sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A importância da arma e do cartucho.

A Arma.

Poderíamos pensar que a utilização da arma que mais estamos adaptados e, a qual nos dá os melhores resultados jornada após jornada nas perdizes ou nos tordos, será sem duvida a escolha perfeita. Talvez teoricamente as coisas vistas desta forma tenham lógica, mas nem sempre ou até mesmo atrevo-me a dizer que na maioria das vezes esta formula não resulta.
A arma neste tipo de caça tem de ser ou pelo menos é-o em muitos dos casos também ela á semelhança do cão, uma especialista, por norma o caçador de Galinholas, ou aquele que faz desta caça algo mais incisivo, onde gasta mais da sua curta época venatória, sabe que a arma aqui faz a diferença. A arma que por norma nos da tantas alegrias nas sortidas ás perdizes, aqui não é aquela companheira fiel que estamos habituados, os habituais 71 cm de cano que nos permitem fantásticos abates nas perdizes, pombos e tordos entre outros, são nas Galinholas muitas vezes inúteis.
Os terrenos demasiado fechados, a dificuldade de progressão e de Swing, os tiros rápidos em grande parte de chofre a aves que saem tão rapidamente que são abatidas pelo dedo e não pelo cérebro, requerem uma arma especialista, uma arma curta, manejável de fácil encare.
Por norma foi adoptada pelos Becaderos, o cano 61, os choques são frequentemente cilíndricos, ou em alguns modelos de algumas marcas estriados. Será que é assim tão necessário este grande número de requisitos? Para o caçador normal que faz da caça ás Galinholas um simples divertimento esporádico, onde não faz mais de 3 ou 4 jornadas por época, não se justifica uma arma especial, mas para aqueles que fazem desta caça o ponto alto do calendário venatório, para muitos que apenas esta espécie lhe dá alento para saírem ao campo, onde sempre que podem estão no encalço de bicudas, uma arma especial faz toda a diferença. Canos a rondar os 61 cm, cilíndricos num corpo manejável é de extrema importância para se alcançar o sucesso naqueles lances mais complicados nos terrenos mais típicos.



Justaposta, sobreposta, ou automática? Este para muitos é um dilema, mas os caçadores de galinholas, ou pelo menos e talvez para a maioria não é complicado, pois o carisma e misticismo que a Dama oferece requer por etiqueta, chamemos-lhe assim, uma bela justaposta. É contudo certo que muitas vezes apenas há espaço e tempo para um único disparo, o segundo poucas vezes é dado comparativamente com outro tipo de peças de caça, o que nos leva a pensar na efectividade do terceiro tiro de uma automática. Na realidade e na prática devemos caçar com a arma que nos transmite confiança e com a qual nos sentimos bem, independentemente das suas características.



Calibre 20 ou 12? Este assunto é pouco discutível, é certo que os modelos de Calibre 12 tem uma grande vantagem, mais e melhores cartuchos disponíveis no mercado, cargas deste calibre especialmente concebidas para esta disciplina estão largamente difundidas no mercado, ao contrário de cargas especial Galinhola em calibre 20, além da pouca escolha de cargas, há também o factor (mãozinhas) ou seja, para se ter sucesso com este calibre há que ser melhor atirador, pois este calibre requer atiradores mais capazes, o tiro por melhores armas, cargas e choques que se utilizem, sai sempre mais fechado, o que aqui não é de todo recomendado, embora haja e conheça atiradores com armas de calibre 20 que caçam ás galinholas com enorme sucesso, como vantagem deste calibre temos a diferença de peso na arma, pois por norma uma arma de calibre 12 pesa 3 Kg e uma de calibre 20 pesa 2.7 Kg, ao fim de uma jornada faz diferença. Cabe a cada caçador saber onde se inclui como atirador e caçar com o que acha confortável e eficaz.

As cargas.
Desde há muito que as cargas para esta espécie são diferentes, já la vai o tempo que os caçadores carregam as suas cargas de forma diferente para determinado tipo de espécie a abater, e a Galinhola não é diferente. A industrialização e evolução desta originou novos produtos e novas técnicas, o caçador deixou de carregar cartuchos em casa e as fábricas começaram a carregar cartuchos com buchas de plástico, que em nada favoreciam a dispersão do tiro, essencial nesta modalidade. Um novo mercado e capacidade financeira global aliado ao consumismo fizeram as empresas repensarem nos seus produtos e lançarem para o mercado novas cargas especiais capazes, de suprimir as necessidades do mais exigente dos caçadores. Aparecendo assim não só para a galinhola, mas para muitas das espécies, cartuchos concebidos especialmente para uma determinada espécie.


Nas Galinholas não há a necessidade de chumbo grosso, pois a delicadeza da ave faz com que qualquer baguinho a atire ao chão, o chumbo 9 ou 10 são os mais utilizados. Há a ideia que um chumbo mais grosso tipo 5, é o ideal, pensando que estes furam as folhas e passam pelos ramos até atingirem a ave, há quem utilize este tipo de cargas, embora poucos caçadores mais experiente as utilizem, dando preferência a cargas especiais de chumbo miúdo.
Por norma as cargas são entre 34 e 40g, muito chumbo mas carregados com pouca pólvora, para que o tiro abra o mais depressa possível, ajudados na maioria das vezes por buchas de feltro, de forma a conseguirem um tiro uniforme que abra rapidamente.
No mercado consumista este tipo de cargas é um bónus para quem compra e para quem vende, havendo já disponíveis cargas com chumbo quadrado e cargas com chumbo de vários calibres 9 e 10 num mesmo cartucho tudo para satisfazer as necessidades de becadero mais exigente, claro que estas cargas são de elevado preço, talvez a necessidade e a especialidade contribuam para os preços verdadeiramente astronómicos destas cargas aparentemente simples.

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