terça-feira, 6 de março de 2012

Dom em campo.


A pé desde muito cedo, demasiado cedo para as horas que combinara com o Pedro, fruto de uma noite mal dormida devido há emoção de ir pela primeira vez experimentar o Dom, sentia aquilo que há muito não sentia, aquela sensação que tinha em criança, quando me deitava na noite de Natal com um brinquedo novo sem tempo de brincar com ele, deitando-me com aquela imensa e incontrolável vontade que a noite passe-se rápido para, logo pela manhã poder desfrutar do meu novo entretém mas, essas noites são dramaticamente longas e agitadas, pois foi assim que me senti.
De manhã bem cedo já nos encontrávamos no campo, o sol ainda baixo não tinha a força necessária para fazer lacrimejar as estevas, a geada da noite fazia-se ainda sentir. Rapidamente fui assolado por uma tremenda nostalgia, campo, cães, Galinholas, ainda há tão pouco tempo estas saídas tinham um outro sentido, mais intenso, mais cruel, mais verdadeiro. Saímos para o campo primeiramente apenas com o Dom, queria vê-lo num embate versus uma Dama astuta, tão astuta que foi melhor que eu e assegurou bilhete de regresso a casa. Rapidamente o Dom fica parado, numa ponta junto ao arame onde um casal de Perdizes marca sempre presença mas, não era bem isso que pretendia, logo de seguida num local característico, onde até eu mesmo com o meu nariz parava Galinholas, de tão característico é o local, o beeper toca, armado apenas da câmara de filmar e o Pedro de fotografar corremos ao cão, de olhos vidrados e aquele olhar típico de cão que tem algo na frente espero que o pássaro levante, mas nada, ele guia e fica novamente parado, disse ao Pedro esta já saiu, conhecia bem o comportamento desta Galinhola, mais uma guia e o Dom de cabeça no ar a ver se a via, confirmei então que já tinha saído, foi pena, “finíssima” dizia o Pedro. Disse-lhe então para ir buscar a Duska e irmos desfrutar dos cães.

A partir daqui foi um festival de perdizes paradas, da vermelhas, daquele vermelho bravo, com bicos e patas cor de lacre, aqui e ali ouvia-mos os machos cantarem, o canto nupcial ecoava por todo o couto interrompido apenas pelo canto dos beepers, foram momentos mágicos, perdizes bravas paradas na montanha, acasaladas davam muita paragem, os cães chegaram a estar parados em simultâneo, momentos inesquecíveis e de rara beleza. Aos poucos ia conhecendo o cão, sentia que era fácil de caçar com ele, pois era muitíssimo expressivo na presença da caça, facilmente se percebia quando a caça ia a pés ou estava bloqueada, pois quando se deita a caça está mesmo ali, as guias lindíssimas, sempre de peito no chão, a expressão do expoente máximo da beleza da raça, sentia em mim a vontade de caçar com ele, a vontade de o ver parado com uma Dama, vê-la sair, vê-lo cobrar, senti que terei com ele momentos de grande beleza e enorme desfrute, pois a caça não são apenas abates, é acima de tudo beleza, e nada se iguala à beleza que um Britânico tem ao bailar com a sua Dama.
Após várias perdizes paradas pelo casal de Britânicos e já a chegar ao carro ouço o beeper, numa pontinha de estevas que logo cedo tínhamos passado ao lado, cheguei-me ao cão sempre a ouvir o beeper e de repente o Pedro diz-me de coração na boca, Galinhola, tinha saído para a frente dele, sem possibilidade de a filmarmos. Afinal a Galinhola complicada tinha sido bem parada pelo Dom, felicíssimo olhava para o Pedro e perguntava, “então o que achas do cão?” o Pedro sem palavras na boca respondeu-me com um sorriso na cara, a cumplicidade é muita, percebia pela expressão que gostou muito do cão.
Espero agora com muita ansiedade a próxima época com a certeza de, se o Dom se ligar a mim a caçar, assim como fez o Veron, seguramente este será um cão de Galinholas do mais bonito, expressivo e efectivo que pode haver, perdizes e faisões para o afinar a meu gosto durante o defeso para que, no próximo Novembro possa estar ao meu gosto.

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