me um calhau. Continuo, ainda demorei o minutito a lá chegar, e ai estava ele, estático. Aproximo-me e tive um lance, este sim digno de registo, com as duas perdizes a levantarem a cerca de 10 metros do cão, saem me de frente a uns 20 metros de mim, com um pouquinho de pontaria, era um doble certo! Lindo de se ver. Aguentou a paragem lindamente. Olhando volta e não volta de lado, para ver a minha posição. Fenomenal. Vou novamente ao encontro delas, e quando o cão estava para voltar a parar elas tornam a levantar, logo com o cachorro atras delas.
Fui outra vez a zona e antes de chegar, já o cão la andava e vejo uma das perdizes já no ar a ir desta vez para longe, fora do campo de treino levantada por ele, já que ia em sua perseguição. Eram 8 horas da noite, estava na hora de vir para casa, pelo que vou pelo caminho, na direção onde poderia estar a outra, mas já pelo caminho de casa (estrada de terra). Ando na estrada, junto ao monte, mas já dentro do vale cerca de 100 metros, ao mesmo tempo que ia fazendo o treino de andar junto sem trela. Até que vejo a 10 metros de mim algo a esconder- se na vegetação. Vou na direção dessa coisa e logo o cão para. Ando um pouco, o cão rasteja ligeiramente, e salta a perdiz. Pertinho de mim, a não mais do que 10 metros. Este foi outro dos lances fantásticos de hoje. O cão meteu-se logo atras dela e tive que esperar um bom quarto de hora até que voltasse. Quando voltou, vou pelo caminho onde tinha saltado a perdiz e entro num dos tais caminhos de cabra com cerca de 40 cm de largura. Logo o cão começa a fazer uma guia. Correndo o risco de parecer mentiroso, o cão guiou cerca de 50 metros por esse caminho, que não sendo direito, acompanhava o sopé do monte descendo e subindo com algumas curvas. Digo 50 metros porque não quero entrar no exagero, porque na realidade pareceu-me mais. Quando a dada altura vejo um coelho a ripar-se finalmente do caminho para uma silveira, que foi precisamente no sitio onde o cão parou de guiar, para começar a rastejar na direção dessa silveira. Pena ter sido um coelho, mas deixou-me assombrado o magnifico trabalho do cão.
Até ao carro mais uma paragem num quente de um coelho, num local onde pouco tempo antes de lá chegar (agora isto passou-se numa terra lavrada) tinha visto 4 coelhos a atravessar o terreno, e ainda foi a correr atras de outros dois que passaram o terreno mais tarde, e que o cachorro viu a fugir. Aqui tive que prender o cão a trela, que já estava a ficar de noite, e ele estava a ficar “maluco” com os coelhos.
Dois lances fantásticos sobre as perdizes, e uma guia fenomenal a um coelho, deu matéria mais que suficiente para vos relatar o treino de hoje.
Abraço e espero que gostem do relato.
Ps. Lord entre os 8 e os 9 meses (filho do Veron)

1 comentário:

Anónimo disse...

uma boa ideia amigo Jorge.

cumprimentos, Ricardo